Especialistas revelam os desafios da cobertura jornalística na COP30

Ação preparatória para a COP30 destaca que apuração em rede, planejamento e combate à desinformação serão cruciais para a imprensa

Crédito: Floresta Amazônica (foto: divulgação)

A poucos dias da COP30, a Conferência das Partes, que colocará Belém (PA) no centro do debate climático global, a preparação da imprensa brasileira e latino-americana se torna uma pauta urgente. Um estudo recente, realizado pela agência Latam Intersect com quase 200 jornalistas da região, acendeu um alerta: apenas um terço dos profissionais brasileiros cobre com frequência temas ligados à mudança climática, apesar da grande maioria considerar o assunto relevante.

Para diminuir essa lacuna e capacitar comunicadores, foi realizado o “Guia básico de cobertura jornalística para a COP30”, um evento virtual que reuniu três experientes jornalistas do setor. Cristiane Prizibisczki, que cobre as COPs desde 2009; Stefano Wrobleski, diretor da InfoAmazonia; e Kelly Lima, especialista em energia diretamente de Belém, compartilharam lições práticas sobre os desafios e as oportunidades que o maior evento climático do planeta trará para o Brasil.

Um desafio de proporções amazônicas

Floresta Amazônica (foto: divulgação)

Falando do “coração da Amazônia”, a jornalista Kelly Lima ressaltou o caráter histórico e a enorme responsabilidade que a COP30 impõe à imprensa local e nacional. Para ela, o evento não deve ser visto como um acontecimento isolado, mas como um processo contínuo que demanda uma cobertura aprofundada e contextualizada.

“A COP30 não é apenas um evento, é um processo”, afirmou Lima. “Uma pesquisa recente mostrou que 71% dos brasileiros ainda não sabem o que é a COP30; isso evidencia o tamanho do desafio. É nosso dever, como comunicadores, ajudar a preencher essas lacunas e fortalecer o protagonismo do Brasil nas discussões climáticas, saindo da visão restrita da pauta ambiental”.

A especialista defende que a cobertura deve ir além do ambientalismo clássico, conectando o clima com editorias de economia, energia, política e direitos humanos.

A força da colaboração e do planejamento para a COP30

Diante da magnitude do evento, o trabalho individualizado se mostra insuficiente. Stefano Wrobleski, com vasta experiência na liderança de redes de jornalismo socioambiental, foi enfático ao defender a união dos profissionais.

Na InfoAmazonia, aprendemos que a cobertura que dá certo é a feita em rede“, destacou Wrobleski. Para ele, é fundamental que os jornalistas atuem de forma colaborativa, trocando informações e somando perspectivas, especialmente por se tratar da primeira COP realizada na Amazônia e em um país democrático.

Esse planejamento é crucial para não se perder na avalanche de pautas que surgirão, como alertou Cristiane Prizibisczki. A conferência, segundo ela, condensa anos de discussões complexas. Para uma cobertura eficiente, o jornalista precisa se preparar e ter foco. Entre os temas concretos que merecem atenção, ela cita:

  • As metas climáticas de cada país (NDCs).
  • O financiamento global de US$1,3 trilhão previsto no roteiro “Baku-Belém”
  • O lançamento do fundo Florestas Tropicais para Sempre.
  • O debate sobre o fim dos combustíveis fósseis.

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O antídoto contra a desinformação climática

COP30
Belém (PA), sede da COP30, lança um desafio inédito para o jornalismo: traduzir a complexidade das negociações climáticas diretamente do coração da Amazônia

Em um cenário de forte polarização e avanço de discursos negacionistas, a checagem de fatos se torna uma arma indispensável. Cristiane Prizibisczki alertou que a desinformação climática evoluiu: hoje, ela se manifesta por meio de mensagens vagas e estratégias de greenwashing, que visam mascarar a falta de ações concretas.

Ferramentas como Fakebook.eco, o Observatório do Clima e o ClimaInfo ajudam jornalistas a investigar e desmentir conteúdos enganosos“, recomendou, reforçando que o rigor na verificação fortalece a credibilidade do jornalismo.

Stefano Wrobleski complementou, afirmando que o papel do jornalista é questionar dados e promessas ambientais, antecipando distorções e contextualizando os fatos. Kelly Lima, por sua vez, apontou uma dupla dimensão no combate à desinformação: a estrutural, que exige transparência e regulação das plataformas digitais, e a humana, que depende do preparo ético e intelectual dos próprios jornalistas.

A COP30 representa um marco histórico para o Brasil e para o jornalismo ambiental“, concluiu Prizibisczki. “É um momento de grande responsabilidade, não só de informar, mas de traduzir para a sociedade o que realmente está em jogo nas negociações climáticas”.

ABCdoABC fará cobertura especial da COP30

Com um time de jornalistas capacitados, o portal ABCdoABC publicará conteúdo multiplataforma sobre os assuntos importantes discutidos durante a COP30. Serão matérias especiais, reels para as redes sociais e um quadro especial no ABC Cast, o podcast de notícias que diariamente é publicado pelo ABCdoABC. Tudo para que o leitor possa se manter bem informado sobre os melhores momentos da Conferência das Partes de Belém.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 15/10/2025
  • Fonte: Teatro Liberdade