Proteção e dicas para a prevenção do câncer de pele

Dermatologista explica as medidas cruciais para aproveitar o sol, manter a vitamina D em dia e garantir a crucial prevenção do câncer de pele

Crédito: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O verão, sinônimo de lazer e atividades ao ar livre, traz consigo o aumento das temperaturas e da radiação solar, exigindo atenção máxima à saúde da pele. Este período, em especial, intensifica a preocupação com a neoplasia mais incidente no Brasil, o câncer de pele. Diante desse cenário, o Dezembro Laranja se firma como uma campanha essencial para conscientizar sobre a importância da prevenção do câncer de pele e do diagnóstico precoce.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima um panorama desafiador para o triênio 2023-2025: o país deve registrar cerca de 220,5 mil novos casos de câncer de pele não melanoma por ano, além de aproximadamente 9 mil casos anuais de melanoma. Tais números sublinham a urgência de adotar práticas seguras para desfrutar do sol.

Três pilares da proteção solar e a prevenção do câncer de pele

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Para garantir um verão saudável e minimizar os riscos, o Dr. Theodoro Habermann Neto, dermatologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), lista três pilares fundamentais: proteção solar rigorosa, hidratação adequada e alimentação equilibrada.

O primeiro passo é evitar a exposição direta ao sol nos momentos de pico de radiação, entre 10h e 16h. Além disso, o uso de protetor solar é inegociável.

  • O produto deve ter FPS 30 ou superior e ser aplicado em todas as áreas expostas do corpo.
  • A reaplicação deve ocorrer a cada duas ou três horas, ou após sudorese intensa ou contato com a água.
  • A proteção deve ser complementada com barreiras físicas, como chapéus, bonés, óculos com proteção UV e roupas que reforcem o escudo contra os raios solares.

A hidratação é o segundo pilar. O calor intenso acelera a perda de líquidos, tornando crucial repor o estoque hídrico do corpo. Água pura, água de coco e sucos naturais são as melhores opções. Por outro lado, o consumo de bebidas alcoólicas e cafeinadas deve ser moderado, pois tendem a favorecer a desidratação. A pele, como o maior órgão do corpo, também precisa de cuidado tópico, sendo indispensável a hidratação cutânea diária.

O terceiro pilar é a alimentação. Uma dieta leve, rica em frutas, legumes e verduras, auxilia o organismo a se manter equilibrado e a combater os radicais livres, sendo um aliado importante na prevenção do câncer de pele e outros danos causados pelo calor.

Vitamina D: Como garantir a dose sem risco de câncer de pele

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O sol é reconhecido como a principal fonte natural de vitamina D, nutriente essencial que tem até 90% de sua produção atrelada à exposição solar. Contudo, para obter os benefícios sem elevar o risco de câncer de pele, a exposição deve ser controlada e segura.

O médico orienta que a exposição deve ser curta e restrita aos horários de menor incidência de raios UV, antes das 10h ou após as 16h. “De 10 a 15 minutos de sol em braços e pernas por semana costumam ser suficientes. Mesmo nesses períodos, áreas mais sensíveis, como o rosto, devem sempre permanecer protegidas”, ressalta o dermatologista.

A forma mais segura de manter níveis adequados de vitamina D, segundo o especialista, é por meio da suplementação, sempre com prescrição médica. As doses mais comuns variam entre 1.000 e 2.000 UI por dia. A alimentação atua como um reforço complementar, com fontes como peixes gordurosos, ovos, fígado, cogumelos expostos à luz UV e alimentos fortificados.

Detecção Precoce: O que observar para evitar o agravamento

A identificação de lesões em estágios iniciais é o fator decisivo para o sucesso do tratamento e a elevação das chances de cura do câncer de pele. Por isso, o autoexame regular é um hábito que salva vidas.

É fundamental estar atento a qualquer alteração em pintas que apresente as seguintes características (a regra do “ABCDE”):

  • Assimetria
  • Bordas irregulares
  • Cor variada
  • Diâmetro maior que 6 mm
  • Evolução (mudanças de tamanho, forma ou cor ao longo do tempo).

Além disso, é preciso buscar avaliação médica imediata caso surjam feridas que não cicatrizam, inflamações ou sangramentos na pele. “Ao notar qualquer alteração, o ideal é procurar rapidamente um dermatologista, preferencialmente membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)”, reforça Dr. Theodoro.

A exposição solar feita de maneira inadequada traz consequências sérias que vão além do risco da prevenção do câncer de pele e incluem: envelhecimento precoce, o surgimento de manchas, a piora do melasma e o aparecimento de ceratoses actínicas, que são lesões precursoras do câncer.

Mitos e verdades sobre sol e cuidado

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O combate à desinformação é chave para a proteção eficaz. É importante desmistificar alguns conceitos populares:

  • Bronzeado não protege a pele: Trata-se, na verdade, de um sinal de agressão e dano celular já ocorrido.
  • Dias nublados também exigem proteção: Até 80% da radiação ultravioleta consegue atravessar as nuvens.
  • No inverno também há riscos: Apesar da menor intensidade, os raios UV continuam presentes e causam danos cumulativos ao longo do tempo.
  • Pele negra não é imune: Embora o risco seja menor devido à maior concentração de melanina, a proteção é necessária e o autoexame deve ser rotina, pois o diagnóstico pode ocorrer em estágios mais avançados.

Com informação de qualidade, prevenção e acompanhamento profissional, é totalmente possível desfrutar do verão com segurança e garantir a prevenção do câncer de pele, mantendo a pele saudável e a vitamina D em níveis adequados.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 10/12/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo