Cubatão projeta usina de lixo para gerar energia limpa
Com tecnologia chinesa, Cubatão pretende transformar o Sítio dos Areais em um Polo de Energia Sustentável através de incineração de resíduos.
- Publicado: 11/02/2026
- Alterado: 16/02/2026
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Itaú Cultural
Cubatão deu um passo decisivo nesta segunda-feira (16) rumo à vanguarda da sustentabilidade industrial no Brasil. A prefeitura municipal avançou nos planos para a instalação de uma Unidade de Recuperação Energética (URE), projetada para incinerar resíduos sólidos e converter o lixo urbano em energia elétrica e vapor térmico. O projeto tem como endereço o antigo Sítio dos Areais, local que por décadas serviu como lixão e que agora deve se tornar o símbolo da economia circular na região.
A iniciativa faz parte da estratégia de reindustrialização sustentável liderada pelo prefeito César Nascimento. Segundo a administração, o objetivo é aplicar em Cubatão o que há de mais moderno em eficiência térmica e filtragem de emissões, garantindo que o impacto ambiental seja controlado sob padrões rigorosos. “Precisamos pensar estrategicamente em sustentabilidade e desenvolvimento econômico. A Cidade precisa crescer e gerar renda para o povo cubatense”, afirmou o chefe do Executivo.
Tecnologia chinesa para o futuro de Cubatão
Para viabilizar a proposta, representantes da prefeitura se reuniram na última semana com executivos da China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC), parceira da SUS Environment, referência global no setor. A tecnologia apresentada, conhecida como Waste-to-Energy (WTE), é amplamente utilizada em países desenvolvidos e foi responsável por reduzir drasticamente a dependência de aterros sanitários na China.
Em Cubatão, a usina terá a função de processar o lixo doméstico e comercial, transformando-o em insumos energéticos que poderão abastecer o próprio Polo Industrial e o futuro Corredor Porto-Indústria (COPI). Essa integração promete reduzir os custos operacionais das empresas locais e atrair novos investimentos focados em baixo carbono, como a indústria do Hidrogênio Verde, que também está no radar das autoridades.
PPP e os desafios do licenciamento ambiental
A viabilização financeira do projeto deve ocorrer por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). De acordo com o governo municipal, o modelo de concessão permite que a expertise técnica e o aporte de capital privado acelerem a entrega da usina, enquanto o poder público foca na regulação e fiscalização. No entanto, o prefeito ressaltou que o avanço depende de etapas técnicas fundamentais.
O projeto em Cubatão enfrentará um processo de licenciamento ambiental criterioso. Por se tratar de um polo que já lida com passivos históricos, qualquer nova instalação deve seguir regras de emissão de gases e tratamento de resíduos extremamente rígidas. “Tudo será feito de forma organizada e planejada. Sabemos os impactos de processos industriais sem controle e não repetiremos erros do passado”, garantiu Nascimento.
Impacto econômico e social na Baixada Santista
Além do benefício ambiental de eliminar o descarte de resíduos em aterros, a nova usina em Cubatão projeta um impacto social relevante. A expectativa é que a construção e a operação do polo gerem centenas de empregos diretos e indiretos, priorizando a mão de obra local. A proposta também se alinha às metas da COP30, onde o município buscou reforçar seu protagonismo na agenda climática global.
Atualmente, o manejo de resíduos sólidos é um dos maiores desafios logísticos e financeiros das prefeituras brasileiras. Ao transformar esse “problema” em fonte de energia, Cubatão não apenas resolve a questão do lixo, mas cria uma nova matriz de receita e autossuficiência energética para o polo industrial mais importante do estado de São Paulo.