Desemprego no Brasil atinge menor taxa histórica: 6,1% em novembro
Mercado de trabalho se recupera com 103,9 milhões de empregados
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 27/12/2024
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A taxa de desocupação no Brasil caiu para 6,1% no trimestre encerrado em novembro, marcando uma redução de 0,5 ponto percentual em relação ao período anterior. Essa informação foi divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e representa a menor taxa desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), que teve início no primeiro trimestre de 2012. Comparativamente, a taxa foi de 6,6% entre junho e agosto e apresentou uma diminuição significativa de 1,4 pontos percentuais em relação ao mesmo trimestre do ano passado, quando a taxa estava em 7,5%.
Com essa nova taxa, cerca de 6,8 milhões de brasileiros estão à procura de trabalho, número que corresponde ao menor volume desde dezembro de 2014. Durante o último trimestre, aproximadamente 510 mil indivíduos deixaram o desemprego. Em comparação com o mesmo período de 2023, mais de 1,4 milhão de pessoas saíram da condição de desocupados.
A pesquisa também revelou que a atual taxa de desocupação está 8,8 pontos percentuais abaixo do recorde histórico da PNAD Contínua, que foi de 14,9%, registrado no trimestre que terminou em setembro de 2020. O número total de desocupados é agora 55,6% inferior ao recorde anterior de 15,3 milhões verificado no primeiro trimestre de 2021, ambos os casos relacionados ao impacto da pandemia da covid-19.
Ocupação
No que diz respeito ao emprego, o Brasil alcançou um novo marco com a soma total de trabalhadores ocupados atingindo a marca de 103,9 milhões. Esse número representa um aumento significativo em comparação com o ponto mais baixo registrado na série histórica, onde apenas 82,6 milhões estavam empregados no trimestre encerrado em agosto de 2020. Desde então, houve um crescimento expressivo de 25,8%, resultando na inclusão de mais 21,3 milhões de trabalhadores no mercado.
Além disso, o Brasil também registrou um novo recorde no número de empregados no setor privado, que chegou a 53,5 milhões. O contingente de trabalhadores com carteira assinada também se destacou ao alcançar 39,1 milhões. No setor público, foram contabilizados 12,8 milhões de profissionais.
Conforme informações do IBGE, o nível geral de ocupação—proporção da população acima dos 14 anos que está ativa no mercado—também atingiu um novo patamar recorde, com índice registrado em 58,8%.
A coordenadora das Pesquisas Domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, destacou que “o ano de 2024 parece promissor para o mercado laboral brasileiro, com expectativa de crescimento significativo nas contratações formais e informais”.
Outro dado relevante obtido pela pesquisa foi referente ao número de empregados sem carteira assinada; esse grupo não apresentou mudanças significativas e permanece em torno de 14,4 milhões. Em contrapartida, o total de trabalhadores autônomos teve um aumento modesto de 1,8%, alcançando a cifra estável de aproximadamente 25,9 milhões.
Informalidade
A taxa geral de informalidade na força laboral é estimada em 38,7%, correspondendo a cerca de 40,3 milhões de trabalhadores. O IBGE informou que esse índice é ligeiramente inferior ao verificado no trimestre anterior (38,8%) e também abaixo do índice registrado no mesmo período do ano passado (39,2%).
Desempenho Setorial
A elevação no número total de ocupações foi impulsionada por quatro dos dez segmentos econômicos analisados pela pesquisa. A Indústria teve um aumento na ocupação da ordem de 2,4%, ou seja, mais 309 mil postos; a Construção civil cresceu em 3,6%, resultando na geração adicional de 269 mil empregos; o setor público avançou com uma alta de 1,2%, somando mais 215 mil trabalhadores; enquanto os Serviços Domésticos também mostraram crescimento expressivo com um aumento equivalente a 3%, representando mais 174 mil novas contratações. Juntas essas atividades geraram aproximadamente 967 mil novas posições nesse último trimestre.
Beringuy esclareceu que “a diversificação das atividades econômicas tem possibilitado uma demanda tanto por trabalhadores em funções básicas quanto por profissionais qualificados em setores mais especializados”, contribuindo assim para a ampliação do nível geral da ocupação da população economicamente ativa.
Ao se considerar o desempenho em relação ao mesmo período do ano anterior (2023), as áreas que apresentaram crescimento significativo foram: Indústria Geral (crescimento de 3,6% ou mais 466 mil postos), Construção (aumento de 6% ou mais 440 mil postos), Comércio e Reparação (crescimento também em torno dos mesmos números), além do Transporte e Armazenagem (crescendo em torno dos mesmos números), Informação e Comunicação (com incremento semelhante), Administração Pública (que registrou crescimento considerável) e Outros Serviços (também com elevações expressivas).
Coletivamente estas sete atividades econômicas adicionaram aproximadamente 3,5 milhões novos empregos quando comparadas ao mesmo período do ano anterior.
Entretanto, o segmento Agrícola sofreu uma redução significativa na força laboral com uma queda estimada em torno de -4.4% ou menos -358 mil trabalhadores neste mesmo intervalo.
Rendimento
No campo da renda laboral habitual real registrou-se um valor médio mensal fixado em R$3.285. Este indicador se manteve estável no trimestre recente mas observou um aumento anualizado na ordem dos 3.4%. A massa total dos rendimentos reais habitual atingiu um novo marco ao chegar a R$332.7 bilhões; um crescimento equivalente a uma alta trimestral registrada em torno dos R$7.1 bilhões e anualmente representando R$22.5 bilhões adicionais.
Dentre as análises setoriais realizadas para este trimestre destaca-se o segmento Transporte e Armazenagem que viu seu rendimento médio crescer significativamente em torno dos -4.7% ou R$141; enquanto os demais segmentos não demonstraram variações significativas.
Ao longo do ano comparativo três setores demonstraram aumentos nos rendimentos: Comércio e Reparação (crescimento estimado em -3.9% ou R$102); Transporte e Armazenagem (crescendo -7.8% ou R$229); Serviços Domésticos (aumentando -3.6% ou R$43) enquanto os demais grupos mantiveram estabilidade nos seus rendimentos médios.
PESQUISA NACIONAL POR AMOSTRA DE DOMICÍLIOS CONTÍNUA
A PNAD Contínua é considerada pelo IBGE como a principal pesquisa relacionada à força laboral brasileira. Sua amostra abrange cerca de 211 mil lares distribuídos por aproximadamente três mil quinhentos municípios visitados trimestralmente por cerca dois mil entrevistadores que fazem parte das mais cinco centenas agências do IBGE operantes no território nacional.
“Em decorrência das exigências impostas pela pandemia da covid-19 o IBGE introduziu métodos para coleta das informações via telefone a partir do dia dezessete março dois mil e vinte; retornando ao método presencial somente em julho dois mil e vinte e um”, detalhou o IBGE.