Cresce número de evangélicos no Brasil
26,9% da população se identifica com essa religião, enquanto católicos diminuem para 56,7%
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 06/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro Liberdade
De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (4), a presença dos evangélicos na sociedade brasileira continua a aumentar. O Censo 2022 revelou que 26,9% da população se identificam como evangélicos, representando mais de um quarto da população total do país.
O levantamento do IBGE abrangeu indivíduos com 10 anos ou mais. Entre os resultados, o crescimento do número de evangélicos foi notável, com um aumento de 5,3 pontos percentuais desde 2010, quando essa faixa representava 21,6% da população. “Os evangélicos têm exercido uma influência crescente na sociedade, promovendo seus valores e crenças“, comenta a pesquisadora Maria Goreth Santos.
Entretanto, o IBGE observou uma desaceleração na taxa de crescimento dos evangélicos em comparação aos censos anteriores. De 2000 a 2010, houve um incremento de 6,5 pontos percentuais (de 15,1% para 21,6%), enquanto entre 1991 e 2000, o aumento foi de 6,1 pontos percentuais (de 9% para 15,1%).
O levantamento também apontou que o grupo sem religião, que abrange pessoas que não se identificam com nenhuma crença ou que se declaram ateus ou agnósticos, cresceu de 7,9% em 2010 para 9,3% em 2022. “Registramos as declarações de falta de religião, mas não temos perguntas específicas sobre as razões dessa escolha”, esclarece Bruno Perez, outro pesquisador do IBGE.
Além disso, as religiões afro-brasileiras como a umbanda e o candomblé também mostraram crescimento significativo, passando de 0,3% em 2010 para 1% em 2022. “Um movimento contra a intolerância religiosa tem incentivado as pessoas a se identificarem com essas tradições”, afirma Maria Goreth. Ela ressalta que alguns indivíduos que anteriormente se declaravam espíritas ou católicos agora optam por assumir sua identidade como praticantes dessas religiões afro-brasileiras devido ao medo ou vergonha.
Em contraste com o aumento dos evangélicos e das religiões afro-brasileiras, a participação dos católicos apostólicos romanos caiu significativamente de 65% em 2010 para 56,7% em 2022. Este fenômeno de diminuição da influência católica tem sido uma constante nas estatísticas do IBGE desde o início das contagens populacionais em 1872.
No ano de início da série histórica, os católicos representavam quase toda a população brasileira (99,7%). Em 2000, essa proporção caiu para três quartos da população (74,1%), e continuou diminuindo para dois terços em 2010 e cerca da metade em 2022.
As regiões Nordeste e Sul apresentaram as maiores concentrações de católicos em 2022, com percentuais de 63,9% e 62,4%, respectivamente. O Norte registrou a menor proporção com apenas 50,5%. Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, as porcentagens eram semelhantes: 52,6% e 52,2%, respectivamente.
A maioria dos católicos ainda reside em cerca de quatro mil municípios brasileiros. Em vinte deles — predominantemente no Rio Grande do Sul — a participação católica ultrapassa os 95%. Municípios com forte imigração italiana e polonesa como Montauri e Centenário destacam-se nesse aspecto. O Crato (CE) foi identificado como o município com maior percentual de católicos entre aqueles com mais de cem mil habitantes (81,3%).
Analisando por estado, o Piauí apresentou a maior proporção de católicos (77,4%), enquanto Roraima teve a menor (37,9%). O censo revelou também que a adesão ao catolicismo aumenta com a idade; entre indivíduos de 20 a 29 anos apenas 51,2% se identificavam como católicos comparado a impressionantes 72% entre aqueles com mais de oitenta anos.
A distribuição dos evangélicos mostra uma tendência semelhante; sua presença é mais pronunciada nas faixas etárias mais jovens. Em particular entre os jovens de dez a quatorze anos, constatou-se que cerca de 31,6% pertencem a essa denominação religiosa. As proporções entre indivíduos na faixa etária de quinze a quarenta e nove anos variam entre 27,5% e 28,9%, apresentando uma leve queda à medida que se avança na idade até atingir aproximadamente 19% entre os octogenários.
A Região Norte destaca-se como aquela com maior proporção de evangélicos (36,8%), seguida pelo Centro-Oeste (31,4%), enquanto Sudeste e Sul apresentam taxas menores (28% e 23,7%, respectivamente). O Nordeste representa o menor percentual neste grupo religioso (22,5%). O Acre é o estado onde a população evangélica é mais expressiva (44,4%), ao passo que Piauí exibe a menor concentração dessa fé (15,6%).
Em termos geográficos específicos dentro do Brasil, os evangélicos são maioria em apenas cinquenta e oito municípios. Entre estes destacam-se localidades com colonização alemã/pomerana como Arroio do Padre (RS), Arabutã (SC) e Santa Maria de Jetibá (ES). Em duzentos e quarenta e quatro municípios eles não representam a maioria mas são reconhecidos como a principal religião; Manacapuru (AM) lidera entre os municípios com mais de cem mil habitantes com uma proporção evangélica de impressionantes 51,8%.
O Censo também revela um aumento no número de pessoas que seguem outras religiões — incluindo judaísmo, islamismo e budismo — subindo de 2,7% em 2010 para 4% em 2022. As tradições indígenas mantiveram-se praticamente inalteradas durante o período considerado.
Por outro lado, a presença dos espíritas diminuiu ligeiramente; seu percentual passou de 2,1% para apenas 1,8%. Roraima destacou-se como o estado com maior proporção de adeptos das tradições indígenas (1.7%), outras religiosidades (7.8%) e sem religião (16.9%). O Rio de Janeiro também apresentou uma significativa taxa de pessoas sem religião na mesma proporção. Além disso, é digno notar que este estado possui o maior percentual nacional de espíritas (3.5%).
O Rio Grande do Sul demonstrou ser a região onde há maior adesão às religiões afro-brasileiras (3.2%).
O estudo realizado pelo IBGE revelou ainda que as mulheres predominam em quase todos os grupos religiosos em termos numéricos. Contudo entre os não religiosos elas constituem apenas cerca de 43.8%. No catolicismo feminino predomina ligeiramente: elas são responsáveis por cerca de metade dos fiéis. Entre os espíritas esse percentual atinge expressivos 60.6%, seguidos pelas religiões afro-brasileiras com cerca de56.7%. As mulheres formam também uma parte significativa da comunidade evangélica totalizando aproximadamente55.4%.
Dentre as populações brancas que se identificaram religiosamente no Censo2019,%60,.2 foram católicos; entre os negros ,49%. Para os pardos esses números são82.%e23.% respectivamente . A maior concentração indígena dentro das religiões foi encontrada na tradição cristã ,com32,%de adere.
No tocante ao nível educacional verificado no censo,a taxa mais alta foi observada nas tradições indígenas(24,.6%),sendo seguida pelos católicos(7,.8%)e por último os evangélicos(5,.4%). Dentre outros grupos religiosos ,o índice foi: sem religião(5,.3%), outras tradições religiosas(3%),um banda/candomblé(2,.4%)e espíritas(1%). < p >No caso dos cidadãos acima dos25anos,o percentualcom ensino superior foi mais elevado entre espíritas(48%)seguidos pelos adeptos das práticas religiosas afro-brasileiras(25,.5%)outros grupos(23,.6%)sem religião(20,.5%)católicos(18,.4%)e finalmente evangélicos(14,.4%). No entanto ,dentre aqueles que não relataram nenhuma formação ou completaram apenas níveis iniciais,inclusive as tradições indígenas(máxima taxa em53,.6%).