Descubra como hobbies transformam a saúde mental

Relaxamento e satisfação em meio à pressão do trabalho. Reconecte-se com você mesmo.

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A pressão do ambiente de trabalho frequentemente se traduz em um desgaste significativo das energias pessoais. Apesar das facilidades modernas, como o trabalho remoto e o uso de aplicativos de entrega, muitos se sentem sobrecarregados e sem tempo para atividades que realmente importam. No entanto, uma crescente parcela da população tem adotado novas perspectivas, reestruturando suas rotinas diárias por meio de hobbies que promovem relaxamento e satisfação pessoal.

Os hobbies são definidos como atividades realizadas por prazer, desprovidas da pressão por resultados ou necessidade de planejamento. Segundo Rodrigo Huguet, psiquiatra da Rede Mater Dei de Saúde, “é algo que a pessoa faz porque gosta, não por obrigação, nem por ser produtivo. É uma busca por prazer e satisfação pessoal”.

Uma rotina dominada exclusivamente pelo trabalho pode resultar em estresse elevado e ansiedade crônica. Marco Aurélio Maywald, 27 anos, encontrou seu refúgio na fotografia. O interesse pela arte fotográfica surgiu durante uma visita a uma exposição de fotos em preto e branco no Sesc. Anteriormente, sem condições financeiras para adquirir uma câmera digital, ele passou anos alimentando esse desejo.

Recentemente, ao descobrir uma câmera analógica acessível em uma feira de antiguidades, começou a explorar essa nova paixão. O processo envolveu a busca por filmes fotográficos, a captura de imagens e a expectativa pelo desenvolvimento das fotos, um rito que requer atenção e paciência. Para Marco Aurélio, a fotografia oferece um contraste saudável à sua rotina como advogado, onde lida com questões urgentes relacionadas a investigações de corrupção. “No meu trabalho, tudo é urgente; fotografar me permite pausar a realidade naquele instante”, destaca.

A descoberta da fotografia também o levou a explorar outras formas artísticas como pintura e teatro. “Descobri um lado artístico em mim que eu não conhecia”, afirma ele.

É um equívoco pensar que um hobby precisa ser produtivo ou útil. O essencial é dedicar tempo para si mesmo sem as obrigações habituais da vida cotidiana. A psicóloga Débora Genezini, coordenadora dos ambulatórios da Oncologia D’Or em São Paulo, ressalta que atividades prazerosas contrastam com os valores contemporâneos que associam ocupações constantes a competência e sucesso. “Todo excesso, seja por falta ou excesso de atividades, é prejudicial à saúde mental”, acrescenta.

Essa abordagem muitas vezes resulta em problemas como ansiedade e insônia. Áurea Amaral, 50 anos, vivenciou isso em sua carreira corporativa repleta de pressão por resultados. Após uma experiência transformadora com leitura de tarot há dois anos, decidiu aprender sobre o assunto e hoje realiza leituras para si mesma e para amigos próximos. “As mulheres enfrentam uma carga adicional em relação ao trabalho; precisamos de válvulas de escape”, afirma Áurea.

Diversos estudos corroboram a ideia de que hobbies são cruciais para manter o equilíbrio da saúde mental frente à intensa vida profissional. Um artigo no Internacional Journal of Environmental Research and Public Health evidenciou que indivíduos que trabalham longas horas semanais e têm hobbies apresentam benefícios significativos na saúde mental em comparação àqueles sem essas práticas.

Outro estudo publicado na Nature Medicine analisou dados de cinco pesquisas envolvendo cerca de 93 mil pessoas acima dos 65 anos e revelou que aqueles engajados em atividades recreativas apresentavam menos sintomas depressivos e maior satisfação com a vida.

José Carlos Guerra, 37 anos, encontrou na dança uma fonte revitalizadora de energia. Iniciando aulas de jazzfunk recentemente, ele considera essa prática como uma maneira eficaz de sair da zona de conforto e aprender algo novo: “Eu me reenergizo”.

Trabalhando com dados em uma empresa do setor educacional, José percebeu que focar exclusivamente no trabalho poderia comprometer sua qualidade de vida: “Quando o trabalho vai bem, você se sente o super-homem; quando não vai tão bem assim, você pode se sentir muito abatido”, explica.

Andreza Faria, 29 anos, encontra leveza ao colorir livros após longos plantões hospitalares. Sempre envolvida com atividades relacionadas a telas como videogames, ela percebeu que lhe faltava um hobby mais tangível fora do ambiente digital. Em 2023, iniciou sua jornada com lápis coloridos e posteriormente passou a usar marcadores influenciada pelas redes sociais. “Após dias cansativos de trabalho duro, esse momento me permite relaxar e esquecer as tensões do dia”, relata Andreza.

Essas práticas não apenas ajudam na descontração como também proporcionam uma reconexão com o lado infantil que todos possuem. A psicóloga Genezini conclui: “A vida acelerada e tecnológica nos afasta da nossa essência primária; reconectar-se com essa parte interna é fundamental para o bem-estar”.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 01/01/2025
  • Fonte: Fever