Déficit Primário do Brasil cai para R$ 18,9 bilhões em fevereiro

Apesar desse resultado negativo, houve uma melhoria em relação ao déficit de R$ 48,692 bilhões registrado no mesmo período do ano anterior

Crédito: José Cruz/Agencia Brasil

No encerramento de fevereiro, as contas públicas brasileiras apresentaram um saldo negativo, refletindo o déficit do Governo Central. O setor público consolidado, que abrange a União, estados, municípios e empresas estatais, registrou um déficit primário de R$ 18,973 bilhões durante o segundo mês de 2025.

Apesar desse resultado negativo, houve uma melhoria em relação ao déficit de R$ 48,692 bilhões registrado no mesmo período do ano anterior. Essa evolução pode ser atribuída a uma combinação de fatores, incluindo um aumento nas receitas e uma diminuição nas despesas do Governo Central, que inclui órgãos como a Previdência Social, o Banco Central e o Tesouro Nacional.

Os dados foram divulgados na terça-feira (8) pelo Banco Central (BC). O déficit primário representa o resultado das contas do setor público, calculado como a diferença entre despesas e receitas, excluindo os pagamentos referentes aos juros da dívida pública.

No acumulado deste ano até fevereiro, o setor público consolidado conseguiu alcançar um superávit primário de R$ 85,122 bilhões. Nos últimos 12 meses, até fevereiro de 2025, as contas acumulam um déficit total de R$ 15,885 bilhões, equivalente a 0,13% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Em comparação, no ano de 2024, as contas públicas fecharam com um déficit primário totalizando R$ 47,553 bilhões, representando 0,4% do PIB.

Análise por Esferas Governamentais

No mês de fevereiro deste ano, o Governo Central registrou um déficit primário de R$ 28,517 bilhões. Este valor é inferior ao resultado negativo de R$ 57,821 bilhões observado no mesmo mês de 2024. É importante notar que essa discrepância se deve à diferença nas metodologias utilizadas para calcular os déficits; o Banco Central considera a variação da dívida dos entes públicos em sua análise.

Os governos estaduais reportaram um superávit de R$ 6,633 bilhões em fevereiro de 2025, embora tenha sido menor que os R$ 7,486 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior. Por sua vez, os governos municipais obtiveram um resultado positivo de R$ 2,611 bilhões em fevereiro deste ano em comparação com um superávit de R$ 1,160 bilhão no mesmo mês de 2024.

Com isso, a soma dos superávits regionais – abrangendo tanto os estados quanto os municípios – resultou em um total de R$ 9,244 bilhões em fevereiro passado. Este valor contrasta com o déficit de R$ 8,646 bilhões observado no mesmo período do ano anterior.

Além disso, as empresas estatais federais e estaduais contribuíram positivamente para as contas públicas com um resultado positivo de R$ 299 milhões em fevereiro deste ano. Em comparação com o mesmo mês do ano anterior, quando houve um déficit de R$ 483 milhões.

Aumento nas Despesas com Juros

As despesas com juros atingiram R$ 78,253 bilhões em fevereiro de 2025, um aumento considerável em relação aos R$ 65,166 bilhões contabilizados em fevereiro do ano passado. A comparação entre janeiro e fevereiro também revelou uma alta significativa nos gastos com juros: foram R$ 40,358 bilhões no primeiro mês deste ano.

De acordo com informações do Banco Central, não são comuns grandes flutuações nas contas referentes a juros devido à forma como esses valores são contabilizados mensalmente. Entretanto, as operações cambiais realizadas pelo BC podem impactar essas contas ao transferir resultados positivos ou negativos para os pagamentos dos juros da dívida pública.

Em fevereiro de 2024, a conta relacionada aos juros foi positiva em R$ 6,021 bilhões. Em contraste, nos dois primeiros meses deste ano os saldos foram negativos: R$ 28,981 bilhões em janeiro e R$ 1,127 bilhão em fevereiro.

A elevação nas despesas com juros pode ser atribuída ao aumento da taxa Selic e ao crescimento da dívida pública durante este período.

Consequentemente, o resultado nominal das contas públicas – que considera tanto o resultado primário quanto os gastos com juros – apresentou queda na comparação interanual. Em fevereiro último, o déficit nominal foi de R$ 97,226 bilhões contra R$ 113,858 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior.

No total acumulado dos últimos doze meses encerrados em fevereiro deste ano, o setor público apresenta um déficit nominal de R$ 939,839 bilhões ou 7,91% do PIB. Este indicador é amplamente considerado pelas agências de classificação de risco ao avaliar a capacidade de endividamento do país.

Dívida Pública

A dívida líquida do setor público alcançou R$ 7,296 trilhões em fevereiro de 2025, representando cerca de 61,4% do PIB nacional. Em janeiro desse ano esse percentual era ligeiramente inferior: 61,1% (R$ 7,220 trilhões).

A dívida bruta do governo geral (DBGG), que contabiliza somente os passivos dos governos federal e estaduais e municipais subiu para R$ 9,045 trilhões ou aproximadamente 76,2% do PIB. Esse aumento reflete uma variação percentual em relação ao mês anterior (R$ 8,939 trilhões ou 75,7% do PIB). Tais dados são cruciais para análises comparativas internacionais.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 08/04/2025
  • Fonte: Fever