Mil demitidos no Itaú, enquanto CEO lucra R$ 67,7 milhões por ano

Entre cortes de funcionários e batalhas judiciais, o Itaú expõe contradições entre discurso de eficiência, salários milionários e falta de responsabilidade social

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O maior banco privado do país, o Itaú Unibanco, anunciou recentemente o corte de cerca de mil funcionários em regime de home office, alegando baixa produtividade dos colaboradores. A decisão, que atinge trabalhadores em diferentes áreas de suporte e atendimento, ganhou destaque pela forma fria e impessoal como foi conduzida, além de escancarar um paradoxo difícil de ignorar: ao mesmo tempo em que centenas de famílias perdem sua principal fonte de renda, o CEO da instituição, Milton Maluhy Filho, segue como o executivo mais bem pago do Brasil, recebendo R$ 67,7 milhões por ano em salários e bônus.

O contraste que indigna: demissões x salário do CEO

Itaú Unibanco
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A cada novo corte, o discurso oficial fala em eficiência, mas a matemática expõe o absurdo. O salário anual do CEO, sozinho, poderia sustentar centenas de funcionários demitidos. Enquanto trabalhadores de base são descartados sob a acusação de improdutividade, o executivo mais bem pago do Brasil continua a receber bônus milionários, independentemente do impacto social das decisões tomadas sob sua gestão.

Para os críticos, trata-se de uma lógica perversa: cobrar resultados implacáveis de quem está na ponta, enquanto o topo corporativo é premiado com cifras estratosféricas, blindado de qualquer cobrança de produtividade real.

Um banco às custas de sua imagem corrida

Apesar dos lucros bilionários, a imagem do Itaú tem sido corroída por episódios como esse. O banco, que já é alvo constante de críticas por cobrar tarifas altas e taxas de juros abusivas, agora soma ao histórico a marca de um gestor insensível às necessidades dos próprios trabalhadores e aposentados.

Nas redes sociais, a repercussão foi imediata. Muitos apontaram a incoerência de uma instituição que demite em massa e trava disputas judiciais contra ex-colaboradores, mas mantém remuneração milionária para sua liderança. Outros foram mais diretos: “o Itaú lucra às custas do sacrifício dos pequenos e do privilégio dos grandes”.

Aposentados x Itaú: uma batalha desigual nos tribunais

Justiça - Processos -Itaú
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Além das demissões, o Itaú já enfrenta há anos outro tipo de desgaste: ações judiciais movidas por aposentados que se dizem lesados em seus direitos. Muitos ex-funcionários acusam o banco de práticas abusivas relacionadas a planos de previdência complementar e reajustes não cumpridos.

Esses processos se arrastam na Justiça, revelando uma postura de resistência do banco em reconhecer obrigações trabalhistas históricas. Para os aposentados, que contribuíram durante décadas acreditando na solidez da instituição, a disputa mostra como o Itaú prioriza a defesa de seu caixa em detrimento do bem-estar daqueles que ajudaram a construir a empresa.

Essa combinação — demissões em massa e batalhas judiciais contra aposentados — reforça a percepção de um banco que enxerga pessoas apenas como números em planilhas, sem responsabilidade social ou compromisso humano.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 11/09/2025
  • Fonte: Fever