Cunha diz que compra de seu silêncio foi ‘;forjada’ para derrubar Temer
Cunha negou ter recebido dinheiro de Joesley Batista para não fazer delação e afirmou que a suposta compra do seu silêncio foi "forjada para derrubar o mandato de Michel (Temer)"
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 16/08/2023
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
A fala de Cunha foi em resposta a uma pergunta do juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília, no âmbito dos interrogatórios da ação penal derivada da Operação Sépsis.
“Deram uma forjada e Joesley foi cúmplice e agora está pagando o preço por isso”, afirmou Cunha. A suposta compra do silêncio de Cunha apareceu pela primeira vez após divulgação do áudio da conversa gravada entre Temer e Joesley no Palácio do Jaburu. Em seu acordo de colaboração, Batista disse ter efetuado pagamentos para Cunha e seu operador, Lúcio Bolonha Funaro, com o objetivo de manter os dois em silêncio na prisão.
A informação embasou a abertura de investigação e posterior oferecimento de denúncia contra Temer pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot.
Ainda em seu depoimento, Cunha afirmou ter participado de um encontro entre Joesley Batista e Michel Temer realizado em 2012. A revelação de Cunha sobre a reunião foi no momento em que o juiz Vallisney de Souza elencava perguntas sobre possíveis irregularidades no aporte do FI-FGTS na empresa Eldorado Celulose, do grupo J&F.
Cunha negou qualquer envolvimento com pagamentos de propina por empresas e disse desconhecer os supostos desvios na Caixa, classificando de “ridícula” a suposição de que receberia dinheiro para não delatar Temer no esquema.
Como meio de demonstrar que não está recebendo por seu silêncio, Cunha disse viver atualmente em “situação de absoluta penúria”, não tendo condições de sequer pagar os honorários de seus advogados.
Impeachment
O ex-deputado negou ainda ter pedido dinheiro para comprar o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, crime do qual foi acusado na delação premiada de seu ex-operador financeiro Lúcio Funaro.
“É ridícula a afirmação dele de que pedi dinheiro para o impeachment”, disse Cunha. “Cadê a mensagem de que eu pedi? Cadê a mensagem de que paguei? Nessa data do impeachment tinha seis meses que não encontrava ele [Funaro].”