Dengue recua no Grande ABC mas média mensal ainda preocupa

Região reduz infecções em 76%, mas mantém alerta sanitário. Chuvas de janeiro podem acelerar proliferação do mosquito transmissor.

Crédito: Divulgação/Fiocruz

O combate à dengue no Grande ABC apresenta resultados estatísticos expressivos, mas o cenário epidemiológico ainda exige cautela extrema das autoridades e da população. Entre 1º de janeiro e 14 de dezembro de 2025, as sete cidades da região contabilizaram 14.359 diagnósticos positivos. Embora o número represente uma retração de 76% na comparação com o mesmo período do ano anterior — quando houve 60.472 registros —, a média mensal permanece em um patamar preocupante de aproximadamente 1.250 contaminações.

Dados extraídos do Painel Epidemiológico da Secretaria de Saúde do Estado revelam que a circulação viral continua ativa. A queda abrupta nos números absolutos não deve ser interpretada como fim da transmissão da dengue, especialmente com a aproximação do pico do verão.

Ranking de infecções e letalidade na região

A distribuição geográfica da doença mostra que Mauá lidera o ranking regional de infecções neste ciclo. A análise detalhada dos números confirma que a dengue atinge os municípios de forma heterogênea, exigindo estratégias localizadas.

Confira o cenário de casos confirmados por cidade em 2025:

  • Mauá: 5.717
  • Santo André: 3.405
  • São Bernardo: 2.297
  • Diadema: 1.687
  • São Caetano: 973
  • Ribeirão Pires: 262
  • Rio Grande da Serra: 18

No quesito letalidade, o recuo foi ainda mais significativo. O Grande ABC viu o número de mortes causadas pela dengue cair 85%, saindo de 67 óbitos em 2024 para dez confirmações neste ano. As perdas fatais foram registradas em Mauá (5), São Bernardo (3), Santo André (1) e Ribeirão Pires (1).

Combate à dengue e estratégias tecnológicas

Para sustentar a redução dos indicadores, as administrações municipais apostam na tecnologia. O enfrentamento ao vetor da dengue, o mosquito Aedes aegypti, ganhou reforço com o uso de equipamentos modernos. Em São Bernardo, veículos equipados com nebulizadores aplicam inseticida para eliminar espécimes adultos, enquanto drones monitoram áreas de difícil acesso e aplicam larvicidas.

A Prefeitura de Diadema também planeja utilizar aeronaves não tripuladas para mapear terrenos baldios. A gestão municipal reforça que a ação governamental precisa de contrapartida social.

“É fundamental reforçar que a redução do número de casos da doença depende também do cuidado e da colaboração de cada cidadão. O enfrentamento à dengue deve ser contínuo, com atenção diária à eliminação de possíveis focos do mosquito.”

Riscos climáticos exigem prevenção contínua

Especialistas alertam que o mês de janeiro cria a “tempestade perfeita” para a proliferação do vetor. A combinação de altas temperaturas com chuvas frequentes gera o ambiente quente e úmido ideal para a reprodução do mosquito da dengue.

As visitas domiciliares de agentes de endemias continuam sendo a principal linha de defesa. Equipes percorrem diariamente escolas, hospitais, borracharias e imóveis residenciais para eliminar criadouros mecânicos. Contudo, a eliminação de pratos de plantas, pneus e a vedação correta de caixas d’água permanecem como medidas indispensáveis para evitar um novo surto de dengue.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 28/12/2025
  • Fonte: FERVER