Desemprego atinge 5,4% no Brasil e marca menor nível histórico para janeiro
O índice recuou 1,1 ponto em um ano. Mercado de trabalho brasileiro ganha força com aumento da renda real e expansão de vagas formais.
- Publicado: 05/03/2026
- Alterado: 05/03/2026
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: IBGE
O desemprego no Brasil encerrou o trimestre até janeiro de 2026 com uma taxa de 5,4%. O resultado aponta estabilidade em relação ao período terminado em outubro do ano anterior.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) do IBGE, essa é a menor marca da série estatística para meses de janeiro. Houve uma redução expressiva de 1,1 ponto percentual frente aos 6,5% registrados no mesmo período de 2025.
Desemprego em queda histórica

A dinâmica do mercado de trabalho costuma apresentar instabilidade no início do ano. A coordenadora de pesquisas domiciliares do órgão, Adriana Beringuy, destaca que a melhora anual é o dado mais relevante.
“Em geral, na virada do ano é comum haver aumento da desocupação, que costuma aparecer ao longo do primeiro trimestre. Mas esse resultado ainda reflete o efeito de novembro e dezembro, que costumam ter indicadores mais favoráveis no mercado de trabalho”
O contingente de pessoas sem trabalho recuou para 5,9 milhões. Isso representa uma queda de 17,1% no comparativo anual, significando 1,2 milhão de cidadãos a menos buscando recolocação.
Raio-X do mercado e nível de ocupação

O número de brasileiros trabalhando bateu o recorde de 102,7 milhões. O avanço reflete a entrada de 1,7 milhão de profissionais na economia formal e informal em doze meses.
O nível de ocupação nacional alcançou 58,7%. Veja os indicadores complementares da pesquisa:
- Taxa de subutilização: 13,8%
- População fora da força: 66,3 milhões
- Subocupados por insuficiência de horas: 4,5 milhões
- Pessoas desalentadas: 2,7 milhões
A taxa de desalento caiu para 2,4%. O indicador abrange indivíduos que haviam desistido de buscar oportunidades de sair do desemprego, mas que começam a observar um cenário econômico mais receptivo.
Formalidade e a evolução da renda

A estrutura de contratações apresentou consolidação de carteiras assinadas. O grupo de empregados no setor privado formal alcançou 39,4 milhões, criando cerca de 800 mil novas vagas em um ano.
A informalidade abrange 38,5 milhões de cidadãos, o que representa 37,5% da força produtiva atual. A divisão dos demais vínculos empregatícios ficou configurada da seguinte forma:
- Trabalhadores por conta própria: 26,2 milhões (alta anual de 3,7%)
- Empregados sem carteira (privado): 13,4 milhões
- Trabalhadores domésticos: 5,5 milhões (queda anual de 4,5%)
A recuperação do poder de compra acompanha diretamente a queda do desemprego no território nacional. O rendimento real habitual saltou para R$ 3.652, uma alta anual de 5,4%. A massa salarial movimentou R$ 370,3 bilhões, injetando força no consumo interno.
Movimentações por setores da economia
A força de trabalho total somou 108,5 milhões de pessoas. O desempenho das contratações variou significativamente dependendo da atividade econômica principal.
No balanço trimestral, o setor de informação, comunicação e finanças expandiu 2,8%, somando 365 mil posições. O segmento de outros serviços cresceu 3,5%. Em contrapartida, a indústria geral encolheu 2,3%, perdendo 305 mil postos.
No horizonte de doze meses, o eixo de administração pública, saúde e educação liderou a geração de vagas, agregando 1,1 milhão de novos profissionais. Os dados consolidados confirmam que o desemprego perde força estrutural diante da expansão sustentada do setor de serviços.