Defesa Civil de Mauá realiza Simulado de Risco Hidrológico

O 1º Simulado de Risco Hidrológico na Vila Carlina testou a resposta emergencial e capacitou 28 voluntários do novo Núcleo de Defesa Civil

Crédito: Diego Barros/PMM

A manhã que amanheceu na Vila Carlina, em Mauá, prometia ser de rotina. A chegada dos veículos de emergência sinalizava o início do Simulado de Risco Hidrológico. Apesar do aviso meteorológico que previa um “Alerta” de temporais e ventos pela Defesa Civil para aquele sábado, indicando um volume de água acima da média, o céu não tinha confirmado o mau tempo. Crianças como Enzo, de 10 anos, brincavam, vizinhos faziam compras e trabalhadores iniciavam o meio expediente. Contudo, a calmaria foi rapidamente substituída por uma movimentação intensa e controlada de equipes de emergência.

O barulho da sirene do caminhão-bomba do 8º Grupamento do Corpo de Bombeiros rompeu a tranquilidade, convergindo para a Rua Antonio Luiz Ferreira, 300, onde foi instalado o comando da operação. O pequeno Enzo, assustado, perguntou o que estava acontecendo, mas logo se tranquilizou ao ver que se tratava de um Simulado de Risco Hidrológico.

Como o 1º Simulado de Risco Hidrológico uniu forças?

O evento não foi uma surpresa para todos. Sonia de Moura, moradora da região há 29 anos, já estava a par da ação. “Eu li nas faixas que a Prefeitura colocou nas entradas do bairro que hoje ia ter simulado”, afirmou. A movimentação que ela observava da janela de casa, vendo equipes se preparando, era a materialização do 1º Simulado de Risco Hidrológico de Mauá, organizado pela Secretaria de Proteção e Defesa Civil, sob coordenação de Sergio Moraes.

Para quem mora há décadas na Vila Carlina, a prevenção é uma necessidade dolorosa. “Moro aqui há 29 anos e a gente já viu de tudo. Já deu fogão, cesta, roupa para quem perdeu tudo”, relembra Sonia, que já presenciou a água invadir várias casas em períodos de chuva intensa.

A operação no local, coordenada pelo secretário de Proteção e Defesa Civil, Sergio Moraes, demonstrou a importância da integração de setores. Em uma ocorrência real, cabe ao comando da Defesa Civil coordenar todas as ações. Neste exercício, Bombeiros, SAMU e até estudantes de enfermagem simularam o socorro a uma pessoa acidentada. As demais equipes trabalharam na análise estratégica para o rápido deslocamento de viaturas, voluntários e agentes, além de lidar com questões cruciais de segurança e logística, como o controle do trânsito e interdição de áreas.

A Segurança do Morador e o Papel dos NUPDECs

O secretário Sergio Moraes ressaltou que a principal meta é que “O morador tem que se sentir em segurança”. Ele explicou que, após a ocorrência, a Defesa Civil realiza a análise estrutural dos imóveis. Mas, antes disso, o foco está na preparação: “fazemos o treinamento e formamos pessoas para colaborar na prevenção”, disse. A Defesa Civil de Mauá busca demonstrar à população que está totalmente equipada e preparada para o atendimento.

O prefeito Marcelo Oliveira reforçou a importância da comunicação e da transparência. “Quem ouve mais erra menos. Precisamos informar a população sobre como agir em áreas de riscos. Por outro lado, trabalhamos para a solução de muitos dos problemas e a mitigação dos riscos.”

Um dos pontos altos do dia foi a formalização do Núcleo de Proteção e Defesa Civil (NUPDEC) da Vila Carlina. O núcleo já inicia as atividades com 28 pessoas voluntárias preparadas para atuar em ocorrências de desastres naturais e riscos químicos. Para a formação desses novos agentes, a Defesa Civil oferece um curso de capacitação.

Prevenir é Viver: A Lição do Simulado de Risco Hidrológico

A participação da comunidade é fundamental. Antonio Mendes, morador há 58 anos, ao lado de sua irmã Gerlene, resumiu o sentimento local. “Deus fez bem feito, mas os homens e mulheres estão mexendo com o planeta. Daí, a gente temeu se preparar mesmo, prevenir. Achei ótima a ação”, afirmou. Eles relembram um passado da Vila Carlina sem asfalto e sem posto de saúde, reconhecendo a importância das ações preventivas atuais. O autônomo avaliou: “Tem que mostrar para a população que tem que ficar atenta.”

A complexa estrutura do Simulado de Risco Hidrológico contou com a presença de diversos parceiros essenciais: a Guarda Civil Municipal (GCM), Polícia Militar, Comitê de Fomento Industrial do Polo Petroquímico (Cofip), Escola de Enfermagem Grau, Sindicato dos Metalúrgicos (com apoio de som) e a Universidade Federal do ABC (UFABC), que é a responsável pelo desenvolvimento do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR). Várias secretarias municipais também atuaram, demonstrando a intersetorialidade necessária no atendimento à população em situação de emergência. A realização deste Simulado de Risco Hidrológico é, portanto, um marco na preparação de Mauá para a segurança de seus moradores.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 08/11/2025
  • Fonte: Teatro Sérgio Cardoso