Copom anuncia nova alta da Selic em meio a inflação e incertezas econômicas

A taxa deve ser elevada em 0,5 ponto percentual, passando de 14,25% para 14,75% ao ano

Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Em meio a pressões crescentes nos preços de alimentos e energia, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil se prepara para anunciar, nesta quarta-feira (7), um novo aumento na taxa Selic, a taxa básica de juros do país. A expectativa é que essa decisão marque a sexta elevação consecutiva, uma resposta à resistência da inflação, enquanto um cenário de desaceleração econômica global pode indicar que este será o último ajuste antes de uma pausa no ciclo de aperto monetário.

Conforme apontado pelo boletim Focus, uma pesquisa semanal realizada com analistas de mercado, a taxa deve ser elevada em 0,5 ponto percentual, passando de 14,25% para 14,75% ao ano. O Copom havia sinalizado em sua última reunião, ocorrida em março, que qualquer aumento posterior seria feito em “menor magnitude”, após três altas seguidas de 1 ponto percentual. O comunicado da instituição enfatizou que a economia brasileira continua aquecida, embora também tenha destacado as incertezas no cenário internacional provocadas por políticas comerciais dos Estados Unidos.

O anúncio oficial do Copom será feito ao final do dia desta quarta-feira. Desde setembro do ano passado, quando iniciou seu ciclo de alta, a Selic já passou por aumentos sucessivos: uma elevação inicial de 0,25 ponto percentual seguida por um aumento de 0,5 ponto e mais três altas de 1 ponto percentual.

A recente ata do Copom destacou a necessidade de cautela diante da possível desaceleração econômica e alertou sobre as expectativas inflacionárias que demandam a manutenção de juros elevados por um período mais prolongado. Embora haja indícios de moderação no crescimento econômico, o Banco Central observou que o panorama inflacionário no curto prazo continua desafiador.

De acordo com o boletim Focus mais recente, as previsões para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, apontam uma estimativa de 5,53% para 2025 — uma leve diminuição em relação aos 5,65% previstos quatro semanas atrás. Essa taxa permanece acima do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% para o ano atual e pode chegar a 4,5% devido ao intervalo de tolerância.

A Selic desempenha um papel fundamental nas operações financeiras do país e serve como referência para as taxas aplicadas nas transações realizadas pelos bancos. A elevação da taxa básica visa conter a demanda aquecida, refletindo nos preços através do encarecimento do crédito e incentivando a poupança. Consequentemente, taxas mais altas podem dificultar a expansão econômica. Contudo, os bancos também consideram outros fatores ao definir suas taxas ao consumidor, como risco de inadimplência e custos operacionais.

A redução na Selic tende a tornar o crédito mais acessível, promovendo produção e consumo e ajudando a controlar a inflação enquanto estimula a atividade econômica.

As reuniões do Copom ocorrem a cada 45 dias. No primeiro dia são realizadas apresentações sobre as condições econômicas atuais e previsões futuras tanto do Brasil quanto do cenário global. Já no segundo dia, os membros deliberam sobre as possibilidades e definem o novo patamar da Selic.

Com a implementação do novo sistema de meta contínua a partir deste mês, o Banco Central passa a perseguir uma meta inflacionária estabelecida em 3%, com um intervalo de tolerância que varia entre 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — ou seja, limites entre 1,5% e 4,5%. Nesse modelo atualizado, as metas são avaliadas mensalmente com base na inflação acumulada em um período de 12 meses.

No último Relatório de Inflação divulgado pelo Banco Central no final de março, foi mantida a previsão de que o IPCA encerre 2025 em torno dos 5,1%, mas essa estimativa poderá ser revista dependendo das flutuações do dólar e das pressões inflacionárias. O próximo relatório está agendado para ser publicado no final de junho.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 07/05/2025
  • Fonte: Sorria!,