Deixe o comodismo de lado e avance com propósito
Entre zona de conforto, comodismo e crescimento, o desafio não é evitar o conforto, mas escolher conscientemente a direção da própria evolução
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 31/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro Liberdade
Você já deve ter ouvido que é preciso abandonar a zona de conforto para crescer, certo? Essa frase virou clichê motivacional e, justamente por isso, perdeu a profundidade. A verdade é que a zona de conforto não é o problema. O comodismo é que nos paralisa.
Zona de conforto não é inimiga
Quando os psicólogos Robert Yerkes e John Dodson apresentaram o conceito em 1908, jamais disseram que o conforto era algo ruim. Pelo contrário: é na estabilidade que consolidamos nossas habilidades, acumulamos experiências, fortalecemos nosso repertório e recuperamos energia. É o lugar onde nos preparamos para os próximos desafios contra o comodismo.
O perigo surge quando essa segurança se transforma em acomodação. A inércia nos seduz e passamos a evitar qualquer movimento que nos obrigue a aprender, errar e recomeçar. É aí que entramos na zona de comodismo. Estagnados, ficamos presos ao que conhecemos, mesmo que o que conhecemos já não caiba mais em quem somos.
A zona de tensão e a “ansiedade ótima”

O crescimento acelerado acontece em outro território, a zona de tensão. Trata-se do espaço em que damos um passo além do que dominamos e sentimos um desconforto saudável contra o comodismo, o suficiente para estimular atenção, esforço e evolução. É a “ansiedade ótima” de que falavam os pesquisadores.
Mas atenção, sair da zona de conforto não é se lançar ao caos. Não se trata de buscar sofrimento pelo sofrimento ou correr riscos apenas para postar nas redes. Avançar sem direção pode ser mais destrutivo do que permanecer parado.
Crescer exige direção, não impulsividade
Profissionalmente, isso significa assumir projetos que ampliem nossa responsabilidade, estudar algo novo, testar um negócio próprio, abrir espaço para liderar. Na vida pessoal, pode envolver iniciar uma atividade física, pedir ajuda quando necessário, começar uma terapia ou encerrar relações que já não nos fazem bem.
O critério é simples: o passo que você dá fora do conforto precisa apontar para a pessoa que você quer se tornar. Equilíbrio é a chave. É no movimento entre segurança e desafio que nos desenvolvemos com consistência.
Use a zona de conforto como base para ganhar fôlego contra o comodismo. Identifique suas zonas de tensão e avance com estratégia. Evite apenas a armadilha da comodidade, essa sim, é perigosa. O crescimento acontece quando entendemos que não basta sair da zona de conforto: é preciso ir na direção certa.
Victor de Almeida Moreira

Victor de Almeida Moreira é gestor de projetos e autor do livro “Autoliderança Antifrágil”