Programa nacional combate cyberbullying contra PcD

Diferente das agressões físicas, o cyberbullying é contínuo e muitas vezes invisível, atingindo severamente a saúde mental e a autoestima

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A luta contra a discriminação ganhou um novo e importante capítulo no ambiente virtual. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados aprovou a criação de um programa nacional voltado especificamente para enfrentar o cyberbullying contra pessoas com deficiência (PcD). A medida reconhece que o anonimato e a velocidade da internet potencializam estigmas e barreiras que esse público já enfrenta no cotidiano.

Uma rede de proteção no mundo online

Diferente das agressões físicas, o cyberbullying é contínuo e muitas vezes invisível, atingindo severamente a saúde mental e a autoestima. O novo programa busca preencher essa lacuna institucional por meio de:

  • Educação e Prevenção: Campanhas de conscientização e capacitação de profissionais (especialmente na educação) para identificar e intervir em casos de hostilidade.
  • Canais de Denúncia Acessíveis: Fortalecimento de mecanismos para que a PcD possa relatar abusos de forma efetiva e receber o apoio necessário.
  • Responsabilização: Articulação com empresas de tecnologia para garantir ambientes digitais mais seguros e punir práticas ofensivas.

Por que uma política específica?

Pessoas com deficiência enfrentam obstáculos adicionais na comunicação e na interação social que, na rede, acabam sendo usados como armas para exclusão e humilhação. A proposta visa criar uma cultura de respeito, garantindo que o mundo digital seja um espaço de inclusão, e não de violência simbólica.

Inclusão Digital e Suporte Econômico: A visão do especialista

A proteção contra o cyberbullying é apenas uma das faces da dignidade. Para o advogado especialista Dr. João Valença, a segurança da pessoa com deficiência deve ser vista de forma integral, unindo o apoio jurídico à estabilidade econômica.

Nesse contexto, o acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) é fundamental. O benefício, que garante um salário mínimo mensal para pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade, oferece o suporte financeiro necessário para que o indivíduo tenha autonomia e condições de participar plenamente da sociedade — inclusive no meio digital.

“A proteção não pode se restringir à punição de quem agride. É preciso assegurar inclusão efetiva, com acesso ao BPC e instrumentos que garantam dignidade e autonomia”, destaca Dr. João Valença.

Próximos Passos

Com o avanço do programa, o poder público, a sociedade civil e as empresas de tecnologia deverão trabalhar em conjunto. O objetivo final é claro: garantir que o ambiente conectado seja um reflexo de uma sociedade mais justa, onde a pessoa com deficiência esteja amparada tanto na esfera social quanto na econômica e digital.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 13/01/2026
  • Fonte: FERVER