Crescimento na profissão de cuidadores de idosos

Projeto de lei no Senado visa regulamentar cuidadores de idosos no Brasil, garantindo formação e direitos para profissionais em meio ao envelhecimento populacional

Crédito: Rafa Neddermeyer - Agência Brasil

Em resposta ao fenômeno do envelhecimento da população brasileira, um projeto de lei atualmente em tramitação no Senado busca estabelecer diretrizes claras para a atuação de cuidadores de idosos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, em um horizonte de 45 anos, aproximadamente 40% da população do país será composta por pessoas idosas, o que intensifica a demanda por profissionais qualificados nesta área.

Recentemente, a profissão de cuidador tem experimentado um crescimento notável, com uma elevação de 15% nos últimos quatro anos, conforme revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Esse aumento reflete não apenas a necessidade crescente dessa função, mas também a importância da formação adequada para garantir a qualidade dos cuidados prestados.

Katia Regina Batista Pereira, com 44 anos, é um exemplo da nova realidade profissional. Ela atua como cuidadora de Maria Rosária Coutinho do Amaral, uma idosa de 76 anos que enfrenta uma batalha contra o câncer de pulmão. Em seu relato, Dona Maria Rosária compartilha que nos momentos mais críticos da sua recuperação, quando chegou a ser intubada por várias semanas, Katia foi fundamental: “No começo, eu nem conseguia me alimentar sozinha. A Katia me ajudava em tudo e sempre foi muito cuidadosa e profissional”, relembra.

O projeto legislativo propõe a obrigatoriedade de um curso de formação para cuidadores, além da exigência do ensino fundamental completo para o exercício da profissão. Também estão previstas regulamentações sobre as responsabilidades dos cuidadores, abrangendo cuidados com higiene pessoal, administração de medicamentos e assistência na mobilidade dos idosos.

A Associação Brasileira de Geriatria e Gerontologia endossa essas propostas e defende a implementação de um piso salarial mínimo para os cuidadores. Felipe Vecchi, geriatra e defensor das novas regras, argumenta que o acesso a cuidadores deve ser uma realidade para todas as famílias brasileiras. “Não são apenas os mais abastados que necessitam desses serviços; famílias com menos recursos também enfrentam essa realidade”, destaca.

Se aprovado, o projeto assegurará que os contratos sejam regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), estabelecendo jornadas semanais de 40 horas. Especialistas ressaltam que contratar um cuidador deve ser visto como uma estratégia para promover cuidado efetivo aos idosos e melhorar a convivência familiar. Vanessa Coutinho do Amaral Jacinto, filha de Dona Maria Rosária, confirma: “Ter alguém em quem confiamos nos permite desfrutar mais tempo de qualidade com nossos pais, fortalecendo laços afetivos”.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 20/12/2024
  • Fonte: FERVER