Deputados rejeitam fim da escala 6x1: 70% são contra mudanças na jornada de trabalho

Apenas 27% avaliam positivamente o governo Lula, revela pesquisa da Quaest

Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil

Na última sessão plenária, os deputados federais demonstraram suas opiniões sobre a proposta que visa alterar a jornada de trabalho no Brasil, com uma significativa maioria se posicionando contra a extinção da escala 6×1. Uma pesquisa realizada pela Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2), revelou que 70% dos parlamentares são contrários à medida.

A proposta, apresentada em fevereiro pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), tem como objetivo a redução da carga máxima de trabalho para 36 horas semanais, distribuídas em quatro dias. A intenção é eliminar a possibilidade de escalas que operam seis dias seguidos com um dia de descanso.

A rejeição à proposta é ainda mais acentuada entre os parlamentares que se identificam como oposição ao governo, com 92% deles desaprovando a mudança. Entre os independentes, o percentual é de 74%, enquanto entre os governistas, 55% se opõem à ideia. Por outro lado, entre aqueles que apoiam o fim da escala 6×1, 44% são da base governista, 23% se declaram independentes e apenas 6% pertencem à oposição.

O estudo encomendado pela Genial Investimentos foi realizado entre os dias 7 de maio e 30 de junho de 2025 e entrevistou 203 deputados, representando 40% do total da Câmara. A amostra foi composta considerando a geografia e a orientação ideológica dos partidos.

Dentre as pautas que receberam maior apoio dos parlamentares estão:

  • Elevação da faixa de isenção do Imposto de Renda (88% a favor);
  • Exploração do petróleo na Amazônia (83% a favor);
  • Aumento das penas para roubos (76% a favor).

Em contrapartida, as propostas que enfrentaram maior resistência incluem:

  • Exclusão das verbas do Judiciário do limite de gastos (70% contra);
  • Fim da escala 6×1 (70% contra);
  • PL que visa restringir os supersalários (53% contra).

O levantamento também revelou que metade dos deputados é contrária à proposta que limita os supersalários no serviço público, com 53% se posicionando contra. Atualmente, existe um teto salarial de R$ 46.366, mas muitos servidores recebem valores superiores.

Em relação à avaliação do governo Lula (PT), o estudo mostra um descontentamento crescente: 46% dos deputados avaliam negativamente a gestão, marcando o índice mais baixo desde o início do mandato em 2023. Somente 27% expressam uma avaliação positiva, enquanto 24% consideram o desempenho regular.

A insatisfação com o governo Lula aumentou substancialmente entre os independentes, onde a avaliação negativa subiu para 44%. Para os deputados governistas, a aprovação permanece alta, com 71% avaliando positivamente. Por outro lado, entre os opositores, a desaprovação é quase unânime: 96% consideram o governo negativo.

No que diz respeito à próxima eleição presidencial em 2026, uma maioria expressiva acredita que Lula tentará a reeleição: 68%. No entanto, apenas 35% veem o presidente como favorito, enquanto metade dos deputados aponta um candidato da oposição como o preferido para vencer.

A pesquisa também destaca preocupações sobre temas prioritários no país: a economia continua sendo vista como o principal desafio (31%), seguida pela violência (23%) e corrupção (16%). Além disso, metade dos deputados acredita que o Supremo Tribunal Federal frequentemente invade as competências do Congresso.

Por fim, em relação ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sua gestão é considerada positiva por 68% dos parlamentares. Apesar das divergências com o governo Lula, ele recebe apoio significativo principalmente dos membros da base governista e dos independentes.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 02/07/2025
  • Fonte: Sorria!,