Cresce presença de estudantes de escolas públicas nas universidades brasileiras
Em 2024, 72,6% dos indivíduos que frequentam ou já frequentaram cursos de graduação no país vieram exclusivamente de escolas públicas
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 13/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Recentemente, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Educação, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou um aumento significativo na presença de estudantes que completaram o ensino médio em instituições públicas nas universidades brasileiras. Os dados, publicados nesta sexta-feira (13), indicam que, em 2024, 72,6% dos indivíduos que frequentam ou já frequentaram cursos de graduação no país vieram exclusivamente de escolas públicas. Esse número representa um aumento em relação a 2016, quando 67,8% dos graduandos tinham a mesma origem educacional.
O crescimento também é notável entre aqueles que cursaram pós-graduação (especialização, mestrado ou doutorado). A proporção de estudantes que alcançaram esses níveis acadêmicos após completar o ensino médio em escolas públicas aumentou de 52,2% em 2016 para 59,3% em 2024.
A pesquisadora do IBGE, Adriana Beringuy, atribui esse avanço a políticas públicas implementadas para facilitar o acesso de egressos de escolas públicas ao ensino superior. “Sem essas iniciativas, muitos desses alunos enfrentariam barreiras significativas para ingressar no ensino superior”, ressaltou. As políticas incluem tanto as cotas para universidades públicas quanto programas como ProUni e Fies, que oferecem financiamento para estudantes em instituições privadas.
A pesquisa também apontou que, em 2024, 31,3% dos jovens entre 18 e 24 anos já haviam completado ou estavam cursando o ensino superior. Entre a população com 25 anos ou mais, essa taxa subiu para 20,5%, comparada a apenas 15,4% em 2016. Além disso, 4,2% dessa faixa etária possuíam ensino superior incompleto, um incremento em relação aos 3,6% registrados anteriormente.
Os dados mostram que entre os adultos com mais de 25 anos em 2024, as porcentagens relacionadas à educação básica foram: 31,3% concluíram o ensino médio completo; 4,9% apresentavam o ensino médio incompleto; 7,4% possuíam ensino fundamental completo; enquanto 26,2% tinham o fundamental incompleto ou não possuíam nenhuma instrução (5,5%). Em comparação a 2016, as taxas foram consideravelmente alteradas: ensino médio completo (27,2%), incompleto (4,2%), fundamental completo (9,2%), fundamental incompleto (33,1%) e sem instrução (7,3%). A conclusão da educação básica obrigatória entre os adultos subiu de 46,2% para 56% nesse período.
Quando analisados os dados por sexo e raça, verificou-se que entre os homens a conclusão da educação básica foi de 54%, enquanto entre as mulheres esse percentual foi ligeiramente superior a 57,8%. Em termos raciais, os brancos apresentaram uma taxa de conclusão de 63,4%, enquanto os negros (pretos ou pardos) ficaram com um índice menor de 50%.
A média geral de anos de estudo no Brasil teve um aumento expressivo de 9,1 anos em 2016 para 10,1 anos em 2024. Especificamente entre homens e mulheres houve um crescimento correspondente de 8,9 para 9,9 anos e de 9,2 para 10,3 anos respectivamente. No tocante à população branca e negra, os anos médios de estudo passaram de 10,1 para 11 anos e de 8,1 para 9,4 anos neste mesmo período.
A Pnad também investigou a situação dos jovens entre 15 e 29 anos que conciliavam trabalho e estudos. Nessa faixa etária: 16,4% estavam trabalhando e estudando; 39,9% trabalhavam sem estudar; enquanto 25,3% se dedicavam aos estudos sem trabalhar; e finalmente, 18,5% não estavam envolvidos nem com trabalho nem com estudos. Este último grupo representa aproximadamente 8,9 milhões dos cerca de 48 milhões de jovens nessa idade. Entretanto, é importante destacar que a participação desse grupo no total dos jovens tem diminuído ao longo dos últimos anos: passou de uma proporção de 22,4% em 2019 para cerca de 19,8% em 2023.
Em relação aos jovens não escolarizados entre 14 e 29 anos em 2024 – seja por terem abandonado a escola ou nunca terem frequentado – o número se estabeleceu em cerca de 8,7 milhões. Essa cifra é inferior à registrada no ano anterior (9,3 milhões). O principal motivo apontado para o abandono escolar foi a necessidade de trabalho (42%), seguido pela falta de interesse (25%). Entre os homens que abandonaram a escola por motivos financeiros esse percentual subiu para impressionantes 53%. Para as mulheres na mesma situação, a necessidade de trabalhar dividiu o topo das justificativas com gravidez (23%). Também foi registrado que a obrigação com tarefas domésticas ou cuidados familiares afetou cerca de 9% das mulheres nesta faixa etária.