Desafios da inclusão de estudantes autistas no ensino superior

A inclusão de estudantes autistas no ensino superior brasileiro ainda precisa de avanços significativos para uma educação verdadeiramente acessível

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Apesar da ampliação do acesso ao ensino superior no Brasil, a inclusão de estudantes autistas nas universidades ainda enfrenta desafios significativos. O ambiente acadêmico, que demanda habilidades sociais, organização e capacidade de adaptação, pode ser um cenário complicado para aqueles que estão no espectro autista. Contudo, com as adaptações apropriadas e suporte direcionado, a experiência universitária pode se transformar em uma jornada enriquecedora.

O contexto universitário é muitas vezes marcado por dificuldades que não são imediatamente visíveis. Os alunos autistas frequentemente lidam com uma série de barreiras, como o excesso de estímulos sensoriais, interações sociais complexas e a falta de preparo dos docentes para atender suas necessidades específicas. Um estudo realizado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) destacou que essas questões podem contribuir para um sentimento de inadequação e sobrecarga, afetando o desempenho acadêmico.

Conforme dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) em 2022, embora a legislação brasileira promova a educação inclusiva, muitas instituições ainda não implementam as adaptações necessárias para criar um ambiente verdadeiramente acolhedor. A ausência de formação adequada para os educadores e a falta de suporte individualizado continuam sendo entraves significativos para a inclusão efetiva.

Para promover um ambiente mais inclusivo, é essencial que as universidades adotem práticas que favoreçam a acessibilidade e a adaptação curricular. Medidas como programas de mentoria especializada e grupos de apoio voltados para neurodivergentes têm mostrado resultados positivos na trajetória acadêmica de estudantes autistas. Essas iniciativas podem proporcionar um suporte crucial, contribuindo para o bem-estar e o sucesso escolar.

A busca por soluções concretas e efetivas para garantir uma inclusão plena no ensino superior é uma responsabilidade compartilhada entre as instituições educacionais e a sociedade. Somente por meio do reconhecimento das necessidades específicas dos alunos autistas e da implementação de políticas inclusivas será possível transformar o cenário atual.

*Silvia Neri Marinho é terapeuta ocupacional especializada em análise do comportamento aplicada e co-fundadora da Clínica Formare CREFITO 3 14036-TO.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 02/04/2025
  • Fonte: FERVER