Reações à declaração polêmica do Chanceler Alemão

Após Cúpula da COP30 em Belém, Chanceler Alemão Friedrich Merz diz que a Alemanha é um dos países mais belos do mundo e gera crise política com o Brasil

Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Chanceler Alemão, Friedrich Merz, reacendeu o debate político nesta quarta-feira (19) ao comentar suas polêmicas declarações feitas na semana anterior a respeito do Brasil. Em um discurso no Congresso Alemão do Comércio, o líder da Alemanha, que acabara de participar da Cúpula de Líderes em Belém (Pará), teria provocado uma onda de críticas ao sugerir que a Alemanha seria um dos países mais belos do mundo, em contraponto à experiência brasileira.

O evento em Belém, preparatório para a COP30, a cúpula climática da ONU que se estenderá até 21 de novembro, foi o pano de fundo para a manifestação de Merz. Sua satisfação em retornar ao seu país de origem e a declaração de que nenhum dos jornalistas que o acompanhavam no Brasil teria demonstrado interesse em permanecer no país acentuaram a controvérsia.

As polêmicas palavras do Chanceler Alemão em destaque

Ricardo Stuckert / PR

Vivemos em um dos países mais bonitos do mundo”, afirmou o líder alemão, em uma fala que foi rapidamente interpretada por figuras políticas brasileiras e ambientalistas como um menosprezo à cultura e às paisagens do Brasil, especialmente as da Amazônia e do Pará. O clima entre os dois países, fundamentais para a pauta ambiental global, se aqueceu rapidamente, forçando o porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, a intervir.

Kornelius tentou minimizar a crise diplomática, afirmando que o Chanceler Merz não teria desmerecido a cidade de Belém ou o Brasil, e que, portanto, não haveria motivo para um pedido de desculpas. “Percebo uma certa agitação em torno deste tema que pouco tem a ver com os fatos”, declarou o porta-voz, buscando encerrar o incidente. No entanto, a repercussão das declarações do Chanceler Alemão já havia ganhado força no cenário político nacional.

Reações Incisivas: A sugestão de Lula e as críticas dos prefeitos

Ricardo Stuckert / PR

A resposta do Brasil foi imediata e enfática. O Presidente Lula, em resposta direta às críticas do premiê alemão, sugeriu que Merz teria tido uma experiência incompleta durante sua passagem pelo Pará.

Ele deveria ter ido a um boteco no Pará e dançado”, declarou Lula, enfatizando as experiências culturais únicas e inigualáveis oferecidas pelo estado.

Lula aproveitou a oportunidade para ressaltar o impacto positivo que a realização da COP30 trouxe para a visibilidade global da região. “Hoje, qualquer parte do mundo sabe que existe o estado do Pará e a cidade de Belém”, comentou, destacando a hospitalidade do povo local.

A polarização do debate foi intensificada por figuras políticas regionais e nacionais. O Prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), qualificou as afirmações de Merz como “infelizes, arrogantes e preconceituosas. O Governador do Pará, Helder Barbalho, demonstrou estranheza com as críticas vindas de um representante de um país que historicamente contribuiu para problemas climáticos, lembrando que a Amazônia sempre esteve aberta ao diálogo e à recepção de visitantes.

A crítica mais contundente, no entanto, veio do Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), que elevou o tom da discussão nas redes sociais ao se referir a Merz com adjetivos pesados, chamando-o de filhote de Hitler vagabundo” e “nazista“.

O impacto das falas do Chanceler Alemão no debate global

Chanceler Alemão, Friedrich Merz
Ricardo Stuckert / PR

As declarações de Merz foram muito além de um simples comentário pessoal; elas acenderam um debate acalorado sobre as percepções internacionais do Brasil, ressaltando as tensões existentes entre líderes políticos em um momento crucial de discussões sobre meio ambiente e turismo. A controvérsia sobre as palavras do Chanceler Alemão sublinha a delicadeza dos diálogos internacionais, especialmente aqueles que tangenciam a imagem e o prestígio de nações anfitriãs de eventos globais. A fidelidade às informações originais do texto reforça o ponto de que a fala, mesmo minimizada pelo porta-voz, gerou um alto impacto político no Brasil.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 20/11/2025
  • Fonte: Teatro Liberdade