Crescem os casos de complicações oculares em mutirões oftalmológicos no Brasil
CBO alerta para riscos e pede regulamentação rigorosa
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 28/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Entre os anos de 2022 e 2025, um alarmante total de 222 pacientes sofreu complicações oculares após participarem de mutirões oftalmológicos realizados em diversas regiões do Brasil. Destes, cerca de 20% enfrentaram a perda da visão em um ou ambos os olhos, conforme informações divulgadas pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
O CBO obteve esses dados a partir de relatos de eventos adversos amplamente noticiados pela mídia, evidenciando a seriedade do descaso com os critérios mínimos de segurança que devem ser observados durante a realização dessas atividades. “Isso revela uma grave violação das normas básicas de segurança”, destacou a entidade.
Um caso recente que exemplifica essa situação ocorreu em Campina Grande, na Paraíba, no dia 15 deste mês. Após a aplicação de injeções intraoculares, mais de 30 pacientes desenvolveram infecções. O conselho alertou que, embora esses indivíduos estejam recebendo tratamento cirúrgico, o risco de perda visual é elevado.
Em resposta a essas preocupações, entidades médicas têm exigido regulamentações sanitárias rigorosas para os mutirões cirúrgicos. O CBO enfatiza a necessidade de seguir todas as recomendações das autoridades sanitárias durante o planejamento e execução dos mutirões, incluindo monitoramento pós-operatório para identificar possíveis efeitos adversos.
A organização considera esses cuidados essenciais para garantir que os atendimentos resultem em benefícios reais sem expor os pacientes a riscos desnecessários.
Nos últimos anos, episódios semelhantes foram registrados em diferentes estados brasileiros. Em Rondônia, por exemplo, um mutirão que realizou 140 cirurgias resultou em 40 infecções. No Amapá, em 2023, 104 complicações foram observadas entre 141 procedimentos realizados. Na capital do Pará, 22 dos 40 pacientes atendidos enfrentaram problemas no ano passado. Além disso, no município de Parelhas (RN), falhas na higienização e esterilização dos instrumentos cirúrgicos levaram à contaminação de 15 dos 48 atendidos.
Um caso particularmente preocupante veio à tona no início de 2025, quando se confirmou que doze pacientes perderam a visão devido a complicações após um mutirão destinado à cirurgia de catarata em Taquaritinga, São Paulo. Realizados em setembro do ano anterior, os atendimentos afetaram mais da metade dos 23 pacientes envolvidos. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) iniciou uma investigação sobre o incidente.
Para abordar essas questões, o CBO lançou em outubro do último ano um Guia de Mutirões de Cirurgia Oftalmológica. Este documento oferece orientações abrangentes desde a organização do evento até cuidados pós-operatórios, baseando-se em protocolos clínicos estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Entre as recomendações do CBO está a prioridade pela realização desses atendimentos em instituições com experiência comprovada nesse tipo de serviço. A entidade também destaca que as vigilâncias sanitárias municipais e estaduais devem monitorar as atividades para garantir o cumprimento das exigências técnicas e operacionais.
Quanto à realização dos procedimentos clínicos e cirúrgicos, é fundamental que sejam conduzidos por médicos com Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em oftalmologia. Após as cirurgias, é recomendado que os pacientes recebam acompanhamento da equipe responsável por até 30 dias. Qualquer evento adverso deve ser comunicado imediatamente à vigilância sanitária e, caso ocorra infecção, o mutirão deve ser suspenso até que se apurem as causas e sejam adotadas as medidas necessárias.