Corridas de rua noturnas atraem novo perfil de atleta e crescem no Brasil

Corridas noturnas crescem no Brasil: a nova tendência que transforma atletas amadores em estrelas da noite, unindo esporte e festa!

Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil

Em resposta a uma demanda crescente entre os corredores amadores, que buscam formas mais flexíveis de integrar a prática esportiva em suas rotinas diárias, os organizadores de eventos de corrida têm ampliado significativamente a oferta de provas realizadas durante a noite e até mesmo de madrugada.

De acordo com os organizadores, o perfil dos participantes desses eventos noturnos difere consideravelmente daquele encontrado nas competições diurnas. Normalmente, os corredores que optam por estas provas são mais jovens e têm como prioridade não a performance atlética, mas sim a experiência social e a confraternização com outros competidores.

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As corridas noturnas oferecem temperaturas mais amenas e, após a chegada, o ambiente se transforma em uma celebração, com apresentações musicais de bandas ao vivo, DJs, fogos de artifício e distribuição de bebidas, criando uma atmosfera semelhante à de uma balada.

Um levantamento realizado pela plataforma Ticket Sports revelou que, somente no primeiro semestre de 2025, foram promovidas 111 corridas noturnas no Brasil. Este número já supera as 97 provas realizadas em todo o ano anterior, refletindo o crescimento contínuo do número de praticantes da corrida.

Segundo Daniel Krutman, CEO da Ticket Sports, “As corridas noturnas atraem pessoas que nunca tinham participado de uma prova antes. Enquanto as competições diurnas contam com cerca de 30% a 40% de novos corredores, nas provas noturnas esse índice sobe para 50% a 60%.” Entre os eventos noturnos promovidos pela plataforma está a Music Night Run, realizada em Sorocaba no final de junho, que apresentou um show de rock ao vivo.

Aproveitando a leveza do formato noturno, Krutman observou que “a prova noturna retira um pouco da pressão pela performance e permite mais espaço para socializar com amigos em um sábado à noite.” Esses eventos são predominantemente frequentados por atletas amadores e normalmente não oferecem premiações em dinheiro.

A fisioterapeuta Priscilla Santos, de 43 anos, expressou seu entusiasmo pelas corridas noturnas: “Para mim, o maior atrativo é não ter que acordar cedo, especialmente durante os meses frios.” Filipa Sousa, uma profissional de marketing de 31 anos que completou sua primeira corrida de 10 km em São Paulo à noite, também compartilhou sua perspectiva: “Correr sem relógio me permite relaxar e aproveitar mais. Sinto uma energia diferente na corrida à noite; é uma forma nova de explorar a cidade.”

Ricardo D’Angelo, treinador do medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima, destacou que é incomum ver corredores profissionais em provas noturnas devido aos riscos associados à segurança e visibilidade. “É crucial ser visto enquanto se corre na rua; portanto, o uso adequado de roupas é imprescindível“, ressaltou D’Angelo. Ele também reconheceu as vantagens das corridas noturnas: “Com temperaturas mais amenas e sem a incidência direta do sol, o clima favorece o desempenho dos atletas.”

Sandro Viana, medalhista olímpico em Pequim 2008 e atualmente coordenador de esportes na Secretaria de Esportes do Estado do Amazonas, mencionou que as corridas noturnas apresentam um aspecto comercial crescente. Contudo, ele ressalta que muitos atletas talentosos estão surgindo neste cenário: “O número crescente de adeptos das corridas de rua nos últimos anos nos permite identificar novos talentos.”

Rafael Yanes, diretor operacional da TFSports — responsável pelos circuitos Track&Field Run Series e Experience Running — observou que esses eventos atraem corredores habituados a treinar no final do dia. Em 2024, foram realizadas nove etapas de provas noturnas pela TFSports; para este ano, espera-se um aumento para 23 eventos. Yanes afirmou: “Todos os nossos eventos contam com shows ao vivo e percebemos que o público tende a ficar mais tempo na arena, promovendo uma interação maior entre os participantes.”

No entanto, há desafios logísticos significativos. Segundo Yanes, as inscrições para as corridas noturnas costumam ter custos mais elevados devido ao investimento necessário em iluminação e segurança durante o percurso.

A escassez de locais adequados para essas provas também representa uma barreira para seu crescimento. Em São Paulo, as corridas noturnas são frequentemente realizadas em áreas como o Memorial da América Latina e nas proximidades da praça Charles Miller no Pacaembu, limitando-se a distâncias médias entre 5 km e 10 km.

Para contornar restrições logísticas nas capitais brasileiras, desde 2019 a TFSports tem organizado provas noturnas em pistas de aeroportos. Essas corridas ocorrem nas primeiras horas da madrugada quando as pistas estão fechadas para voos. Eventos desse tipo já foram realizados em cidades como Joinville e Teresina e atraem até 3.000 participantes.

Muitos corredores não se restringem apenas às competições organizadas; muitos traçam seus próprios percursos pelas cidades. Outros formam grupos comunitários como o Let’s Hop — fundado pelo designer gráfico Gledson Neix em 2019 — que realiza atividades no Minhocão em São Paulo. Esse espaço fica fechado à noite para veículos e recebe significativa participação feminina entre os corredores.

“Muitas pessoas têm dificuldade em treinar mais cedo devido ao trabalho; essa é uma oportunidade para encontrar novas pessoas após um dia cansativo“, comentou Neix. Ele ainda destacou: “A atmosfera da noite traz charme especial; com a iluminação e um clima mais fresco, cria-se uma atmosfera festiva que atrai ainda mais pessoas.”

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 20/08/2025
  • Fonte: Sorria!,