CPI do INSS avança e convoca parentes de alvos da investigação
CPI do INSS aprova convocação de familiares de envolvidos em esquema ilegal, apesar de manobras governistas para adiamento.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 17/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
Na manhã desta terça-feira, 16, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS em Brasília enfrentou uma manobra por parte dos aliados do governo que buscavam adiar a convocação de familiares de dois principais envolvidos em um suposto esquema de descontos ilegais a aposentados. Contudo, a comissão decidiu seguir em frente e aprovou os depoimentos para o dia 18.
Os governistas tentaram impedir a convocação da esposa do empresário Maurício Camisotti, bem como do filho e da esposa do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Estes indivíduos estão associados a empresas e transações financeiras suspeitas ligadas aos investigados.
A solicitação para convocar os familiares foi feita por parlamentares do PT e outros partidos que compõem a base aliada. Os deputados Paulo Pimenta (RS) e Randolfe Rodrigues (AP), destacados membros do PT na CPI, foram os principais proponentes dessa medida.
A decisão de convocar os familiares foi uma reação à desistência de Antunes em comparecer ao depoimento agendado na CPI. Até momentos antes da audiência, sua presença era confirmada, enquanto Camisotti também optou por não comparecer. Ambos obtiveram autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que tornou facultativa sua presença.
O líder do governo na CPI, deputado Paulo Pimenta (PT/RS), argumentou que o adiamento das convocações visava não interferir nas investigações da Polícia Federal, onde ambos os investigados foram detidos na última sexta-feira, 12. “Nenhum dos presos prestou depoimento até agora. Convocar os parentes pode ser visto como uma tentativa de intimidá-los. Ouvir as famílias após os depoimentos será mais esclarecedor”, disse Pimenta.
No entanto, o presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), discordou dessa perspectiva. “Se eles utilizaram suas famílias para formar empresas e se beneficiar financeiramente, deveriam ter pensado nisso antes. É evidente que esposas e filhos foram utilizados como sócios e receptadores dos recursos ilícitos”, afirmou Viana.
Pimenta solicitou que as convocações fossem discutidas individualmente para Cecília Montalvão Queiroz, esposa de Camisotti, e Tânia Carvalho dos Santos e Romeu Carvalho Antunes, esposa e filho de Careca. Sua proposta gerou um momento de tensão na reunião da CPI, levando a interrupções para discussões paralelas entre membros da cúpula.
Durante a continuidade da reunião pública, o senador Cid Gomes (PSB-CE) tentou barrar as convocações ao afirmar que recebeu informações sobre uma ação que poderia trazer resultados significativos para as investigações em andamento. Contudo, ele não revelou a identidade da fonte que o alertou sobre possíveis consequências negativas da convocação dos familiares.
O senador Randolfe Rodrigues informou ao Estadão que há rumores sobre uma potencial delação premiada envolvendo Careca do INSS, embora essa informação tenha sido negada pelo relator da CPI, Alfredo Gaspar (União/AL), que havia se reunido com delegados da Polícia Federal horas antes.
Conforme apurado pelo Estadão, alguns membros da CPI acreditam que a pressão sobre Careca e Camisotti poderia levar à colaboração deles com as investigações e à proteção de seus familiares, que podem ser vistos como meros intermediários nos alegados esquemas fraudulentos.
Críticos apontam que a estratégia dos governistas tem como objetivo aliviar a pressão sobre Careca e Camisotti para evitar que estes revelem nomes ligados ao governo que possam estar envolvidos no esquema investigado.
A comissão aprovou as seguintes convocações:
- Romeu Carvalho Antunes: filho de Antônio Carlos Camilo Antunes e sócio em empresas relacionadas ao repasse financeiro para servidores do INSS;
- Tânia Carvalho dos Santos: esposa de Antônio Carlos Camilo Antunes e receptora de recursos financeiros provenientes das atividades ilícitas;
- Rubens Oliveira Costa: sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes em uma empresa envolvida em transações financeiras suspeitas;
- Nélson Wilians: advogado sob investigação pela Polícia Federal e identificado como possível beneficiário dos descontos ilegais aplicados por uma entidade sob investigação.