Mulheres e negros ganham menos em cargos de liderança

Estudo do IBGE revela abismo na renda média por raça e gênero, afetando inclusive cargos de gestão.

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Apesar dos avanços na renda média do trabalhador brasileiro observados em 2024, a desigualdade salarial permanece como uma barreira estrutural no país. A conclusão faz parte do estudo “Síntese de Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira 2025“, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Os dados expõem um cenário onde gênero e raça ainda determinam o teto de remuneração.

De acordo com o levantamento, trabalhadores brancos receberam, em média, 65,9% a mais do que profissionais pretos ou pardos em 2024. O abismo se acentua quando analisamos o nível de escolaridade. Entre os profissionais com ensino superior completo, o valor da hora de trabalho reflete essa disparidade: brancos ganham R$ 43,20 por hora, enquanto pretos e pardos recebem apenas R$ 29,90 — uma diferença de 44,6%.

Disparidade de gênero e nível superior

A desigualdade salarial entre homens e mulheres também apresenta índices preocupantes. Em termos gerais, o rendimento médio por hora dos homens foi de R$ 20,40, superando em 14,5% o das mulheres, que ficou em R$ 17,80.

O cenário torna-se mais crítico entre os profissionais graduados. Nesse grupo, a vantagem masculina salta para 45,3%, evidenciando que a qualificação educacional, isoladamente, não é suficiente para eliminar o fosso de rendimentos entre os gêneros.

Diferenças em cargos de direção e gerência

O estudo do IBGE destaca que a desigualdade salarial é visível até mesmo no topo da pirâmide corporativa. Nos cargos de diretores e gerentes, a remuneração média expõe as seguintes discrepâncias:

  • Por raça: Trabalhadores brancos recebem R$ 9.831, enquanto pretos ou pardos ganham R$ 6.446. A diferença absoluta chega a R$ 3.385.
  • Por gênero: Homens em cargos de chefia têm rendimento médio de R$ 10.073, contra R$ 6.776 das mulheres nas mesmas posições.

No grupo de profissionais das ciências e intelectuais, a lógica de exclusão se mantém. Brancos recebem R$ 7.412 contra R$ 5.192 de pretos e pardos. No recorte de gênero para estas funções, homens ganham R$ 8.291 e mulheres, R$ 5.378.

Segregação no mercado de trabalho

A composição da força de trabalho ajuda a explicar a persistência da desigualdade salarial. O setor de serviços e vendas no comércio concentra a maioria da força de trabalho feminina, somando 13,1 milhões de mulheres (29,8% do total). Já entre os homens, 19,9% (cerca de 11,4 milhões) atuam como trabalhadores qualificados, operários da construção civil e áreas afins.

A análise racial da ocupação reforça o desequilíbrio. Enquanto 17,7% dos trabalhadores brancos ocupam cargos nas ciências e intelectuais, apenas 8,6% dos pretos ou pardos estão nessas funções. Inversamente, nas ocupações elementares, a presença de pretos e pardos é quase o dobro (20,3%) em comparação aos brancos (10,9%), perpetuando o ciclo da desigualdade salarial no Brasil.

Esses dados reforçam a necessidade de políticas públicas e corporativas mais assertivas para combater a desigualdade salarial e promover a equidade real no ambiente profissional.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 03/12/2025
  • Fonte: Fever