Dança cigana afasta idosos do sedentarismo
Oficinas acontecem todas as terças-feiras em São Bernardo na Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 21/10/2014
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Engana-se quem pensa que dançar é prerrogativa dos jovens. Oficinas de dança cigana oferecidas a idosos pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (Sedesc) de São Bernardo do Campo mostram que a atividade, como meio de entretenimento e bem-estar, traz benefícios em qualquer etapa da vida. Todas as terças-feiras, 75 alunos, divididos em duas turmas, interagem e se divertem com as aulas da professora Angélica Vianna Barros, 48 anos, sem se importar com o peso da idade.
Desde que a oficina foi criada, há dez anos, Angélica transmite a magia da dança cigana à terceira idade, e listou a série de benefícios. “A dança contribui para o fortalecimento das musculaturas das pernas, para o equilíbrio e noção espacial nas movimentações, e também serve como terapia. A dança cigana é livre e transmite liberdade. Com essas atividades, redescobrem o prazer de viver. Alguns deles (alunos) relatam que tiveram depressão, mas que depois de iniciarem as aulas, o médico até reduziu o uso de medicamentos, como ansiolíticos.”
João Conto, 61 anos, superou a timidez, começou a fazer aulas há três anos e atesta os benefícios. “Você tem de fazer aquilo que te faz bem. No meu caso, a dança ajudou a reduzir o colesterol e minimizou as complicações do diabetes. Acabei com o sedentarismo e agora também estou fazendo academia. Não pode é parar, senão o corpo trava”, brinca o aposentado.
A dona de casa Elvira de Oliveira, 78, frequenta a oficina há dois anos e garante que a dança transformou sua vida. No início, conta, ficou na dúvida sobre se devia seguir, porque o marido era pastor metodista e ela não se sentida à vontade para ir sozinha às aulas. “Ele até veio algumas vezes, mas ficava um tempinho e já queria ir embora. Ele tem 84 anos e estava com depressão, mas um dia ele me disse: ‘filha, estou com esse problema (depressão), mas não é por isso que você tem de ficar em casa também, saia, vá ser feliz'”, relatou, emocionada.
Elvira diz que a dança reforçou seu amor pela vida, e se mostra feliz com o apoio do marido. “Dia desses, assim que acordamos ele perguntou se eu estava bem e falou que estou mais bonita. Acho que as aulas é que trouxeram esse benefício”, acredita a dona de casa, que é mãe de cinco filhos, tem 23 netos e 12 bisnetos, e se diz cheia de energia para seguir “dançando para a vida”.
As oficinas de dança cigana são realizadas no Centro de Referência do Idoso (CRI), na Rua Redenção, 271, Centro. Podem participar pessoas com 60 anos ou mais. Informações pelo telefone 4126-3675.