Problemas auditivos afetam o desempenho escolar
Com a volta às aulas, especialistas fazem alerta aos pais e educadores para que fiquem atentos aos sinais de perda auditiva na infância
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 04/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Uma criança pode tirar notas baixas, ter dificuldade para ler e escrever ou ser considerada “desatenta” simplesmente porque não escuta bem. A perda auditiva, mesmo que leve, pode comprometer o rendimento escolar e muitos pais e professores podem não relacionar esses sinais com a saúde auditiva.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 34 milhões de crianças no mundo vivem com perda auditiva incapacitante, ou seja, com limitação auditiva superior a 30 decibéis. No Brasil, estimativas do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia apontam que, de cada mil crianças nascidas no Brasil, de três a cinco já nascem com deficiência auditiva.
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As principais causas da perda auditiva incluem fatores genéticos, algumas doenças infecciosas, uso de medicamentos ototóxicos, exposição a ruídos intensos e o envelhecimento. No entanto, de acordo com a OMS, 60% dos casos de perda auditiva infantil são evitáveis e 1,1 bilhão de jovens entre 12 e 35 anos estão em risco, devido à exposição prolongada a sons altos em fones de ouvido, shows e outros ambientes recreativos.
A fonoaudióloga e especialista em reabilitação auditiva, Dra. Vanessa Gardini, explica que a perda auditiva não diagnosticada é uma causa muito comum para o atraso do desenvolvimento cognitivo infantil. “Muitas crianças são encaminhadas para acompanhamento pedagógico, psicológico ou neurológico, quando, na verdade, o problema está na audição. Uma avaliação auditiva simples pode mudar completamente a trajetória escolar de um aluno”, afirma a especialista, da clínica Pró-Ouvir Aparelhos Auditivos, de Sorocaba (SP).
Fones de ouvido: um risco à audição infantil
O uso precoce e prolongado de fones de ouvido é um fator de risco crescente para perdas auditivas na infância, segundo a própria OMS. “As crianças passam horas conectadas a tablets e celulares com fones no ouvido, muitas vezes em volume inadequado. O som direto e constante próximo ao tímpano pode causar lesões cumulativas e irreversíveis”, alerta a especialista.
Segundo Dra. Vanessa Gardini, o ideal é que os pais limitem o tempo de uso e sempre supervisionem o volume. “Existem fones com limitador de som, mas a supervisão é indispensável. O que parece inofensivo pode trazer consequências graves para o aprendizado e o desenvolvimento da linguagem”, adverte.
Quando desconfiar de um problema auditivo?
Alguns sinais de alerta que merecem atenção, segundo a especialista:
- A criança demora a responder quando é chamada;
- Fala alto ou aumenta muito o volume da TV;
- Pede para repetir informações com frequência;
- Tem dificuldades na alfabetização ou para seguir instruções simples;
- Apresenta atrasos na fala ou na leitura.
Volta às aulas: atenção com a audição
Com o retorno às aulas, é fundamental que pais e professores fiquem atentos a eventuais sinais de dificuldade auditiva. “Este é o momento ideal para observar o desempenho da criança em sala, sua interação com os colegas e a capacidade de compreender instruções. Se houver qualquer suspeita, a avaliação auditiva deve ser realizada, o quanto antes”, orienta a fonoaudióloga Vanessa Gardini.
O tratamento, entretanto, não termina com o uso do aparelho auditivo, se essa for a opção indicada, acrescenta a especialista. Após a realização de uma série de exames específicos para diagnóstico – como a audiometria tonal e vocal, a imitanciometria e testes de triagem auditiva –, a reabilitação auditiva avança para esta etapa fundamental, que é quando a criança é ensinada a decodificar os sons de forma eficiente.
“Se a criança for diagnosticada com perda auditiva, ela vai precisar usar um aparelho, ou implante coclear, dependendo do caso. Às vezes, a terapia fonoaudiológica também é indicada, com o trabalho de treinar o cérebro para entender o que os ouvidos voltaram a captar. Só assim, garantimos que o paciente compreenda os sons ao seu redor, melhore a comunicação e volte a se comunicar plenamente”, completa.
Para ter mais informações sobre o tratamento da perda auditiva e receber instruções de profissionais da área, acesse o site da Pró-Ouvir Aparelhos Auditivos (proouvir.com.br), siga as redes sociais (@proouvir) ou entre em contato pelo WhatsApp: (15) 3231-6776.