Criatividade e Celebridades no Carnaval 2015 do Rio
Veja na Galeria de Fotos as imagens que emocionaram o Carnaval do Rio de Janeiro 2015;
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 10/08/2023
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Crédito:
MOCIDADE E SALGUEIRO EMPOLGAM NA 1ª NOITE NA SAPUCAÍ
Numa noite marcada por uma forte chuva e problemas no sistema de som da Marquês de Sapucaí, Mocidade Independente e Salgueiro conquistaram o público na primeira parte dos desfiles do Grupo Especial do carnaval carioca. Pela Mocidade, o carnavalesco Paulo Barros estreou com alegorias criativas e efeitos especiais para narrar as 24 horas derradeiras da humanidade. Já o Salgueiro trouxe um samba de empolgação e fantasias suntuosas a fim de contar segredos da culinária de Minas Gerais.
A alegoria que mais despertou atenção foi a de homens e mulheres que se despiam na avenida para satisfazer o desejo de ficar nu no que seria a véspera do fim do mundo. Somente as partes íntimas ficaram cobertas. O Salgueiro inovou na comissão de frente com uma manta de LED que representava uma pepita de ouro e projetava imagens em 3D.
PÚBLICO VIBRA COM DESFILE DE EFEITOS DO SALGUEIRO
O Salgueiro fez um desfile de alegorias impecáveis ao falar de Minas Gerais e sua culinária. Após ter perdido o título para a Unidos da Tijuca no último carnaval por um décimo, a escola gastou R$ 10 milhões em carros alegóricos gigantes, de bom gosto e com efeitos especiais, e mostrou fantasias ricamente ornamentadas pela dupla de carnavalescos Marcia e Renato Lage, em seu 13º carnaval na agremiação da Tijuca.
Já na comissão de frente a escola arrebatou a Sapucaí. A princípio parecia uma apresentação muito comum entre as escolas: um grupo de índios para falar dos primeiros habitantes do Brasil evoluindo numa coreografia pouco inventiva. Mas repentinamente eles sacavam do carro de apoio uma manta com um painel de LED que ora projetava imagens em 3D, ora formava a bandeira do Salgueiro. O público vibrou.
O abre-alas, que simbolizava a influência indígena na culinária mineira, impressionava pelas esculturas de lagartos, que tinham movimentos sincronizados e feições assustadoras.
No segundo carro, os atores Alexandre Nero, Leandra Leal e Lilia Cabral, protagonistas da novela das 21 horas da TV Globo, “Império”, em torno de um império empresarial surgido de joias de pedras preciosas, representavam o diamante, a riqueza da terra do ouro. Mais um momento de arrebatamento das arquibancadas.
O vermelho do Salgueiro e o dourado da riqueza dominaram, assim como as referências às culturas negra e europeia, outras influências nos pratos da cozinha mineira.
A rainha da bateria Viviane Araújo encerrou seu desfile comemorando uma exibição classificada como “maravilhosa e perfeita”. A escola chegou à dispersão levantando a arquibancada e arrancando gritos de “é campeã”.
O ator Ailton Graça ficou empolgado com a exibição da escola, a quinta a desfilar nesta madrugada na Sapucaí. “Eu não tenho parâmetros para avaliar, meu coração está batendo a mil por hora. Eu vim desfilar como grande folião, sendo recebido de braços abertos nessa passarela”, disse o ator, que completou: “que vença a melhor.”
CASAL DA NOVELA “IMPÉRIO” DESFILA PELO SALGUEIRO
Os atores Alexandre Nero, o José Alfredo da novela “Império”, da TV Globo, e Lília Cabral, que interpreta Maria Marta, a mulher de José Alfredo, desfilaram pelo Salgueiro nesta primeira noite de exibições das escolas de samba do Rio de Janeiro e foram ovacionados pelo público.
Eles se apresentaram no segundo carro alegórico do Salgueiro, que fazia menção aos diamantes que eram comuns em Minas Gerais até o século 18. Na novela, Nero trabalha com pedras preciosas, daí a escolha dessa alegoria para que o casal desfilasse. A atriz Leandra Leal também está nesse carro alegórico.
Sob o comando dos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage, a escola de samba entrou na avenida para defender o enredo “Do fundo do quintal, saberes e sabores na Sapucaí”, em uma homenagem à culinária mineira.
ROUPA DA COMISSÃO DE FRENTE DA MOCIDADE ‘PEGA FOGO’
Conhecido por comissões de frente inovadoras, o carnavalesco Paulo Barros estreia na Mocidade Independente de Padre Miguel apostando em efeitos especiais. Com uma roupa que “pega fogo”, a comissão representa um meteoro que cai na terra e dá início ao fim do mundo. São 30 bailarinos da Companhia Brasileira de balé que se revezam em três grupos na apresentação.
Além disso, o carnavalesco programou legendas na frente das alas para contar o enredo “Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria se só te restasse um dia”, inspirado na música “Último Dia”, de Paulo Moska e Billy Brandão.
GRANDE RIO FECHA 1ª NOITE COM DESFILE DE CELEBRIDADES
A primeira noite de desfiles do grupo de elite do carnaval carioca foi encerrada às 6h33, quando a Acadêmicos do Grande Rio, de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, terminou seu desfile sobre o baralho. A escola fez um desfile correto, mas sem o luxo que anos atrás caracterizava a agremiação, que tem como patrono o empresário Jayder Soares, acusado de contravenção.
Se o luxo não é o mesmo, a presença de atores da TV Globo continua – há muitos anos a escola conta com a participação do elenco. A rainha da bateria foi a atriz Suzana Vieira, que fez par com o promoter David Brazil, rei da bateria. Entre os destaques figuraram Paloma Bernardi, Tayla Ayala, Antonia Fontenelle e Rayane Moraes, entre outros.
O desfile não chegou a empolgar a plateia, mas cada ator era ovacionado assim que identificado pelo público. Paloma causou frisson quando viu o namorado, Thiago Martins, numa frisa, correu em direção a ele e deu um beijo na boca, tão longo que um coordenador da escola chamou a atenção da atriz e pediu que ela voltasse à pista.
A apresentadora Sabrina Sato, rainha de bateria da Unidos de Vila Isabel, acompanhou o desfile da Grande Rio em um camarote e também recebeu cumprimentos de celebridades.
A Grande Rio pode até credenciar-se a voltar às seis que se apresentam no desfile das campeãs, mas não deve disputar o título.
VILA ISABEL TEM FALHAS EM ALEGORIAS E CARROS ALEGÓRICOS
A Vila Isabel enfrenta problemas de acabamento nas alegorias, provavelmente por conta da forte chuva que atingiu o Sambódromo do Rio mais cedo. A pintura do rosto e das mãos do boneco que representa o maestro Isaac Karabtchevsky está se desfazendo. O carro de apoio da comissão de frente também apresentou falhas: a tela que o recobria não chegava à parte superior no trecho final do desfile.
Já o segundo carro alegórico da Vila Isabel, que representa a ópera de Carlos Gomes “O Guarani”, emite tanto gelo seco para frente que esconde a destaque de chão que desfila seminua à frente. Também prejudica a visão de vários integrantes da ala “Índios”, que desfila imediatamente antes do carro. Conforme a alegoria avança pela pista, o gelo seco também cobre o público das frisas, que ficam mais perto da área de desfile.
MANGUEIRA DECEPCIONA E ESTÁ DISTANTE DA DISPUTA DO TÍTULO.
Agremiação sofreu com os efeitos do temporal. Fantasias da Mangueira foram danificadas e a escola não conseguiu fazer um desfile à altura do enredo, que homenageava as mulheres brasileiras e, notadamente, mangueirenses históricas, como Dona Zica (que foi casada com Cartola) e Dona Neuma (filha do primeiro presidente da escola).
ALCIONE QUEIMA O PÉ DURANTE DESFILE DA MANGUEIRA
A cantora Alcione, que neste ano comemora 40 anos na Mangueira, foi retirada em uma cadeira de rodas de um carro alegórico, onde desfilava. Segundo relatos, ela teria queimado o pé numa lâmpada do carro alegórico. Alcione foi levada diretamente para o posto médico ao lado da dispersão.
A Estação Primeira de Mangueira segue na Marques de Sapucaí na madrugada desta segunda-feira, dia 16. A escola é a segunda do Grupo Especial a desfilar.
BATERIA DA MANGUEIRA TRAZ MULHERES NA LINHA DE FRENTE
Com o samba-enredo “Agora chegou a vez, vou cantar: mulher de Mangueira, mulher brasileira em primeiro lugar”, a Estação Primeira de Mangueira desfila nesta madrugada de segunda-feira, dia 16, na Marquês de Sapucaí. A escola é a segunda da noite a entrar na avenida. Antes, foi a vez da Viradouro. A escola faz uma homenagem às mulheres brasileiras, em particular aos ícones femininos que fizeram sua história. Na linha de frente da bateria da Mangueira, há apenas mulheres.
A escola vai em busca do título na Marquês de Sapucaí com 3.900 componentes, divididos em 35 alas. Antes do início do desfile, o presidente da escola verde e rosa, Chiquinho da Mangueira, afirmou que não temia a chuva forte na Sapucaí. Ele lembrou que, em 1968, a Mangueira foi bicampeã do carnaval carioca depois de desfilar na Avenida Presidente Vargas debaixo de um temporal.
CARLINHOS DE JESUS FALA EM ‘DESFILE TENSO’ COM CHUVA
O coreógrafo Carlinhos de Jesus, responsável pela comissão de frente da Mangueira, afirmou que o desfile foi “tenso”, mas avaliou que a escola soube enfrentar o obstáculo. “A chuva atrapalhou muito, ficou mais pesado, o chão está muito escorregadio. Mas fizemos tudo certinho”, disse.
Na dispersão, houve uma pequena correria para que a Mangueira encerrasse o desfile no tempo determinado pelo regulamento. Carros alegóricos da escola não conseguiram ser retirados a tempo, e a Praça da Apoteose, no fim da Marquês de Sapucaí, foi praticamente evacuada para que o último carro chegasse à dispersão.
VIRADOURO TAMBÉM DECEPCIONA
Em seu retorno ao Grupo Especial, a Viradouro narrou modestamente a trajetória do negro no Brasil e vai torcer para não cair novamente.
O início dos desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio atrasou – era para ter sido às 21h30 deste domingo, dia 15, mas começou apenas por volta das 21h55. A chuva atrapalhou muito a armação. A atriz Juliana Paes, que já foi madrinha de bateria da Viradouro, virá dessa vez na comissão de frente da escola, que abre a noite na Marquês de Sapucaí.
Com uma fantasia representando o fruto da árvore do Baobá, Juliana acredita que é símbolo da miscigenação de que trata o enredo da Vermelho e Branco de Niterói. “Acho que represento bem a mistura do povo brasileiro. Tenho raízes negras, como todo o povo brasileiro”, disse ela, que optou por sair da frente da bateria por causa dos dois filhos pequenos, uma vez que o posto de rainha exige presença em muitos compromissos da escola.
A bateria da Viradouro virá com um ritmo mais cadenciado para manter o samba de Luiz Carlos da Vila – o samba-enredo é uma mistura de duas composições do artista, que morreu em 2008. Por conta da forte chuva, as cuícas estão protegidas com plásticos.
As falhas de som prejudicaram os desfiles da Viradouro, primeira escola do Grupo Especial a desfilar na noite deste domingo, e da Mangueira, que entrou na avenida logo depois. No caso da Viradouro, houve pelo menos sete paradas de som.