Depois de 16 anos em favela, dona de casa conquista casa própria

Sara Maria Salazar foi uma das 950 famílias que receberam, no dia 5, o título que regulariza seu apartamento no Conjunto Três Marias. “Me sinto cidadã”, diz Sara

Crédito: Raquel Toth

“Hoje tenho um local que é meu. Posso pedir para fazer entregas na minha casa, pois tenho um endereço.” É dessa forma que a dona de casa Sara Maria Salazar Ferreira define a sensação de ter conseguido um apartamento no Conjunto Habitacional Três Marias. Antiga moradora da Rua das Perobas, no Jardim Ipê, Sara é uma das beneficiadas pelos títulos de regularização fundiária entregues pelo prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, no dia 5.

Sara chegou a São Bernardo em 1985, vinda de Fortaleza, no Ceará, e se instalou com a família em uma casa de aluguel. O desemprego acabou levando a dona de casa a morar em um barraco no Jardim Ipê. “Eu morava na favela mesmo. Viver na comunidade é uma maneira diferente de dizer onde vive”, brincou.

Ela recorda que sempre que o tempo começava a mudar e uma tempestade se formava, o sentimento era de desespero. “Havia o medo do transbordamento do córrego. Em uma ocasião, cheguei do trabalho e a água havia levado tudo o que tinha. Fiquei com a roupa do corpo e um botijão de gás que a enxurrada trouxe”, contou. Foram 16 anos morando dessa forma.

Hoje, com o apartamento no Conjunto Três Marias regularizado, ela afirma que sua vida mudou completamente. “A diferença é muito grande. Agora não tenho mais medo da chuva, recebo cartas e posso pedir uma linha telefônica. Não tenho mais que sentir vergonha de onde moro e me sinto uma cidadã”, salientou.

Regularização – No último domingo (5), foram entregues 950 dos 1.236 títulos de regularização fundiária do Conjunto Habitacional Três Marias. As outras 286 famílias serão beneficiadas assim que estiverem com a documentação em dia.

Além de segurança jurídica, a regularização resulta em outros benefícios aos moradores, como a valorização do imóvel, transferência para herdeiros e a possibilidade de o bem ser dado como garantia para financiamentos.

Os apartamentos, com dois dormitórios, sala, cozinha, banheiro e área de serviço, foram construídas para abrigar famílias que residiam em áreas de riscos e em assentamentos precários já extintos da região do Alvarenga (Sítio Bom Jesus, Alvarenga Peixoto, Divinéia I e II, Pantanal I e II e Jardim Ipê).

Além das moradias, a Prefeitura construiu no local um centro comercial para atender os empreendedores que precisaram ser removidos para a execução das obras e providenciou toda a infraestrutura, como pavimentação, contenções em áreas sujeitas a deslizamentos, drenagem, abastecimento de água e iluminação. Também construiu o Parque Três Marias. Além disso, o projeto destinou áreas para equipamentos públicos como o CEU Celso Daniel, o Centro de Apoio à Reciclagem e a um terminal de ônibus.

Marinho lembrou que a ação no Três Maria faz parte do projeto de transformação da cidade iniciado em 2009. “Até o momento, foram mais de 4,2 mil moradias entregues. Temos muito o que fazer, pois ainda há famílias em aluguel social esperando por sua moradia. Esse é um processo de continuidade e que não pode ser parado”, disse.

Mora Mais Legal – No mesmo dia da entrega dos títulos, o prefeito Luiz Marinho lançou o programa Morar Mais Legal, que capacita síndicos dos prédios para que mantenham os conjuntos habitacionais preservados e a boa convivência entre os moradores. “Queremos que o Três Maria seja um grande exemplo para outros conjuntos habitacionais do município”, destacou o prefeito.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 16/08/2023
  • Fonte: FERVER