Cuidado com os Tomates

Tomates que são vendidos no ABC paulista vêm acompanhados com coquetel de 17 agrotóxicos, nível três vezes acima do recomendado por lei, informa CRAISA

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Laudo entregue pela Companhia Regional de Abastecimento de Santo André (Craisa) no último dia 3 à Defensoria Pública de Santo André informa que a contaminação por agrotóxicos está com os níveis três vezes acima do que os permitidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e são impróprios para consumo.

“É um novo patamar de contaminação. Nunca vimos nada parecido. A suspeita é que exista um kit de substâncias extremamente perigosas circulando”, informa o defensor público Marcelo Novaes.

Em outubro deste ano, a Defensoria Pública promoveu uma audiência pública sobre contaminação por agrotóxicos nos alimentos, organizada por Novaes. O resultado foi alarmante e Marcelo Novaes ressaltou que “as pessoas precisam saber o que comem e bebem. Em alguns alimentos foram encontrados resíduos de sete tipos de agrotóxicos. É uma bomba atômica”. Analisando os dados de amostras de alimentos comercializados pela Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), a Profa. Karen Friedrich, doutora em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz, e servidora pública do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) da mesma FIOCRUZ verificou que foram encontrados 254 resíduos de agrotóxicos, sendo que 43% dos alimentos foram considerados como insatisfatórios (agrião, cebola, cenoura, morango, pepino e tomate). O número de resíduos por amostra variou de um (cebola, laranja e limão) a sete agrotóxicos diferentes (tomate).

De lá para cá, em muito pouco tempo, esse número saltou para 17 agrotóxicos. A Craisa que está correndo na contramão para evitar danos maiores na mesa dos consumidores. “Infelizmente, os tomates foram consumidos. A amostragem é muito pequena. Mas, é com essas análises, que queremos começar a fiscalizar”, explicou o engenheiro agrônomo da Craisa, Fábio Vezzá de Benedetto.

Em 7 de outubro, a companhia reafirmou seu comprometimento com o fortalecimento da segurança alimentar ao apresentar, durante audiência pública em Santo André, uma portaria que institui o Programa de Rastreamento de Produtores/Fornecedores e Monitoramento de Qualidade de Produtos. O objetivo da ação é fiscalizar a presença de agrotóxicos de uso não autorizado ou acima dos limites fixados pela Anvisa nos produtos hortifrutigranjeiros comercializados no âmbito municipal.

Com a iniciativa, a Craisa remeterá mensalmente amostras de 15 culturas de alimentos vegetais para realização de exames em busca de traços de agrotóxicos. Em um primeiro momento, são examinados os seguintes itens: abacaxi, abobrinha, alface, banana, batata, cebola, cenoura, laranja, maçã, mamão, milho, pepino, pimentão, tomate e uva.

“Não teremos competência para multar e nem é essa a nossa intenção, mas sim, de sermos um colaborador para este processo por meio de um instrumento de monitoramento. Ou seja, ao identificarmos uma irregularidade, nosso papel será o de dar ciência desta situação aos órgãos de controle competentes para que as medidas cabíveis sejam tomadas”, explicou o superintendente da Craisa, Hélio Tomaz Rocha.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 11/12/2015
  • Fonte: FERVER