Defesa de Bolsonaro confirma pedido de conserto em arma
Defesa de Jair Bolsonaro afirma que conserto de arma não tem relação com o fim da prisão domiciliar
- Publicado: 17/06/2026 16:21
- Alterado: 17/06/2026 16:21
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: FOLHAPRESS
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele solicitou o reparo de uma pistola após perceber um defeito no armamento. Segundo os advogados, a decisão não possui qualquer vínculo com o término do prazo da prisão domiciliar, marcado para o próximo dia 25.
De acordo com a manifestação apresentada ao STF, a equipe de segurança do ex-mandatário retirou o percussor da arma em razão do uso de medicamentos psiquiátricos que podem afetar sua cognição. A medida teria deixado a pistola sem condições de funcionamento. Sem saber da alteração, Bolsonaro teria identificado a falha e determinado que o equipamento fosse encaminhado para manutenção.
Moraes cobra explicações sobre arma apreendida
O ministro Alexandre de Moraes concedeu prazo de 24 horas para que a defesa esclarecesse a situação da pistola, apreendida na última segunda-feira (15) durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal.
Na decisão, o magistrado afirmou ser necessário esclarecer por que o condenado mantinha uma arma de fogo em sua residência, acompanhada de um carregador sobressalente. Moraes também questionou o motivo de ter sido solicitado um reparo no armamento poucos dias antes do encerramento do período de prisão domiciliar.
A arma em questão é uma pistola Glock calibre 9 milímetros que estava sob posse do militar Estácio Leite da Silva Filho, integrante da equipe de segurança de Jair Bolsonaro, conforme documentação registrada junto ao STF. Durante a abordagem policial, o militar se identificou como membro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, informação posteriormente negada pelo órgão.
Militar relata pane na pistola durante abordagem
Após ser conduzido a uma delegacia, Estácio informou que transportava a arma para conserto em razão de uma pane e que pretendia devolvê-la ao proprietário na terça-feira (16). A consulta ao Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma), do Exército Brasileiro, confirmou que a pistola estava registrada em nome do ex-presidente.
Em outra determinação, Moraes solicitou esclarecimentos ao batalhão da Polícia Militar responsável pelo monitoramento da prisão domiciliar para verificar se os veículos que deixam o condomínio do ex-presidente estão sendo submetidos aos procedimentos de revista.
A corporação respondeu que realiza inspeções em compartimentos internos e porta-malas dos automóveis que saem da residência de Jair Bolsonaro. No entanto, destacou que os veículos utilizados pelo GSI permanecem estacionados em via pública e não entram na garagem do imóvel, motivo pelo qual não passam por vistorias.
Polícia detalha ocorrência em Taguatinga
No relato anexado ao processo, o policial militar Davi Evangelista Alves afirmou que a pistola estava posicionada no assoalho de um veículo oficial da Presidência da República. Segundo ele, durante a abordagem, “o motorista, de forma repentina, fechou o vidro” do automóvel.
O agente também declarou que Estácio informou inicialmente que a arma constava em seu registro funcional. Contudo, após a verificação dos documentos, não foi encontrada qualquer anotação nesse sentido. Questionado novamente, o militar afirmou que a pistola pertencia a Bolsonaro e permanecia armazenada dentro do veículo.
Já em depoimento anexado ao processo referente ao cumprimento da pena do ex-presidente, Estácio afirmou ter comunicado imediatamente aos policiais que a arma era de Jair Bolsonaro. Segundo o militar, o armamento lhe havia sido entregue após a identificação de uma pane que, aparentemente, poderia ser solucionada de forma simples.
Em nota oficial, a Polícia Militar informou que um militar do Exército Brasileiro que conduzia um veículo oficial foi encaminhado à 21ª Delegacia de Polícia após a localização de uma segunda arma de fogo no interior do automóvel, além da arma institucional regularmente portada.
A corporação acrescentou que o abordado declarou não possuir a documentação referente à segunda arma e informou que ela pertencia a outra pessoa. Diante da situação, tanto o armamento quanto o condutor foram levados à delegacia para os procedimentos cabíveis. A ocorrência foi registrada em Taguatinga, região administrativa do Distrito Federal.
GSI nega vínculo e relembra regras para ex-presidentes
O Gabinete de Segurança Institucional afirmou que Estácio nunca integrou o órgão durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O GSI também ressaltou que não é responsável pela segurança de ex-presidentes da República, incluindo Jair Bolsonaro, e que os servidores colocados à disposição dos ex-mandatários são escolhidos e indicados pelos próprios beneficiários.
O ex-presidente cumpre prisão domiciliar desde 27 de março. Antes disso, permaneceu internado por duas semanas em um hospital de Brasília para tratamento de broncopneumonia bacteriana nos dois pulmões. Atualmente, ele cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por liderar uma trama golpista no país.