Datafolha: 57% reprovam defesa de Trump a Bolsonaro e tarifas
Pesquisa Datafolha: 57% dos brasileiros rejeitam intervenção de Trump no julgamento de Bolsonaro; opinião dividida sobre perseguição política.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 31/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Uma pesquisa recente realizada pelo Datafolha, divulgada na quinta-feira (31), revela que uma significativa maioria da população brasileira, equivalente a 57%, considera incorreta a solicitação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que a Justiça brasileira suspenda o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Por outro lado, 36% dos entrevistados defendem que Trump está correto em sua posição, enquanto 7% optaram por não se manifestar sobre o assunto.
A pesquisa foi conduzida nos dias 29 e 30 de julho e revelou que a determinação de Trump em impor tarifas sobre as exportações brasileiras está diretamente ligada ao julgamento de Bolsonaro, que enfrenta acusações de tentativa de golpe de Estado. Os participantes foram questionados se concordavam com a intervenção do líder americano nesse contexto.
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Com um total de 2.004 entrevistados maiores de 16 anos distribuídos em 130 municípios, a pesquisa apresenta uma margem de erro de até dois pontos percentuais.
Os dados mostram uma mudança na percepção entre os apoiadores do ex-presidente. Entre os eleitores que votaram em Bolsonaro em 2022, 66% acreditam que a atitude de Trump é correta, enquanto 28% discordam e 6% não têm opinião formada.
Por outro lado, os eleitores do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentam uma visão oposta: 82% consideram errada a tentativa de Trump de interferir no processo judicial contra Bolsonaro, com apenas 13% apoiando sua posição e 5% sem opinião definida.
A pesquisa também abordou a percepção popular sobre se o ex-presidente Jair Bolsonaro estaria sendo alvo de perseguição política. A resposta foi dividida: metade dos entrevistados acredita que não há perseguição, enquanto 45% opinam que Bolsonaro está sendo injustiçado. Outros 5% não souberam responder.
No recorte por gênero, a porcentagem daqueles que veem Bolsonaro como alvo de perseguição sobe para 48% entre homens e permanece em 41% entre mulheres. Entre os jovens na faixa etária de 16 a 24 anos, o percentual é menor, alcançando apenas 37%.
A segmentação por renda mostra que 59% das pessoas com ganhos entre cinco e dez salários mínimos acreditam na perseguição ao ex-presidente. Este índice diminui para 42% entre aqueles com renda inferior a dois salários mínimos e fica em 45% entre quem recebe entre dois e cinco salários.
Atualmente, Jair Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal (STF), enfrentando acusações relacionadas à liderança de um suposto plano golpista visando manter-se no poder após a vitória eleitoral de Lula em 2022. Ele já foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por desinformação sobre o sistema eleitoral e encontra-se inelegível até pelo menos o ano de 2030.
No mês passado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou suas alegações finais contra Bolsonaro, e espera-se que o processo referente à tentativa de golpe seja julgado no início de setembro. Se condenado por crimes como organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, ele poderá enfrentar penas superiores a 40 anos de prisão.
Datafolha: Maioria acha que Eduardo Bolsonaro influenciou tarifaço
Além disso, o Datafolha investigou as opiniões sobre o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e seu papel nas recentes decisões tarifárias tomadas por Trump. Nos últimos dias, Eduardo tem viajado pelos Estados Unidos defendendo seu pai e solicitando punições contra ministros do STF.

A pesquisa revela que 39% da população acredita que as ações do filho do ex-presidente tiveram um grande impacto na decisão tarifária americana, enquanto 28% consideram que houve uma influência moderada. Para 20%, as ações de Eduardo não tiveram nenhum impacto.
Entre os eleitores que apoiaram Bolsonaro em 2022, apenas 26% afirmaram que as iniciativas do deputado tiveram um impacto significativo na decisão tarifária, enquanto 38% consideraram que o impacto foi moderado.