Crescimento das exportações de carne bovina brasileira: Estados Unidos e China em foco

Indústria da carne bovina no Brasil surpreende com crescimento de 498% nas exportações para os EUA, garantindo destaque no mercado global.

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A indústria da carne bovina no Brasil demonstrou resiliência diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que estabeleceu uma taxa de 10% sobre a proteína. Inicialmente, o setor temia que essa imposição, somada à alta taxa alfandegária de 26,4% já existente, pudesse prejudicar as exportações. No entanto, dados recentes mostram que o Brasil aumentou significativamente sua presença no mercado americano, com um crescimento de 498% nas vendas em abril em comparação ao mesmo mês do ano anterior e um aumento de 14% em relação a março.

Os Estados Unidos se consolidaram como o segundo maior destino das exportações brasileiras de carne bovina, totalizando 136 mil toneladas enviadas entre janeiro e abril. Isso representa 14% das exportações totais do Brasil, gerando receitas de aproximadamente US$ 748 milhões, o que equivale a 16% do total arrecadado pelo país no período.

Entretanto, a China continua sendo o principal mercado para a carne bovina brasileira, importando 392 mil toneladas nos primeiros quatro meses de 2024. Esse volume corresponde a 42% das exportações totais do Brasil, resultando em uma injeção de US$ 1,9 bilhão na economia nacional.

De acordo com informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), as exportações do Brasil mantêm um ritmo animador, superando as expectativas do setor. Até agora, foram exportadas 950 mil toneladas da proteína bovina, um aumento de 14% em relação ao mesmo período do ano passado, com receitas alcançando US$ 4,55 bilhões e um crescimento de 24% no intervalo.

Roberto Perosa, presidente da Abiec, afirma que esses números recordes estão alinhados com a demanda interna do Brasil. A maior parte das exportações é composta por cortes menos populares entre os consumidores brasileiros, como partes do dianteiro do boi e miúdos. Essa dinâmica externa contribui para uma maior liquidez no setor e ajuda a conter possíveis aumentos nos preços internos.

Perosa também não prevê grandes oscilações nos preços da carne bovina devido à disputa tarifária entre os EUA e a China. O volume exportado pelos americanos para o mercado chinês é consideravelmente menor em comparação ao brasileiro e abrange cortes diferentes. Por esse motivo, ele acredita que a Austrália deve preencher qualquer lacuna deixada pelos Estados Unidos nesse mercado.

Além disso, Perosa menciona que existe um limite para os aumentos nos preços da carne e que quaisquer reajustes ocorrerão de forma gradual, impulsionados principalmente pela inflação. Ele vê uma estabilização dos preços tanto no mercado interno quanto externo devido à capacidade produtiva do Brasil, afirmando que não há risco de desabastecimento.

Para reforçar ainda mais sua presença na China, a Abiec planeja realizar diversos eventos promocionais nos próximos dias. A entidade irá abrir um escritório em Pequim em parceria com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e apresentará produtos brasileiros em duas cidades do interior pela primeira vez. O objetivo é educar os consumidores chineses sobre como integrar a carne brasileira em seus hábitos alimentares tradicionais.

A Abiec busca também estabelecer uma rede de distribuição robusta envolvendo distribuidores regionais e atacadistas em várias províncias chinesas, ampliando assim seu alcance no importante mercado asiático.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 08/05/2025
  • Fonte: FERVER