Decisão que autoriza PF a firmar colaboração ajudará criminosos
Segundo o procurador Vladimir Aras a decisão do STF de que a PF pode fechar acordos de colaboração premiada é um "desarranjo no sistema acusatório" que vai beneficiar o "criminoso"
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 21/06/2018
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Vladmir Aras, procurador regional da República em Brasília é especialista no combate a crimes financeiros
“Quem ganha não é o interesse público, mas o eventual criminoso que queira ser colaborador: poderá obter mais por menos”, disse Aras, ex-secretário de Cooperação Jurídica Internacional da Procuradoria-Geral da República.
Para ele, a decisão “criou o dilema do carcereiro, por oposição ao dilema do prisioneiro”. “Agora, os potenciais colaboradores podem barganhar suas posições sigilosamente com negociadores da polícia ou do Ministério Público, separadamente, simultaneamente ou um após o outro, para obter o maior benefício no acordo a ser firmado, pagando um menor preço.”
Os delegados da PF, por sua vez, consideram que a decisão do STF – por placar de 10 votos a 1 pelo acordo de delação com investigados sem necessidade de aval do Ministério Público Federal – fez prevalecer “a aplicação técnica do Direito”. “Não haveria porque retirar da PF um dos mais importantes instrumentos de investigação, expressamente previsto pelo legislador”, disse o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix de Paiva. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.