Delação de ex-diretor da Americanas expõe papel de bancos em fraudes
Em depoimento, Fabio Abrate detalhou como operações de risco sacado foram manipuladas, apontando o Itaú e o Santander como peças-chave no esquema
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 01/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O depoimento de Fabio Abrate, ex-diretor financeiro e de relações com investidores da Americanas, emergiu como um marco decisivo na investigação que envolve a empresa. Sua delação premiada traz à tona acusações graves contra instituições bancárias, sugerindo que houve uma intenção deliberada de ocultar informações sobre as dívidas relacionadas ao risco sacado da companhia.
Abrate enfatiza que as operações ligadas ao risco sacado foram distorcidas ao longo do tempo, com a anuência dos bancos envolvidos. Essa prática é apontada como um dos mecanismos centrais que possibilitaram as fraudes nos balanços financeiros da Americanas.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), Abrate declarou que “as operações de risco sacado, ao longo do tempo, foram sendo desvirtuadas pela Americanas, com o consentimento dos bancos”. A lista de instituições mencionadas por ele inclui predominantemente o Itaú e o Santander.
Negociações diretas e impacto nas fraudes
O ex-executivo relatou uma interação direta e franca com esses bancos, destacando uma conversa crucial: “A minha conversa com os dois bancos foi muito simples: ou tiram (da carta de circularização) ou a gente para de fazer operação (de risco sacado).” Ele detalhou que essa modalidade era tanto breve quanto onerosa, ressaltando a gravidade da situação.
Abrate ainda argumentou que, se os bancos tivessem interrompido as operações naquele momento crítico, a magnitude das fraudes poderia ter sido contida. Ele afirmou: “Se o banco não aponta na carta de circularização, isso foi decisivo para a perpetuação da fraude.”
Além disso, o ex-diretor revelou que as negociações entre a Americanas e o Itaú eram conduzidas diretamente com altos executivos da instituição, insinuando uma rede complexa de conivência que vai além das operações financeiras comuns.
Firmado com o MPF, o acordo de delação de Abrate faz dele o terceiro ex-executivo da empresa a colaborar com as investigações. Antes dele, os ex-diretores Flávia Carneiro e Marcelo Nunes também fecharam acordos para esclarecer os detalhes do esquema fraudulento.