Cunha e Edinho Silva podem ser alvos de investigação por parte da PGR
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), e o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva (PT), também devem ser alvos de investigação PGR
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 02/05/2016
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O procurador-geral Rodrigo Janot enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedidos para investigar diversos nomes da política brasileira, todos eles citados na delação do senador Delcídio Amaral (sem partido-MS). Conforme noticiado mais cedo, também estão na lista o senador Aécio Neves (PSDB-MG) o deputado Marco Maia (PT-RS) e o ministro Vital do Rêgo, do Tribunal de Contas da União (TCU).
A medida foi tomada com base na delação do senador Delcídio Amaral, preso em novembro de 2015 por tramar contra a Operação Lava Jato. Em fevereiro deste ano, o ex-líder do governo no Senado fez delação premiada e foi solto.
Em sua delação, Amaral chamou Cunha de “menino de recados” do banqueiro André Esteves em assuntos de interesse do Banco BTG, “especialmente no que tange a emendas às Medidas Provisórias que tramitam no Congresso”. Entre as tratativas de Esteves com Eduardo Cunha, noticiadas à época, estaria a possibilidade de inclusão de mecanismos para que bancos falidos utilizassem os Fundos de Compensação de Variações Salariais (FCVS) para quitar dívidas com a União.
Já Edinho Silva foi acusado por Delcídio Amaral de ter “esquentado” doações provenientes da indústria farmacêutica com notas frias e orientado o senador a fazer o mesmo para saldar R$ 1 milhão de dívida de sua campanha. Na oportunidade, Amaral disse acreditar que “a mesma situação ocorreu com outros candidatos que podem ter se utilizado de laboratórios farmacêuticos para os mesmos fins ilegais similares”.
Na delação, o senador afirmou ainda que Aécio Neves atuou para maquiar dados do Banco Rural na CPI dos Correios. Presidida por Delcídio em 2005, a comissão investigou o mensalão, esquema que utilizava as empresas do empresário Marcos Valério para lavagem de dinheiro. Além disso, o delator também disse ter ouvido que o tucano mantém conta no paraíso fiscal de Liechtenstein.
O delator admitiu ter “segurado a barra” para que não viesse à tona a movimentação financeira das empresas de Marcos Valério no Banco Rural que “atingiriam em cheio” o atual presidente do PSDB e seus aliados. Segundo Delcídio o tema foi tratado na sede do governo mineiro, por volta de 2005 e 2006, quando Aécio governava o Estado e ainda lhe teria oferecido o avião do governo de Minas para ir ao Rio, o que foi aceito pelo senador.
Delcídio Amaral afirmou, também em relação a Aécio, que “sem dúvida” o presidente nacional do PSDB recebeu propina em um esquema de corrupção na estatal de energia Furnas que, segundo o delator, era semelhante ao da Petrobras, envolvendo inclusive as mesmas empreiteiras.
O ex-líder do governo tem experiência no setor elétrico, conhece o ex-diretor de Engenharia de Furnas Dimas Toledo, apontado como o responsável pelo esquema de corrupção, e disse ter ouvido do próprio ex-presidente Lula, em uma viagem em 2005, que Aécio o teria procurado pedindo que Toledo continuasse na estatal.
Delcídio também ligou o presidente da Câmara a Furnas. O senador disse “Eduardo Cunha tinha comando absoluto da empresa, acredita que ele tenha recebido vantagens ilícitas”.
“Em relação a Furnas, Dilma teve praticamente que fazer uma intervenção na empresa para cessar as práticas ilícitas, pois existiam muitas noticias de negócios suspeitos e ilegalidade na gestão da empresa; que, ao que parece, ‘a coisa passou da conta’; que atualmente em Furnas praticamente toda a
diretoria é de confiança de Dilma Rousseff; que a atual diretoria e absolutamente técnica e vários nem são de Furnas; que questionado até quando durou o esquema de ilegalidades de Furnas, respondeu que até uns quatro anos atrás, quando Dilma mudou a Diretoria, ou seja, ate a penúltima diretoria; que esta mudança na diretoria de Furnas foi o início do enfrentamento de Dilma Rousseff e Eduardo Cunha, pois este ficou contrariado com a retirada de seus aliados de dentro da companhia”, afirmou o delator.
Em seu termo de colaboração número 17, Delcídio relatou “ilicitudes envolvendo o desfecho da CPMI que apurava os crimes no âmbito da Petrobras”, em 2014.
“A CPMI de 2014 obrigava Léo Pinheiro, Julio Camargo e Ricardo Pessoa a jantarem todas as segundas-feiras em Brasília. O objetivo desses jantares era evitar que os empresários fossem convocados para depor perante a CPMI”, afirmou o senador em sua delação.
O ex-líder do governo afirmou que Vital do Rêgo, então presidente da Comissão, e Marco Maia, entre outros, “cobravam ‘pedágios’ para não convocar e ‘evitar’ maiores investigações contra Léo Pinheiro, Julio Camargo e Ricardo Pessoa”.