CPTM avança em projeto de trem que ligará Santos à Cajati
Projeto de conectividade ferroviária entre o Litoral e o Vale do Ribeira entra em nova fase e prevê integração estratégica com a CPTM.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 25/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A Companhia Metropolitana de Transportes Metropolitanos (CPTM) avança com o plano, que agora entra em etapa decisiva de estudos técnicos, do projeto do trem híbrido que ligará passageiros da Baixada Santista ao Vale do Ribeira. A implementação do projeto passa pela implementação de um sistema moderno e sustentável. Para o passageiro, o maior benefício será a possibilidade de uma conexão mais fluida com a rede da CPTM, facilitando o deslocamento entre o interior, o litoral e a Região Metropolitana de São Paulo.[
O novo projeto deve atender até 32 mil passageiros por dia e cerca de 600 contêineres diariamente. O valor do projeto estimado está entre R$ 19 bilhões a R$ 21 bilhões e deve ser concluído até 2028.
Este novo ramal ferroviário não é apenas uma alternativa ao transporte rodoviário, muitas vezes saturado em épocas de veraneio, mas um vetor de desenvolvimento econômico para cidades que hoje dependem exclusivamente de ônibus e veículos particulares. A proposta prevê que o modal opere de forma integrada, permitindo que a malha da CPTM sirva como o grande tronco alimentador para quem deseja acessar o extremo sul do estado com segurança e previsibilidade.
Entenda o estudo da CPTM para implementação do trem Santos-Cajati

A conexão entre Santos à Cajati terá 223,6 quilômetros de extensão em um projeto com investimento estimado em de até R$ 21 bilhões de reais. No traçado estimado no projeto terão 13 pontos de parada: Santos, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe, Itariri, Pedro de Toledo, Miracatu, Juquiá, Registro, Jacupiranga e Cajati. O tempo estimado de viagem no serviço expresso será de cerca de 136 minutos (2 horas e 20 minutos).

O grande diferencial deste projeto é a utilização de trens híbridos. Diferente das composições tradicionais que exigem eletrificação completa de toda a via, sendo um investimento bilionário e demorado, os novos veículos podem alternar entre tração elétrica e motores de alta eficiência movidos a combustíveis renováveis. Essa versatilidade é fundamental para que o sistema possa dialogar com os trilhos já existentes da CPTM, aproveitando a infraestrutura disponível na Baixada Santista para ganhar velocidade de implementação.
Especialistas em logística apontam que a tecnologia híbrida reduz drasticamente a emissão de poluentes em comparação aos ônibus intermunicipais. Além disso, a compatibilidade técnica com os padrões de bitola e sinalização utilizados pela CPTM garante que, no futuro, a interoperabilidade seja completa, transformando a viagem do Vale do Ribeira a São Paulo em um trajeto unificado.
3 benefícios fundamentais da nova fase ferroviária
A transição para a fase atual do projeto sinaliza que o Governo do Estado de São Paulo e as concessionárias parceiras identificaram a viabilidade econômica do trecho. Entre os pontos principais destacados no cronograma, podemos listar:
- Redução no tempo de viagem: Estima-se uma economia de até 25% no tempo de deslocamento em comparação à Rodovia Padre Manoel da Nóbrega nos horários de pico.
- Desenvolvimento do Vale do Ribeira: O escoamento de produtos agrícolas e o turismo ecológico ganharão um reforço logístico sem precedentes.
- Conexão Metropolitana: A facilidade de acesso às linhas da CPTM permite que trabalhadores e estudantes circulem com maior dignidade e menor custo mensal.
Integração logística e o papel estratégico da CPTM
Para que o trem entre Santos e o Vale do Ribeira seja eficiente, a integração tarifária e física é o ponto de maior atenção. O planejamento prevê que as estações de transferência funcionem como hubs multimodais. Ao chegar em Santos, o usuário terá acesso facilitado ao VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e, consequentemente, aos ramais que conectam a Baixada à malha da CPTM no Planalto.
A experiência do passageiro será pautada pela tecnologia. Bilhetagem única e horários sincronizados são as metas para que a CPTM deixe de ser apenas uma rede metropolitana e passe a ser o coração de um sistema estadual de trilhos. O modelo híbrido permite que o trem transite por áreas urbanas densas de forma silenciosa e elétrica, acionando seu motor auxiliar apenas em trechos rurais de longa distância, onde a instalação de catenárias (fiação aérea) seria inviável economicamente neste momento inicial.
Próximos passos para o transporte ferroviário no litoral
A nova fase compreende o detalhamento do Estudo de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) e a definição do modelo de concessão ou parceria público-privada (PPP). Com o sucesso da linha que ligará a capital a Campinas (Trem Intercidades), o trecho Santos-Vale do Ribeira torna-se a próxima fronteira da expansão sobre trilhos.
A expectativa é que o edital de licitação avance conforme os estudos de demanda sejam finalizados. O certo é que a integração com a CPTM é o que garante a sobrevivência financeira do projeto, uma vez que o fluxo de passageiros da capital para o litoral sul é um dos mais consistentes do país. O “renascimento” dos trens de passageiros em São Paulo parece, finalmente, ter deixado a estação dos planos para ganhar a velocidade dos trilhos reais.