Custo de vida na RMSP sobe no fim do ano mas 2026 traz alívio
Alta em novembro pressiona orçamento, mas FecomercioSP projeta inflação moderada e recuperação do poder de compra para as famílias em 2026.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 05/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O custo de vida na RMSP encerrou o ano em ritmo de aceleração, impactando diretamente o planejamento financeiro das famílias paulistanas. Dados recentes apontam que, em novembro, o índice registrou uma variação de 0,41%, acumulando uma alta de 5,03% nos últimos 12 meses.
A análise por estratificação social revela desigualdades no impacto inflacionário. A classe E sofreu a maior variação de preços no período, com avanço de 0,48%. As classes B e A aparecem na sequência, registrando altas de 0,35% e 0,33%, respectivamente.
Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), essa movimentação não reflete um problema estrutural. A entidade avalia que as elevações são sazonais e a trajetória de longo prazo aponta para um arrefecimento, o que deve estabilizar o custo de vida na RMSP.
Transportes e turismo pressionam o custo de vida na RMSP
O segmento de transportes atuou como o principal vilão da inflação no período. Com uma alta expressiva de 0,54%, o grupo foi responsável por 0,12 ponto percentual (p.p.) na variação geral do indicador.
A pressão sobre o custo de vida na RMSP neste setor foi impulsionada majoritariamente pelo turismo de lazer e feriados. Os destaques de alta incluem:
- Passagens aéreas: Salto de 10,8%.
- Ônibus interestadual: Elevação de 3,33%.
- Etanol: Avanço de 1,4% no varejo.
- Gasolina: Alta de 0,7%.
Essa dinâmica afetou de forma distinta as classes sociais. Lares de maior renda (Classe A), que consomem mais serviços de turismo, sentiram uma variação de 1,06% neste grupo. Já a Classe E vivenciou quase uma estabilidade no transporte, com variação de apenas 0,04%.
Alimentos e habitação pesam no orçamento doméstico
Outro fator que elevou o custo de vida na RMSP foi o grupo de Habitação, com incremento de 0,53%. O reajuste da energia elétrica (0,7%) e o encarecimento de materiais de construção — como tijolo e cimento (2,3%) — foram determinantes.
Paralelamente, o grupo de Alimentação e Bebidas voltou a pressionar o bolso do consumidor, registrando a segunda maior alta do mês (0,42%). As famílias encontraram preços mais salgados nas carnes e vegetais:
- Alface: +4,7%
- Patinho: +4,2%
- Óleo de soja: +3,2%
- Acém: +2,8%
Em contrapartida, houve alívio nos laticínios, com quedas no leite longa vida (-2,3%) e no queijo (-2%).
Vestuário e Eletroeletrônicos
As compras de fim de ano também ficaram mais caras no quesito vestuário, com alta geral de 0,88%. Bermudas masculinas e vestidos subiram cerca de 3%.
Na contramão das altas que inflaram o custo de vida na RMSP, o grupo de Artigos do Lar foi o único a registrar retração (-0,38%). A queda foi puxada pelos eletroeletrônicos:
- Refrigeradores: -3,4%
- Microcomputadores: -2,2%
- Fogões: -1,8%
Índices de Varejo e Serviços
O Índice de Preços do Varejo (IPV) apontou alta de 0,45%, acumulando 2,75% no ano. Já o Índice de Preços dos Serviços (IPS) avançou 0,36%, com acumulado de 5,97% em 2025. O setor de serviços continua mostrando resiliência e pressionando a inflação, especialmente através dos custos de habitação.
Apesar dos números de novembro, a expectativa econômica permanece positiva. Uma inflação mais moderada deve auxiliar na recomposição da renda e fortalecer o poder de compra. Esse cenário contribui para manter o orçamento familiar sob controle e sugere que o custo de vida na RMSP tende a ser menos agressivo no início de 2026.