Copom deve manter Selic em 15% e sinalizar cortes a partir de 2025
Comitê do Banco Central deve sinalizar manutenção prolongada da Selic, mas analistas já projetam cortes a partir de dezembro
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 14/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta quarta-feira (17) e deve manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, o nível mais alto desde 2006. A decisão deve vir acompanhada de um discurso menos cauteloso do Banco Central, refletindo sinais de melhora no ambiente econômico.
No encontro anterior, em julho, o colegiado havia interrompido a sequência de aumentos da Selic e indicou a intenção de manter os juros elevados por um período prolongado. Agora, economistas avaliam que o BC deve mostrar maior confiança na eficácia da política monetária para conduzir a inflação à meta de 3%.
Inflação e câmbio favorecem cenário
Indicadores recentes apontam queda da inflação e desaceleração da atividade econômica, efeitos esperados da política de juros altos. Em agosto, o IPCA registrou deflação após 12 meses, puxada por energia, combustíveis e alimentos, acumulando alta de 5,13% em 12 meses.
Outro fator considerado positivo é a valorização do real diante do dólar, com a moeda norte-americana fechando na última semana a R$ 5,35, o menor valor desde junho de 2024. A expectativa de corte de juros nos Estados Unidos também contribui para aliviar pressões inflacionárias no Brasil.
Riscos fiscais ainda preocupam
Apesar da melhora no quadro econômico, analistas alertam que a situação fiscal pode atrasar a redução da Selic. Gastos elevados do governo e o crescimento da dívida pública são apontados como potenciais entraves para a queda dos juros.
Além disso, tensões comerciais com os Estados Unidos, intensificadas após novas ameaças de tarifas vindas do governo Donald Trump, podem trazer incertezas adicionais. Ainda assim, parte dos economistas projeta que o Copom pode iniciar cortes graduais a partir de dezembro, caso o ambiente siga favorável.
Perspectivas para os próximos anos
Segundo o Boletim Focus, a expectativa é que a inflação termine 2026 em 4,3% e recue para 3,93% em 2027, já dentro do intervalo da meta.
Especialistas avaliam que o conservadorismo do Copom deve ser mantido até que as projeções estejam mais próximas do objetivo oficial, mas reconhecem que a política atual começa a mostrar resultados concretos.