Deputado Félix Mendonça é alvo da PF por suspeita de desvio de emendas

Polícia Federal cumpre mandados na Bahia e DF contra o deputado, suspeito de liderar desvios de emendas e lavagem de dinheiro.

Crédito: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O deputado federal Félix Mendonça (PDT-BA) tornou-se o alvo central de uma nova ofensiva da Polícia Federal nesta terça-feira (13). Batizada de Operação Overclean, a ação visa desarticular uma organização criminosa suspeita de operar um complexo esquema de desvio de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de capitais.

Agentes federais foram às ruas para cumprir nove mandados de busca e apreensão. A operação conta com o suporte técnico da Controladoria Geral da União (CGU) e da Receita Federal. As ordens partem diretamente do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

As diligências ocorrem simultaneamente em Brasília (DF) e nos municípios baianos de Salvador, Mata de São João e Vera Cruz. Fontes ligadas à investigação confirmaram que os endereços visitados — incluindo residências e escritórios — estão diretamente vinculados ao parlamentar.

O cerco judicial contra Félix Mendonça

Esta não é a primeira vez que o legislador entra na mira das autoridades. A atual mobilização policial representa a nona fase da Overclean, mas Félix Mendonça já havia sido investigado na quarta etapa da operação, deflagrada em junho do ano passado.

Naquela ocasião, a PF cumpriu mandados contra o deputado, um de seus assessores e prefeitos de diversas cidades do interior da Bahia. A gravidade das provas colhidas anteriormente resultou, inclusive, na prisão em flagrante de dois gestores municipais afastados.

A reincidência das ações policiais sugere o aprofundamento das provas contra o grupo político. Até o fechamento desta edição, a assessoria de Félix Mendonça não havia respondido às tentativas de contato da equipe de reportagem para comentar as novas acusações.

Modus operandi e bloqueio de bens

Para garantir o ressarcimento aos cofres públicos, o STF autorizou o bloqueio imediato de R$ 24 milhões em contas de pessoas físicas e jurídicas investigadas. O objetivo é asfixiar financeiramente o núcleo da organização e impedir a ocultação de patrimônio ilícito.

A investigação detalha uma engenharia financeira sofisticada. Recursos públicos, originários de emendas parlamentares indicadas por Félix Mendonça, eram sistematicamente direcionados para licitações viciadas em municípios aliados.

O esquema funcionava através da cooptação de servidores públicos locais. Estes agentes facilitavam a vitória de empresas pré-selecionadas que, ao executarem os serviços, inflacionavam os valores contratuais. O excedente financeiro gerado pelo sobrepreço era então desviado e repartido entre os membros da quadrilha.

Crimes investigados e histórico

Os envolvidos no esquema responderão a uma lista extensa de crimes contra a administração pública e o sistema financeiro. O inquérito aponta indícios robustos de:

  • Organização criminosa;
  • Corrupção ativa e passiva;
  • Peculato (desvio de dinheiro público);
  • Fraude em licitações e contratos;
  • Lavagem de dinheiro.

A Operação Overclean teve seu início em dezembro de 2024. Desde então, a força-tarefa já cumpriu 59 mandados judiciais e efetuou 16 prisões nos estados da Bahia, São Paulo e Goiás. A Polícia Federal segue analisando o material apreendido para dimensionar a participação exata de Félix Mendonça na liderança do esquema.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 13/01/2026
  • Fonte: Secult PMSCS