Debate Governador na Globo: Doria duela com França, Marinho e Tavares
Dobradinha com o nanico Rodrigo Tavares diverte plateia. Líderes evitam questionar Márcio França, mas não escaparam do olhar e foco do candidato do PSB
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 03/10/2018
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
No primeiro Bloco, Doria (PSDB), que briga pela liderança com Paulo Skaf (MDB), tabelou assumidamente com o nanico Rodrigo Tavares (PRTB) que teve 1% das intenções de voto no Datafolha de sexta (28) no debate entre os candidatos a Governador de São Paulo, organizado pela TV Globo. Já o nanico Marcelo Candido (PDT) fez sua dobradinha com Márcio França (PSB).
Tavares iniciou a rodada se apresentando como o candidato de Jair Bolsonaro (PSL) no Estado de São Paulo e questionou as propostas de saúde de Doria. O tucano ressaltou então programas realizados na Prefeitura de São Paulo que ele pretende universalizar no Estado, como o corujão da saúde.
Na sequência, Tavares e Doria falaram da necessidade de se ampliar investimentos em tecnologia para as polícias do Estado. O tucano ressaltou o discurso de endurecimento de leis penais.
Por sua vez, Candido questionou França sobre a segurança no Estado e aproveitou para alfinetar indiretamente Doria, que afirmou ontem que, se for eleito, “a polícia vai atirar para matar”. O atual governador disse que uma das metas, se for reeleito, é a de prestigiar os policiais. No segundo bloco, Candido e França trocaram figurinhas sobre habitação.
SKAF SE ESQUIVA DE DEFENDER TEMER E MARINHO ATACA PSDB
O candidato do MDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, evitou defender o presidente Michel Temer e correligionários envolvidos em esquema de corrupção.
Chamado por Lisete Arelaro (PSOL) de “o candidato do Temer”, Skaf reconheceu que “todos os partidos políticos estão desgastados”. A candidata reagiu e disse que ele não estava respondendo à pergunta. “Quem está pagando o pato é o povo brasileiro. Mas aproveito para dizer que tenho grande orgulho de fazer parte do PSOL”, alfinetou. O emedebista afirmou que os governos não funcionam por causa das coligações. “Por isso, nesta eleição, estamos sozinhos”, disse.
O emedebista também foi interpelado por Luiz Marinho (PT). “O Paulo é do partido do Temer, não se deixe enganar”, disse. Skaf, mais uma vez, se esquivou.
Na sequência, Marinho criticou João Doria (PSDB), alvo primordial dele em todos os debates. “Tem candidato aqui diz que vai fazer o que o partido dele não fez em 24 anos. Será que ele é melhor que o candidato à Presidência dele?”, ironizou.
Em dobradinha, professora Lisete e Marinho criticaram a reforma trabalhista e a qualidade da segurança pública paulista, tema de quase todas as perguntas no bloco.
NO SEGUNDO BLOCO, SABESP
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) entrou no centro do debate entre candidatos ao governo paulista da TV Globo.
Em uma questão sobre saneamento básico, João Doria (PSDB) e Paulo Skaf (MDB) defenderam que o controle da Sabesp permaneça com o governo do Estado. O tucano afirmou que a empresa faz um bom trabalho, mas o emedebista disse que é preciso melhorar a qualidade dos serviços prestados.
“Sabesp e outras companhias coletam esgoto, mas não tratam. Em média, eu diria que 40% não é tratado. É como a dona de casa passando aspirador e alguém sujando a sala com um saco de areia” ironizou.
Em outro ponto do segundo bloco, Luiz Marinho (PT) disse que há candidatos que dizem ser contra a privatização da Sabesp, mas que já declararam o contrário, sem citar nomes.
O petista também disse que, se eleito, a Sabesp somente vai voltar a pagar dividendos aos acionistas estrangeiros se tratar todo o esgoto do Estado.
“A Sabesp comete um crime todos os dias. A política da Sabesp determinada pelo governo do Estado é irresponsável. 32% de desperdício de água. Sabesp não trata 45% do esgoto. Coletado e jogado in natura nos rios”, acusou.
FRANÇA E SKAF SE CONFRONTAM EM TERCEIRO BLOCO
O atual governador de São Paulo, Márcio França (PSB), e o candidato Paulo Skaf (MDB) protagonizaram o segundo grande confronto do debate da TV Globo entre postulantes ao Palácio dos Bandeirantes.
No terceiro bloco, de tema livre, França disse que Skaf tem de ter lealdade ao governo de Michel Temer, por ser do mesmo partido. O emedebista evitou defender o presidente, assim como o fez no início do debate.
Skaf, porém, disse que o governo de São Paulo, comandando por França desde abril, não dá “orgulho para ninguém”. “Você está há 8 anos no governo, grande parte da responsabilidade dos problemas também é sua”, afirmou.
DORIA VIRA ALVO DE ADVERSÁRIOS
João Doria foi o principal alvo dos adversários ao longo do terceiro bloco do debate.
Lisete Arelaro (PSOL) referiu-se a “candidato que abandonou a prefeitura” para questionar Doria e tentou colar a imagem do tucano à do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), ao perguntá-lo sobre o que diria ao capitão sobre os “absurdos que ele tem dito”.
O ex-prefeito disse, então, que Bolsonaro deveria revisar as posições dele. “Eu não concordo com elas”, ressaltou. Ele fez ainda um afago a Lisete, em um momento raro do debate ao dizer que a proposta de uma linha de crédito para mulheres empreendedoras, o projeto “Crédito Lilás”, era uma “boa ideia”. “Isso é muito bom, muito positivo, uma ideia nova. É isso que a população deseja”, disse Doria.
Doria aproveitou o tempo restante de uma pergunta para atacar o candidato Marcelo Candido (PDT), ao ressaltar que ele teve contas rejeitadas na prefeitura de Suzano e que há um pedido de prisão contra ele. “Primeiro ele tem de olhar para o próprio umbigo e para a própria história”, disse. “Esse candidato (Cândido) foi prefeito de Suzano e teve suas contas recusadas. Foi membro do PT. Boa aula de crime é frequentar o Partido dos Trabalhadores. Ele está com mandado de prisão, não poderia estar aqui. Minhas contas foram aprovadas na Embratur”, rebateu Doria, durante uma das dobradinhas com Tavares.
Antes do confronto entre Lisete e Doria, na questão anterior, Paulo Skaf (MDB) fez dobradinha com Marcelo Candido (PDT) para criticar gestões tucanas no governo do Estado.
Em rodada com Luiz Marinho (PT), Marcelo Candido disse que São Paulo não quer ser o lugar em que se dá “farinha para as crianças”. “É isso que você quer para o nosso Estado?”, questionou o telespectador.
Na última questão do bloco, Doria disse que nem iria pedir direito de resposta a Candido. “Você teve escola por 8 anos, aprendeu no PT. Aliás, uma boa aula de crime é frequentar o Partido dos Trabalhadores. Não me venha dar lições de moral e fazer acusações mentirosas”, disse, arrancando aplausos da plateia.
Aliás, os poucos convidados reagiram quando o tucano escolheu Rodrigo Tavares (PRTB) para uma rodada de perguntas, em mais uma dobradinha entre eles. “Tá pegando mal”, gritou alguém da plateia.
QUARTO BLOCO: BATE-BOCA ENTRE FRANÇA E DORIA
Uma pergunta sobre segurança pública deu margem ao momento de maior tensão do debate da TV Globo entre concorrentes ao governo de São Paulo. O atual governador, Márcio França (PSB), discutiu com o candidato João Doria (PSDB), que recomendou a ele que tomasse um calmante.
França questionou recentes declarações de Doria, que sugeriram que a polícia “tem de atirar para matar”. O tucano disse que a fala foi retirada de contexto e que se tratava de uma “situação extrema de enfrentamento”.
Na tréplica, o bate-boca teve início. O atual governador acusou Doria de agir como marqueteiro e o tucano começou a balançar a cabeça. “Eu sei quem você é. Por que você tá nervoso?”, ironizou França, ao mesmo tempo que Doria tentava interrompê-lo.
“Você não manda nas pessoas, João. Não meça as pessoas por você. Você não deixa as pessoas falarem. Você não tem direito de ofender as pessoas, a chamar os outros de gordo”, emendou o governador.
O tucano rebateu e disse que França deveria tomar maracugina. Na sequência, ele o acusou de ser ligado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Você é adepto da esquerda. Você defendeu o PT, foi do conselho do governo Lula. Aliás, eu queria saber que conselhos o senhor deu ao presidente Lula, que está preso em Curitiba. O seu partido lutou contra o impeachment de Dilma”, disse.
DUETOS
As dobradinhas ficaram mais evidentes ao longo do quarto bloco do debate. Doria chamou pela quarta vez o candidato Rodrigo Tavares (PRTB) e a plateia reagiu mais uma vez, como no bloco anterior. “Vejo que as pessoas gostam de ouvir as suas propostas Rodrigo”, disse o tucano.
Luiz Marinho (PT) e Marcelo Candido (PDT) fizeram uma dobradinha nas duas rodadas finais de perguntas do bloco, atacando as gestões do PSDB e as privatizações de empresas do Estado.
CANDIDATOS DE SP FAZEM ACENOS AO ELEITORADO FEMININO
Os candidatos ao governo de São Paulo presentes no debate da TV Globo aproveitaram as considerações finais para fazer acenos ao eleitorado feminino.
Nas considerações finais, a professora Lisete Arelaro (PSOL) reclamou que nenhum dos homens fez pergunta a ela. “Note bem isso”, frisou. Ela também pediu votos ao 50 (número do PSOL) “de ponta a ponta”.
João Doria (PSDB) afirmou que vai ampliar os programas para aumentar a segurança de mulheres. O tucano prometeu ainda que será “duríssimo na política de segurança pública”.
Paulo Skaf (MDB) afirmou que em um eventual governo dele vai ter respeito às mulheres, aos idosos e ao homem do campo. Ele encerrou a participação dele citando Gonzaguinha. “Fé na vida, fé no homem, fé no que virá”, afirmou.
Marcelo Candido (PDT) agradeceu o apoio da mãe, da filha e da mulher na corrida eleitoral e aproveitou para pedir votos aos candidatos do partido. “Eu agradeço também a Ciro Gomes, que se encontra preparado para se tornar Presidente da República”, disse.
O atual governador, Márcio França (PSB), pediu ao eleitor que tenha cuidado com “aquela coisa do marketing”, em mais uma crítica velada a Doria. Ele também agradeceu o apoio da mulher, Lúcia.
Os dois candidatos mais bem posicionados à Presidência foram lembrados pelos concorrentes das chapas no governo do Estado.
Rodrigo Tavares (PRTB) disse que vai fazer pelo Estado “o que o nosso presidente Jair Bolsonaro vai fazer pelo País”.
Já Luiz Marinho (PT) ressaltou ser do “Time do Lula” e acusou a organização do debate de proteger Doria, ao não conceder a ele direito de resposta. Ele encerrou a fala entoando o grito de “Lula Livre” e fazendo um gesto de “L” com a mão.