Déficit das contas externas do Brasil apresenta queda em março
Em março de 2025, Brasil teve déficit externo de US$ 2,245 bi, melhorando em relação ao ano anterior; superávit comercial impulsionou resultados
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 28/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O Banco Central (BC) divulgou que as contas externas do Brasil registraram um déficit de US$ 2,245 bilhões. Em comparação ao mesmo mês do ano anterior, quando o saldo negativo foi de US$ 4,087 bilhões, a redução sinaliza uma melhora nas transações correntes, que incluem a movimentação de mercadorias, serviços e transferências de renda com outros países.
A melhoria observada em relação ao ano anterior deve-se principalmente a um aumento de US$ 1,3 bilhões no superávit comercial, impulsionado por um crescimento significativo nas exportações. Além disso, houve uma diminuição de US$ 895 milhões no déficit em renda primária, que abrange pagamentos relacionados a juros e lucros de empresas. Contudo, o déficit em serviços cresceu em US$ 460 milhões, impactando negativamente o resultado geral das transações correntes.
Considerando o período de 12 meses encerrados em março, o déficit acumulado nas transações correntes atingiu US$ 68,467 bilhões, representando 3,21% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse valor é inferior ao saldo negativo registrado no mês anterior, que foi de US$ 70,310 bilhões (3,28% do PIB). Contudo, ao comparar com o mesmo período do ano passado, observa-se um aumento considerável no déficit que somou US$ 26,307 bilhões (1,17% do PIB).
O Banco Central informou que as transações correntes apresentavam uma tendência de redução nos déficits anuais até março de 2024. A partir deste mês, essa tendência parece ter se revertido. Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, ressaltou a necessidade de monitorar os próximos meses para entender se essa alteração representa uma mudança estrutural ou se trata de uma flutuação pontual.
Apesar do déficit externo significativo, ele está sendo financiado por investimentos de longo prazo, principalmente os investimentos diretos no Brasil, que demonstram qualidade tanto nos fluxos quanto nos estoques.
Balança Comercial e Serviços
No que diz respeito à balança comercial em março, as exportações totalizaram US$ 29,449 bilhões, refletindo um aumento de 5,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As importações também cresceram ligeiramente para US$ 21,812 bilhões, uma alta de 0,9%. Como resultado dessas operações comerciais, a balança comercial apresentou um superávit de US$ 7,637 bilhões no mês passado em comparação aos US$ 6,352 bilhões registrados em março de 2024.
Os principais produtos exportados foram café, soja e carnes. Rocha destacou o incremento nas exportações de soja devido à colheita da safra atual.
Por outro lado, o déficit na conta de serviços – englobando viagens internacionais e transporte – atingiu US$ 4,352 bilhões em março. Este valor é superior aos US$ 3,893 bilhões observados no mesmo mês do ano anterior. O BC identificou um aumento na corrente de comércio dos serviços e uma diversificação nesse setor. Um dos destaques foi o crescimento expressivo de 70,5% no déficit relacionado a serviços de propriedade intelectual.
As despesas líquidas com transporte aumentaram em 20,3%, totalizando US$ 1,148 bilhão. Os gastos líquidos com aluguel de equipamentos também cresceram 15,2%, alcançando US$ 1,095 bilhão.
O déficit nas viagens internacionais foi ligeiramente ajustado para cima em março para US$ 766 milhões.
Rendas
No segmento da renda primária referente a lucros e dividendos e pagamentos diversos como juros e salários chegou a um déficit de US$ 5,781 bilhões em março deste ano. Esse montante representa uma queda de 13,4% em comparação com os US$ 6,675 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado. O país normalmente apresenta saldo deficitário nesta conta devido ao maior volume de investimentos estrangeiros no Brasil comparados aos nacionais no exterior.
A conta secundária obteve um resultado positivo com superávit de US$ 251 milhões em março.
Financiamento
Os investimentos diretos no Brasil somaram US$ 5,990 bilhões neste mês. Essa cifra é inferior aos US$ 10,236 bilhões registrados em março do ano passado devido a ingressos atípicos naquele período. No acumulado dos últimos doze meses até março deste ano totalizaram-se US$ 68,213 bilhões (3,19% do PIB), diminuindo comparativamente aos US$ 72,459 bilhões (3,38% do PIB) registrados anteriormente.
Diante da necessidade de cobrir déficits nas transações correntes com investimentos ou empréstimos externos, os investimentos diretos são considerados a melhor alternativa por serem direcionados ao setor produtivo e frequentemente serem investimentos permanentes.
No segmento dos investimentos em carteira no mercado nacional houve uma saída líquida totalizando US$ 1,780 bilhão em março. As reservas internacionais encerraram o mês com um estoque total atingindo US$ 336,157 bilhões – um incremento considerável quando comparado ao mês anterior.