Desafio da internet: menina de 8 anos morre após inalar desodorante
A morte cerebral foi confirmada no dia 10 de abril, e o óbito oficializado três dias depois, após exames conclusivos.
- Publicado: 05/02/2026
- Alterado: 13/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sesc Santo André
No último domingo (13), foi registrada no Distrito Federal a morte de Sarah Raissa Pereira de Castro, de 8 anos. A menina foi vítima de um desafio viral que circula nas redes sociais, especialmente entre crianças e adolescentes, e que envolve a inalação de desodorante em spray.
O caso reacendeu o alerta sobre os perigos do uso inconsciente das plataformas digitais.
Sarah foi internada no Hospital Regional de Ceilândia (HRC) após sofrer uma parada cardiorrespiratória provocada pela prática perigosa. Mesmo após quase uma hora de tentativas de reanimação, a jovem não resistiu.
A morte cerebral foi confirmada no dia 10 de abril, e o óbito oficializado três dias depois, após exames conclusivos.
Polícia investiga origem do desafio e responsabilização
A 15ª Delegacia de Polícia Civil do Distrito Federal abriu um inquérito para investigar as circunstâncias que levaram à morte de Sarah.
O objetivo é identificar possíveis responsáveis pela disseminação do chamado “desafio do desodorante”, prática que envolve inalar o produto pelo maior tempo possível para gerar sensações de euforia ou desmaio, comportamento extremamente perigoso e potencialmente letal.
Segundo o delegado Ataliba Neto, responsável pela investigação, as autoridades estão analisando o conteúdo que circula nas redes sociais, principalmente no TikTok, onde esses vídeos costumam se espalhar com rapidez.
Dependendo das provas reunidas, os responsáveis pelas postagens podem ser indiciados por homicídio duplamente qualificado, já que a prática representa risco à saúde pública e foi dirigida a um menor de 14 anos.
Família faz alerta público após perda irreparável
A dor dos familiares de Sarah transformou-se em um apelo à sociedade. Abalados pela tragédia, parentes da menina utilizaram as redes sociais para alertar outras famílias sobre os perigos desses desafios online.
Eles pedem mais vigilância por parte dos responsáveis e maior regulação por parte das plataformas digitais.
O caso de Sarah, infelizmente, não é isolado. A morte da menina evidenciou um problema crescente e ainda pouco discutido: o fácil acesso de crianças a conteúdos perigosos nas redes sociais.
A família deseja que a história da menina sirva como ponto de partida para um debate mais amplo sobre segurança digital e educação midiática.
Outro caso semelhante reforça alerta nacional
Em março deste ano, um episódio semelhante ocorreu em Pernambuco. Brenda Sophia Melo de Santana, de 11 anos, morreu na cidade de Bom Jardim, no Agreste do estado, também após inalar desodorante aerosol em um desafio online. Assim como Sarah, a menina foi vítima da curiosidade e da influência exercida por tendências virais perigosas.
Esses episódios expõem um padrão alarmante: crianças e adolescentes estão sendo expostos a conteúdos nocivos, muitas vezes sem o conhecimento de seus responsáveis.
A repetição de casos fatais exige medidas preventivas urgentes, como campanhas educativas e políticas públicas que protejam os mais vulneráveis no ambiente digital.
Especialistas alertam sobre os riscos dos desafios virais
Especialistas em saúde e segurança digital têm reforçado os alertas sobre os perigos dos chamados “desafios virais”. Segundo médicos, a inalação de aerossóis pode causar graves danos ao sistema respiratório, além de comprometer o funcionamento do coração e do cérebro, especialmente em crianças com corpos mais frágeis e organismos ainda em desenvolvimento.
Já profissionais da área de psicologia e educação digital ressaltam a influência que esses conteúdos exercem sobre jovens em fase de formação. A busca por aceitação nas redes e o desejo de se destacar entre os pares são fatores que tornam crianças especialmente suscetíveis a esse tipo de comportamento de risco.
A recomendação é de que pais e educadores estejam sempre atentos ao conteúdo acessado por menores e promovam conversas constantes sobre o uso responsável da internet.