DaVila Nós Somos: Sampa Masters celebra 30 anos no Vale do Anhangabaú
Três décadas de história e resistência da Cultura Hip Hop serão comemorados com programação gratuita no centro de São Paulo
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 26/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
No próximo domingo, 27 de julho, das 14h às 22h, o Vale do Anhangabaú será transformado em um grande palco da cultura de rua com o evento “Aniversário Sampa Masters – 30 anos”, realizado pelo coletivo DaVila Nós Somos. A ação gratuita marca um momento histórico de celebração das raízes, da evolução e da força da Cultura Hip Hop e Lowrider no Brasil — especialmente em São Paulo, onde o movimento urbano encontrou terreno fértil para se tornar um dos mais potentes vetores de transformação social.
Inspirado por valores como resistência, criatividade, coletividade e identidade, o Hip Hop surgiu no Brasil no início dos anos 1980, influenciado por artistas norte-americanos e rapidamente adaptado à realidade das grandes cidades brasileiras. São Paulo, em especial, tornou-se berço de crews lendárias, batalhas emblemáticas e manifestações artísticas como o grafite, o break e o rap, consolidando uma cena única e autêntica. Dentro desse contexto, o Sampa Masters Estilo Biológico firmou-se como um dos grupos influentes, reconhecido por sua atuação em danças urbanas, produção cultural e preservação das tradições do Hip Hop.

A origem do Sampa Masters
Telmo Rocha, um dos precursores e fundadores do Sampa Masters, compartilha a essência da criação do grupo: “Eu ia sábado para São Bento, sentava na escadaria, ficava assistindo a galera que dançava a tarde inteira. Tinha receio de pedir para alguém me ensinar. No domingo, pulava o muro do Francisco de Paula, e ia treinar aquilo que tinha visto.” Foi nesse processo de autoaprendizagem que Telmo encontrou Sandro e Adni, que, ao vê-lo dançar, expressaram o desejo de aprender os movimentos do break. “O Sandro e o Adni já dançavam funk style. Um dia, chegaram em mim e falaram que queriam aprender a fazer os movimentos do break. Eu comecei a treiná-los. E assim resolvemos montar um grupo, tendo como nome Ast Breakers”.
Ao longo de três décadas, o Sampa Masters consolidou-se como uma referência de crew, um feito notável no universo do break. Telmo Rocha destaca a importância dessa longevidade: “O grande desafio mesmo em relação ao break é continuar as crews. Então, uma crew que tem 30 anos hoje, consolidada, já é uma luta; ter 30 anos em uma caminhada é para poucas crews em São Paulo que têm essa caminhada.”
A transição para Sampa Breakers marcou um novo capítulo, culminando em uma participação notável na Batalha do Ano de 1999, onde o grupo conquistou o terceiro lugar. “A gente ficou em terceiro lugar e aí isso deu um boom, mais integrantes entraram no Sampa, foi muito legal isso.” A evolução continuou, e por volta de 2000-2002, surgiu a ideia de mudar o nome para Sampa Masters do Estilo Biológico. “Por que do estilo biológico? Porque a ideia do estilo biológico, é o significado do nosso próprio estilo. Então, o Sampa sempre foi uma crew de criar coisas. A gente era muito empenhado em criar a partir das bases do breaking”.


O evento integra a programação do Novo Anhangabaú com um núcleo coletivo que oferece a atividade regular da semana através do Lab Breaking, que desde agosto de 2024 vem promovendo encontros e treinos gratuitos, reunindo mais de 350 pessoas de agosto de 2024 a junho de 2025. O “Aniversário Sampa Masters – 30 anos” é o ponto alto dessa jornada, reunindo os vanguardistas do movimento.
A programação contempla apresentações de MC’s, DJ’s com discotecagem ao vivo e uma sequência eletrizante de batalhas comemorativas de danças urbanas, com a presença de dançarinos experientes e talentos emergentes. Estão previstas batalha de Breaking, com a participação de B-Boys e B-Girls, batalhas de All Styles, e formatos especiais como o 7 to Smoking, que envolve categorias como Power Moves, Campbell Lock, Roller Dance, B-Girls, All Style, além da icônica Batalha de Crews, que promete movimentar o público com energia e técnica.

Além das danças, haverá batalhas de patins (Roller Dance), uma exposição de graffiti em telas, e a aguardada exposição de veículos Lowrider, com carros customizados em exibição estática e bicicletas Lowbike estilizadas — símbolos visuais e culturais da cena urbana internacional e suas adaptações brasileiras. O público também poderá participar de atividades interativas e vivências ligadas aos pilares do Hip Hop, em um espaço que convida ao encontro e à troca de saberes.
Os vencedores das batalhas serão premiados com obras produzidas por grafiteiros convidados, além de presentes simbólicos personalizados oferecidos pelo acervo do Sampa Masters Estilo biológico.
O Sampa Masters participou de inúmeros campeonatos, como Master Crews, Guys Festival e Do Loco (Batalha do Ano), e seus integrantes expandiram sua atuação para companhias de dança e comerciais, demonstrando a versatilidade e o impacto do grupo. Além das batalhas, o Sampa Masters destaca-se por sua atuação social, formando pessoas que hoje trabalham com educação e ações afirmativas. “O Sampa é uma grande resistência, isso para mim já é a maior resistência que existe, o maior ganho que existe, que o Sampa virou uma referência dentro da sua própria quebrada, que é onde a gente começa a falar sobre o DaVila”, afirma Telmo.
DaVila Nós Somos
Telmo Rocha explica a formação do coletivo Da Vila Nós Somos, que uniu diferentes pilares da cultura hip-hop: “Dentro do Sampa, lá atrás, a gente tinha uma referência da galera do Bronx, da galera que tinha uma força de conjunto dentro da cultura hip-hop”. A junção de talentos como Adni (lowriders), Telmo (breaking), Chambis (grafite) e Sandro (DJ) deu origem ao Da Vila. “E aí, formando com esses quatro pilares, a gente montou o DaVila Nós Somos”.
Essa união se materializou em uma sede no Jardim Maria Sampaio, que se tornou um centro de atividades culturais. O espaço também ofereceu oficinas de hip-hop para crianças da comunidade, incluindo breaking e grafite, e sediou shows e eventos, como o aniversário de 17 anos do Sampa Masters. Telmo enfatiza que o DaVila é mais do que um evento; é um “momento de comemoração de uma cultura de resistência”, celebrando a diversidade e a força da cultura periférica, reunindo artistas de rua de todas as vertentes para celebrar a resistência e a história do Sampa Masters.
Confira a programação completa do Novo Anhangabaú no site ou nas redes sociais.
Serviço – Aniversário Sampa Masters – 30 anos
Data: 27 de julho
Horário: 14h às 22h
Local: Vale do Anhangabaú (Embaixo do Viaduto do Chá) – Centro Histórico de São Paulo
Como chegar: Metrô Anhangabaú – Linha Vermelha