Demissões na Amazon não foram crise financeira, afirma CEO

Andy Jassy diz que cortes na Amazon buscam agilidade e menos burocracia, apesar do lucro de US$ 180bi.

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A Amazon anunciou o desligamento de 14 mil funcionários, mas, segundo o CEO Andy Jassy, a decisão não reflete dificuldades financeiras nem é um impacto direto da inteligência artificial. O executivo classificou a medida drástica como parte de uma necessária transformação cultural interna.

Em declaração durante a apresentação dos resultados financeiros trimestiais, reportados pelo Business Insider, Jassy argumentou que o crescimento acelerado da Amazon e a rápida expansão de novas divisões criaram uma estrutura organizacional excessivamente complexa e inflada.

“A empresa passou a ter um número elevado de colaboradores e múltiplos níveis hierárquicos. Isso pode, inadvertidamente, enfraquecer o senso de responsabilidade entre aqueles que realmente realizam as tarefas”, comentou o executivo.

Apesar da reestruturação, os números da Amazon seguem robustos. A companhia registrou um aumento de 13% nas vendas em comparação ao ano anterior, alcançando US$ 180 bilhões no trimestre. Ao final de 2024, a empresa mantinha cerca de 1,5 milhão de funcionários, uma redução em relação ao pico de 1,6 milhão em 2021.

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O Objetivo: “A Maior Startup do Mundo”

Demissões na Amazon não foram crise financeira, afirma CEO
Divulgação/Amazon

Jassy enfatizou que o objetivo da Amazon é “operar como a maior startup do mundo”. Para isso, segundo ele, é crucial eliminar camadas gerenciais desnecessárias, restaurando a agilidade perdida.

O CEO afirmou que as demissões preparam a empresa para os benefícios futuros que a inteligência artificial pode proporcionar, tornando a empresa mais ágil para inovar.

Transparência Questionada e o Custo Humano

No entanto, o momento escolhido para o anúncio gerou ceticismo e questionamentos sobre a transparência da empresa. A decisão coincide com um período em que a própria Amazon expande agressivamente suas iniciativas de inteligência artificial nos setores de logística e varejo.

Para os milhares de trabalhadores afetados, essa “mudança cultural” representa um custo humano direto. A Amazon se junta a outras gigantes da tecnologia, como Google e Microsoft, no movimento conhecido como “Grande Achatamento” (The Great Flattening): uma reestruturação ampla que promete eficiência, mas acentua o impacto social da modernização corporativa.

  • Publicado: 03/02/2026
  • Alterado: 03/02/2026
  • Autor: 02/11/2025
  • Fonte: Michel Teló