De Pão e Circo à emprego, inflação, renda e juros
Em entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, Henrique Meirelles fala sobre eleições, Lula, Kassab e anseios populares
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 22/01/2018
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Apontado como possível candidato à Presidência, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que quatro fatores relacionados à economia serão preponderantes para a decisão do eleitor em 2018: emprego, inflação, renda e juros. “O resultado disso é o que vai contar mais (para eleição)”, afirmou o ministro, que enumerou bons resultados obtidos pelo governo Michel Temer nessas quatro áreas durante sua gestão à frente da economia.
Meirelles ressaltou que ainda não decidiu se vai ou não concorrer ao cargo de presidente e reafirmou que tomará a decisão entre o fim de março e o início de abril, prazo máximo para a desincompatibilização de futuros candidatos que hoje ocupam cargos na administração pública.
O ministro reconheceu, porém, que há uma defasagem entre a melhora da economia e a percepção da população, o que chamou de “índice de bem-estar”. Segundo Meirelles, esse índice já começou a subir, embora devagar. “À medida que economia continue melhorando, o índice de bem-estar vai melhorar mais”, afirmou, em entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, gravada na quinta-feira, 18, e exibida no início da madrugada desta segunda-feira, 22.
O ministro também reconheceu não haver uma medida objetiva de bem-estar, mas explicou que é possível saber sua dinâmica pela percepção da população sobre uma série de fatores, como a inflação. Hoje, disse o ministro, as pessoas continuam achando que os produtos estão ficando mais caros, mas para ele é uma questão de tempo para a população perceber a inflação baixa.
Caso seja candidato, o ministro reafirmou que acredita na criação de empregos como a melhor política social. “Tenho dito que política social é importante, todas as medidas específicas são importantes, mas a melhor política social é o emprego. Não há política social que resolva ou compense desemprego muito alto”, afirmou.
Apesar das resistências à aprovação da reforma da Previdência, Meirelles garantiu que está totalmente engajado na proposta e que é “coerente” que ele apoie um projeto reformista de governo.
LULA
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é “positiva do ponto de vista político e eleitoral”, por ser mais uma opção à escolha da população. O ministro ressaltou, porém, que a questão judicial é “outra coisa”.
Lula foi condenado em primeira instância no âmbito da Operação Lava Jato e terá recurso julgado na quarta-feira, 24, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. Pela Lei da Ficha Limpa, condenados em segunda instância ficam inelegíveis.
“Acredito que, quanto mais candidatos disputarem a eleição, melhor, inclusive o presidente Lula. Do ponto de vista político e eleitoral, é positiva a participação de Lula, é mais uma opção para a população. Agora, outra coisa é a questão judicial”, disse o ministro.
Meirelles foi presidente do Banco Central nos dois mandatos de Lula, entre 2003 e 2010, e agora pode virar adversário do petista nas eleições – caso ambos confirmem suas candidaturas. O ministro da Fazenda ressaltou que, quando trabalhou no governo do petista, tinham visões diferentes sobre a economia, mas uma relação pessoal “cordial”. Meirelles também destacou que Lula sempre lhe deu autonomia para atuar como presidente do BC. “Fui independente”, assegurou.
O ministro confirmou que houve conversas, na campanha de 2010, para fazer dele o vice de Dilma Rousseff na chapa presidencial, mas ressaltou que a ideia (aventada por Lula) não foi para a frente. “Não houve aceitação minha, nem dela”, disse.
O ministro confirmou ainda ter recebido convite para assumir o Ministério da Fazenda no fim de 2015, no governo Dilma, após a saída de Joaquim Levy. “Aí sim houve convite formal, e achei que não era o momento, que de fato a situação para fazer tudo aquilo que achava necessário não era mais viável.”
Meirelles afirmou ainda não saber se Lula é capaz de voltar à Presidência com um novo projeto de País. “Isso cabe a ele dizer, ele que tem que deixar claro isso”, disse.
KASSAB
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse ter o apoio do PSD, partido ao qual é filiado, para se candidatar à Presidência da República, caso decida de fato concorrer ao cargo. Segundo ele, o presidente licenciado da legenda, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, já deixou clara essa posição. “Tenho tido experiência muito positiva com Kassab. Tudo aquilo que combinamos temos cumprido no aspecto político”, disse Meirelles, citando como exemplo o recente programa partidário exibido em cadeia nacional, do qual foi o protagonista.
“Eu tenho que decidir se sou candidato ou não. Decidido isso, a partir daí vamos conversar (com Kassab) e chegaremos à conclusão. A posição dele pra mim hoje é clara de apoio à candidatura, caso eu decida concorrer”, afirmou o ministro da Fazenda