De vendedor de balas a campeão de Grand Slam: a história de Luiz Calixto

Aos 17 anos, Luiz Calixto, descoberto por Léo Butija, conquistou três medalhas no Parapan e um Grand Slam, mudando sua vida e sonhando com as Paralimpíadas.

Crédito: Alessandra Cabral/CPB

Luiz Calixto, um jovem de 17 anos, viu sua vida mudar drasticamente após um encontro inesperado em Belo Horizonte. Enquanto vendia balas e paçocas para ajudar no sustento da família, Luiz cruzou o caminho de Léo Butija, técnico da seleção brasileira de tênis em cadeira de rodas. O que parecia ser uma simples interação à beira da rua resultou em uma oportunidade que mudaria o destino de Luiz.

O primeiro contato ocorreu quando Léo, ao notar que Luiz mancava, vislumbrou a possibilidade de introduzi-lo no mundo do tênis em cadeira de rodas. “Ele percebeu que eu tinha uma prótese e resolveu me ajudar. No entanto, quando o sinal abriu, eu já havia mudado de lugar para vender minhas balas. Duas semanas depois, ele me encontrou novamente e fez questão de conversar com minha mãe,” recorda Luiz.

Desde pequeno, Luiz enfrentou desafios devido à pseudoartrose que o faz ter uma perna menor que a outra. Para contribuir com a renda familiar, além do trabalho da mãe como faxineira, ele buscava alternativas nas ruas. “Sempre passamos por dificuldades e eu precisava fazer algo para ajudar em casa,” explica.

Léo relembra com clareza como tudo começou: “Eu não sabia que ele tinha uma prótese. O vi mancando e pensei que estava com a perna engessada. Depois de conversarmos e levá-lo ao clube, as coisas se desenrolaram rapidamente.”

Luiz iniciou sua jornada no Butija Social Esporte e Cultura sem qualquer experiência em tênis em cadeira de rodas, começando como catador de bolinhas antes de realmente se dedicar aos treinos. “A intenção do Léo era me tirar da rua. Comecei a trabalhar lá e passei a dedicar meu dia ao esporte. Após um tempo, percebi que precisava focar mais seriamente,” conta.

No ano de 2023, Luiz brilhou no Parapan de Jovens em Bogotá, conquistando três medalhas: ouro nas duplas mistas, prata nas duplas masculinas e bronze no individual. Em seguida, alcançou um feito ainda maior ao vencer seu primeiro Grand Slam no Aberto da Austrália nas duplas, ao lado do americano Charlie Cooper.

Ainda estou tentando processar tudo isso. Não esperava ser convidado para a competição devido ao meu ranking. Quando recebi a notícia foi surreal. Pensava comigo: ‘Como assim? Quase não estive aqui e agora sou campeão’,” reflete Luiz sobre sua conquista.

Para Léo Butija, a evolução de Luiz nos últimos anos é impressionante: “Ele agora ocupa a quinta posição no ranking mundial e sua trajetória é uma verdadeira inspiração. De vendedor de paçocas a campeão de Grand Slam em apenas dois anos e meio é algo notável.”

O título do Aberto da Austrália não apenas enriquece o currículo esportivo de Luiz, mas também representa um novo começo em sua carreira. “É um grande impulso para mim, especialmente porque não acreditava que conseguiria ir para essa competição. Este título é um incentivo para continuar treinando e evoluindo,” diz.

Além das competições que pretende participar nos próximos meses, Luiz tem grandes sonhos para o futuro, incluindo a classificação para as Paralimpíadas de Los Angeles em 2028. Ao mesmo tempo, ele expressa o desejo de iniciar uma formação acadêmica: “Preciso estudar e planejar meu futuro. No tênis profissional, a carreira é curta; então, é essencial ter um plano B. Provavelmente, vou optar por algo relacionado ao esporte, talvez Educação Física.”

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 09/02/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo