Crise de energia em SP afeta bares, hotéis e restaurantes
Hotéis, Bares e Restaurantes preveem perdas gigantescas após blecaute de três dias; entidade critica falhas recorrentes da Enel no fornecimento de energia
- Publicado: 26/01/2026
- Alterado: 12/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Maria Clara e JP
A interrupção no fornecimento de energia, ocasionada principalmente pela queda de árvores sobre a rede, atinge um problema antigo que envolve a atuação da Enel, empresa italiana detentora da concessão do serviço de distribuição de eletricidade. O boletim divulgado pela concessionária na sexta-feira (12/12) confirmou a gravidade da situação, indicando que a Grande São Paulo ainda registrava cerca de 835 mil imóveis sem fornecimento de energia — um problema que se arrasta por três dias.
A Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) calculou que aproximadamente 5 mil estabelecimentos foram impactados entre a capital paulista, o ABC, Osasco, Itapecerica da Serra e parte do interior. Segundo a entidade, os danos envolvem a perda de equipamentos, deterioração de alimentos estocados e, principalmente, a evasão de clientes.
Falhas recorrentes de energia e o impacto no período natalino
O diretor-executivo da Fhoresp, Edson Pinto, foi enfático ao criticar a demora da Enel em restabelecer o serviço de energia, classificando o episódio como recorrente. Representando cerca de 500 mil estabelecimentos no estado, a Fhoresp alerta que a falha ocorre em um momento crítico para a economia.
Dezembro é historicamente um dos meses de maior faturamento para restaurantes, bares e hotéis, impulsionado por confraternizações de Natal, férias escolares e festividades de fim de ano. O diretor Edson Pinto destacou que os prejuízos de R$ 100 milhões refletem não apenas a perda de produtos, mas também o cancelamento de reservas que, nesta época, deveriam gerar filas de espera.
“Não de hoje, a Enel apresenta problemas recorrentes em relação ao fornecimento de energia elétrica. Este já é o sétimo apagão em menos de dois anos. Os setores de Alimentação Fora do Lar e de Hospedagem ficam reféns”, afirmou Edson Pinto.
Empresários que se prepararam para atender à alta demanda do final de ano reforçaram estoques e, em muitos casos, contrataram mão de obra temporária. Todo esse investimento agora está em risco iminente pela falta de energia.
Quem paga a conta? A via judicial é o caminho
O questionamento central levantado pela Fhoresp é sobre a responsabilidade pelos danos. “Para milhares de estabelecimentos, serão dias de portas fechadas, de tristeza. É quase um luto. E, reforço: quem é que arca com esse prejuízo todo? O empresário vai, mais uma vez, pagar a conta de uma falta de responsabilidade e de respeito por parte da concessionária de energia, que continua fazendo o que bem entende, sem sanção alguma?”, disparou Pinto.
Diante do cenário de incerteza – a própria Enel não havia fornecido data para o restabelecimento total – a Fhoresp orienta os empresários afetados a buscarem a via judicial.
Para as empresas impactadas pelo blecaute e pela oscilação da energia que danificou equipamentos, a recomendação é reunir o maior número de elementos e provas dos prejuízos. Isso inclui notas fiscais de mercadorias perdidas, comprovantes de cancelamento de reservas e orçamentos de equipamentos queimados. Tais provas serão essenciais para ajuizar ações de ressarcimento por dias de não funcionamento, perdas de mercadorias e danos materiais. A falta de energia em um período de pico econômico torna a necessidade de reparação legal uma urgência para a sobrevivência de muitos negócios.