Delator da máfia do ISS cita duas universidades

As universidades citadas, Uninove e FMU, entraram na lista de empresas suspeitas de manter relações com os auditores fiscais da máfia do Imposto sobre Serviços (ISS)

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<p>Elas foram citadas em depoimento do ex-auditor Eduardo Horle Barcellos, que foi usado para subsidiar a terceira den&uacute;ncia criminal sobre a quadrilha &agrave; Justi&ccedil;a. O relato &eacute; apurado pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico Estadual (MPE).</p> <p>Na ter&ccedil;a-feira, 5, o prefeito de S&atilde;o Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou que &eacute; preciso ter &quot;cuidado&quot; diante das revela&ccedil;&otilde;es feitas por Barcellos. No mesmo depoimento em que fala das universidades, o ex-auditor da Prefeitura relaciona o ex-prefeito da capital e atual ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD), a a&ccedil;&otilde;es praticadas por integrantes da m&aacute;fia para barrar a cria&ccedil;&atilde;o de uma Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito (CPI), em 2009. Kassab nega as acusa&ccedil;&otilde;es. As universidades aparecem em um trecho da dela&ccedil;&atilde;o do ex-auditor em que ele detalha empresas que deixavam de pagar impostos depois de pagar propina aos auditores.</p> <p>As afirma&ccedil;&otilde;es sobre a Uninove s&atilde;o mais completas. No depoimento, Barcellos afirma que, em 2011, &quot;houve negocia&ccedil;&atilde;o referente ao ISS da Uninove, envolvendo especificamente o chamado &#39;Campo Memorial&#39;, localizado na Barra Funda.</p> <p>O declarante (Barcellos) presenciou o in&iacute;cio da negocia&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o sabendo se foi concretizada. Estavam presentes o declarante, Ronilson Bezerra Rodrigues (apontado pelo MPE como l&iacute;der da m&aacute;fia), Douglas Amato e Leonardo Dias Leal (outros dois auditores j&aacute; investigados pela Controladoria-Geral do Munic&iacute;pio).</p> <p>O enfoque era a concess&atilde;o irregular de isen&ccedil;&atilde;o de IPTU e ISS para referido estabelecimento de ensino&quot;, diz o depoimento. Barcellos afirmou que a negocia&ccedil;&atilde;o direta com a faculdade havia ocorrido antes da conversa que ele testemunhou, em que era discutida a &quot;metodologia para concess&atilde;o ilegal das isen&ccedil;&otilde;es sem que houvesse levantamento de suspeitas&quot;.</p> <p>A Uninove informou, por meio de nota, que n&atilde;o tem conhecimento das acusa&ccedil;&otilde;es, nega qualquer irregularidade e afirmou que &quot;sempre pauta suas a&ccedil;&otilde;es pela legalidade&quot;.</p> <p>O caso da FMU &eacute; mais gen&eacute;rico e cita Carlos Castanho, representante da sociedade civil na Comiss&atilde;o Permanente de Acompanhamento da entidade.</p> <p>De acordo com o depoimento de Barcellos aos promotores, Ronilson tinha encontros com Castanho duas vezes por m&ecirc;s. &quot;Nessas ocasi&otilde;es, Ronilson determinava que o declarante (Barcellos) sa&iacute;sse da sala, ao contr&aacute;rio de outras situa&ccedil;&otilde;es em que era permitida a sua presen&ccedil;a.&quot; Castanho n&atilde;o foi encontrado ontem para comentar as declara&ccedil;&otilde;es.</p> <p>O delator n&atilde;o citou especificamente nenhum benef&iacute;cio obtido pela universidade nem valores que eventualmente teriam sido pagos a integrantes da m&aacute;fia.</p> <p>A FMU informou que, desde setembro de 2014, teve sua dire&ccedil;&atilde;o trocada. A universidade foi comprada pelo grupo americano Laureate.</p> <p>O prefeito Fernando Haddad comentou o depoimento de Barcellos, revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo; na ter&ccedil;a-feira. &quot;&Agrave;s vezes, a pessoa, no desespero, come&ccedil;a a ter um estilo de comportamento de repres&aacute;lia. Tem de apresentar evid&ecirc;ncia, algum documento, as circunst&acirc;ncias em que isso (acusa&ccedil;&atilde;o) se deu. O Minist&eacute;rio P&uacute;blico est&aacute; fazendo isso com cautela, para evitar injusti&ccedil;a, mas tamb&eacute;m a impunidade&quot;, afirmou o prefeito. O ex-prefeito, agora ministro, goza de foro privilegiado e s&oacute; pode ser acusado via Supremo Tribunal Federal (STF).</p> <p>O criminalista Gustavo Badar&oacute;, que atua em defesa de Barcellos, pontuou ontem que seu cliente focou o depoimento, prestado em abril do ano passado, nas a&ccedil;&otilde;es da m&aacute;fia do ISS. Ele disse que Barcellos n&atilde;o tem conhecimento de nenhuma irregularidade relacionada &agrave; merenda escolar, tema da Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito que o ex-prefeito teria pedido ajuda de integrantes da m&aacute;fia do ISS para barrar.&nbsp;</p>

  • Publicado: 06/05/2015 11:32
  • Alterado: 06/05/2015 11:32
  • Autor: Redação ABCdoABC
  • Fonte: Estadão Conteúdo