Crianças com celular: posse cai entre menores de 12 anos
Estudo da TIC Kids Online aponta que menos crianças de 9 a 12 anos têm aparelho próprio em 2025.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 22/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A presença de crianças com celular no Brasil diminuiu de forma expressiva em 2025, especificamente na faixa etária abaixo dos 12 anos. A constatação vem da renomada pesquisa TIC Kids Online Brasil, um levantamento fundamental conduzido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), que mapeia o comportamento digital de jovens no país.
Os dados mais recentes mostram uma mudança clara. Em 2025, no grupo de 9 a 10 anos, a proporção de crianças com aparelho próprio foi de 55%, uma redução considerável frente aos 67% registrados em 2024. A mesma tendência foi observada na faixa de 11 a 12 anos, onde a posse de celulares caiu de 79% para 69% no mesmo período.
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Crianças com Celular tem cenário variado entre os adolescentes
Em contrapartida, o comportamento entre os adolescentes apresentou nuances distintas. Na faixa de 13 a 14 anos, o estudo identificou um leve aumento na posse de dispositivos, alcançando 78%. Já entre os mais velhos, de 15 a 17 anos, houve uma leve retração, de 99% para 95%.
Para esta edição da pesquisa, foram entrevistados 2.370 crianças e adolescentes (9 a 17 anos) e seus respectivos responsáveis, com coletas realizadas entre março e setembro de 2025.
Debate sobre proteção digital ganha força

A redução no acesso precoce de crianças com celular não parece ser um fato isolado. Luisa Adib, coordenadora do estudo, sugere que essa queda pode estar diretamente ligada ao aumento das discussões públicas sobre a proteção infantojuvenil no ambiente digital.
Essa mudança de percepção ocorre simultaneamente a outra queda importante: o uso da internet dentro das escolas atingiu seu menor patamar desde 2020. Apenas 37% dos entrevistados afirmaram acessar a rede nas aulas, contra 51% em 2024.
O contexto dessa redução inclui a sanção, em janeiro deste ano, de uma nova lei federal pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que proíbe o uso de celulares em instituições de ensino em todas as etapas da educação básica no país.
“É possível observar que a queda na posse de celulares por crianças mais novas pode estar relacionada à intensificação do debate sobre restrições ao uso desses dispositivos nas escolas“, afirmou Luisa.
A coordenadora complementa que outros fatores, como a recente aprovação do ECA Digital (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente), podem estar influenciando pais e responsáveis. A busca por um ambiente digital mais seguro parece fazer com que muitos adiem a decisão de dar o primeiro aparelho aos filhos, refletindo a crescente preocupação sobre a interação de crianças com celular e a tecnologia. O debate sobre o uso de crianças com celular na sociedade e, principalmente, na escola, está claramente impactando as decisões familiares.