Cracolândia diminui, mas grupos menores se espalham por São Paulo

Em 2024, a cracolândia viu queda no número de aglomerações, mas novas áreas e problemas no trânsito e segurança ainda exigem atenção das autoridades.

Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

Durante o ano de 2024, a situação da cracolândia, localizada na rua dos Protestantes no centro de São Paulo, apresentou uma notável diminuição no número de usuários de drogas. A média mensal de pessoas aglomeradas na área, que anteriormente ultrapassava 500 indivíduos por dia, foi reduzida para cerca de 100 até o final do ano.

Os dados são coletados diariamente pelo governo estadual sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), utilizando tecnologia de drones para monitorar a situação. Apesar dessa queda significativa nas aglomerações, ainda há pequenos grupos, variando entre 10 e 30 pessoas, que persistem em ocupar diferentes ruas do centro da capital paulista.

A instalação de grades ao redor da rua Protestantes, em junho do ano anterior, buscou restringir o espaço ocupado pelos dependentes químicos. No entanto, locais adjacentes como a esquina da avenida Rio Branco com a rua General Osório, e entre as ruas Nébias e Gusmões, continuam a ver a presença desses grupos menores. Recentemente, novas aglomerações foram observadas no túnel da rua Amaral Gurgel, sob a praça Roosevelt, onde usuários se instalaram com barracas, ignorando o intenso tráfego de veículos.

O trânsito na região tornou-se um ponto crítico, com motoristas frequentemente reduzindo a velocidade para evitar acidentes. Na manhã de sexta-feira (3), essa realidade trágica se concretizou quando uma mulher foi atropelada e faleceu. Segundo o boletim de ocorrência, um motorista de 83 anos conduzia seu veículo quando a vítima cruzou rapidamente a via, resultando em um acidente fatal.

Na área do túnel mencionado, usuários montam barracas e vendem substâncias ilícitas. O movimento se intensifica nos fins de semana e durante a noite, especialmente com o fechamento do Minhocão para veículos. Produtos como bebidas são expostos em bancas improvisadas feitas com caixotes de madeira. A presença do mau odor é marcante na região, levando ações esporádicas da prefeitura para melhorar as condições ambientais através de limpeza e desinfecção.

A gestão municipal liderada por Ricardo Nunes (MDB) informou que realiza operações de limpeza duas vezes ao dia na rua Protestantes e que deslocamentos temporários dos usuários são monitorados pelas forças de segurança. No decorrer do último ano, foram realizadas 14 operações policiais em colaboração com a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e a Polícia Militar, resultando também em uma diminuição no número total de usuários contabilizados.

No início do ano passado, as autoridades registraram 1.209 usuários na cracolândia. Após um leve aumento em março, os números começaram a cair progressivamente, atingindo o menor registro no dia 17 de dezembro com 655 pessoas. Essa contagem é corroborada por dados oficiais fornecidos pelo governo estadual.

A presença significativa de moradores de rua e usuários de drogas é visível sob o Minhocão, particularmente próximo à praça Marechal Deodoro. O cruzamento da avenida Rio Branco com a rua General Osório continua a ser um ponto frequente para dependentes químicos.

Conforme reportado anteriormente pela Folha, São Paulo possui 72 áreas identificadas como cracolândias espalhadas por diversos bairros da cidade. O governador interino Felício Ramuth (PSD), responsável pelas iniciativas estaduais relacionadas à cracolândia, afirmou não haver novos pontos de aglomeração além da rua dos Protestantes. Ele destacou que as aglomerações observadas são compostas pelos mesmos usuários concentrados naquela área específica.

Além das operações regulares na rua Protestantes, Ramuth atribui parte da redução do fluxo à implementação de câmeras de monitoramento na região central da cidade, onde há cerca de 4.200 dispositivos operacionais atualmente.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 03/03/2025
  • Fonte: FERVER